
A tarde quente deste domingo (7) marcou a 28ª edição da Parada Livre de Porto Alegre, no Parque Farroupilha, em um evento que reuniu milhares de pessoas e reforçou o caráter político da mobilização LGBT+.
Com temperatura chegando aos 33 graus, parte do público se concentrou nas áreas de sombra até o meio da tarde, enquanto o palco recebia as primeiras atrações e discursos. À medida que a intensidade do sol diminuía, o movimento aumentou, e a Redenção ficou lotada.
O tema de 2025, "Revolte-se! Parada é protesto!", conduziu falas, cartazes e intervenções ao longo do dia, em um ato que uniu reivindicação, celebração e diversidade.
— A Parada lembra que a gente é um monte de gente e que está todo mundo lutando por existir com dignidade. Qualquer ato de resistência é um ato de revolta, e ser patrimônio cultural dá ainda mais força pra isso — afirmou a drag queen e professora de teatro Lo Litta, 31 anos, uma das apresentadoras do evento.
Marcha atrasou, mas arrastou multidão
A Marcha Trans, ponto mais esperado da programação, estava prevista para as 16h, mas o calor fez a organização adiar a saída. Minutos antes do início, uma pane no som do primeiro trio elétrico provocou um novo atraso.
O cortejo só começou às 17h30min, quando a divisa da Avenida Setembrina com a Osvaldo Aranha já estava tomada por participantes à espera do deslocamento.
Assim que o trio começou a avançar pelo entorno da Redenção, bandeirões, leques, cartazes e fantasias formaram um corredor compacto que acompanhou o trajeto. Do alto das janelas e das calçadas, moradores acenaram e registraram o movimento, enquanto o público caminhava atrás do carro de som.
Segundo a organização, a Parada Livre reuniu milhares de pessoas ao longo de todo o dia. A reportagem observou maior concentração a partir das 16h, quando a área do palco e os acessos do parque ficaram completamente tomados.
A Miss Trans Diversidade RS 2025, Maria Luísa Garcia Gelatti, 43 anos, de São Borja, disse que o evento é um espaço de celebrar e reivindicar direitos:
— A Parada mostra a grandiosidade e a potência da nossa comunidade. É um espaço de celebrar, representar e reivindicar direitos. Como mulher travesti, mulher trans, eu defendo pautas contra o feminicídio, a violência, a xenofobia e a transfobia. E este ano a gente precisa revoltar-se contra essa política suja do país e se empoderar de informação, porque o voto é importante para nós.
A programação da Parada começou ainda pela manhã, com a corrida drag de pedalinhos no lago da Redenção e apresentações de 45 artistas no palco. Ao longo da tarde, o espaço em frente ao palco ficou completamente lotado.
Neste ano, o evento incorporou oficialmente a 1ª Marcha Trans de Porto Alegre, realizada ao longo do fim de semana com atividades na Casa de Cultura Mário Quintana, na Ponte dos Açorianos e no Gasômetro.
Reconhecimento como patrimônio cultural
Um dos fundadores da Parada, o militante e escritor Célio Golin, integrante do grupo Nuances, ressaltou o reconhecimento da Parada como patrimônio cultural imaterial de Porto Alegre. A medida foi aprovada pela Câmara de Vereadores com base em um projeto da vereadora Natasha Ferreira (PT).
— É uma consequência do histórico da Parada, que se constituiu enquanto um evento de referência em toda a cidade. É um reconhecimento que a cidade de Porto Alegre está dando para essa população.




