
O turista que gosta de visitar Gramado dificilmente encontra a cidade do mesmo jeito que a viu pela última vez. O município está constantemente entregando novas atrações para chamar de volta o viajante que conhece o local, mas também para dar aquele empurrãozinho em quem ainda está em dúvida sobre o destino.
É como se o empresariado e o poder público local dissessem: "Se não lhe convencemos até agora, espere até a próxima atração". E vem dando certo. Atualmente, Gramado tem 86% de sua economia oriunda do Turismo. Com 40 mil habitantes, a cidade recebe, anualmente, 8 milhões de visitantes — 200 vezes o número de moradores.
Os pontos mais clássicos, como o Lago Negro, o Mini Mundo, a Paróquia São Pedro e a Rua Coberta, por exemplo, seguem cumprindo o seu papel e sendo âncoras da cidade, amplamente visitados. Mas, neste processo de atualização constante da região, estes espaços vêm ganhando parceiros mais modernos e internacionais.
É o caso do Hard Rock Cafe Gramado. Inaugurado em 2018, o empreendimento causou impacto por ser uma grande marca internacional, mais restrita e badalada. O movimento demonstrou um grande potencial e abriu portas para outras iniciativas mundiais — a NBA, por exemplo, fixou o seu primeiro parque temático do mundo justamente em Gramado.
— Dos anos 1980 em diante, foi feito um movimento muito forte para consolidação da matriz econômica do turismo em Gramado. O poder público e os empresários, então, falaram: "Nós podemos fazer isso aqui virar um produto turístico". E fizeram. Então, os turistas vêm para cá para sair melhor do que entraram, para realizar seus sonhos — enfatiza Ricardo Reginato, secretário de Turismo.
Case de sucesso
A advogada e empresária Gabriela Ruschel Michaelsen enxergou na cidade em que nasceu um berço perfeito para implantar a marca da qual era grande fã: o Hard Rock Cafe. Desta forma, ela e o irmão Guilherme trabalharam para realizar o sonho de instalar o empreendimento em um ponto estratégico e privilegiado de Gramado, bem na esquina das ruas Wilma Dinnebier e Reinaldo Sperb, a 500 metros do Palácio dos Festivais.
— Trazer essa marca internacional para Gramado foi muito difícil, porque o Hard Rock, geralmente, está localizado em cidades com uma população muito grande, grandes metrópoles, sendo a maioria com mais de 1 milhão de habitantes. E, geralmente, com um aeroporto presente. A unidade de Gramado é a primeira do mundo a estar em uma cidade como a nossa. E se tornou um case de sucesso — detalha Gabriela.
O Hard Rock Cafe de Gramado tem um fluxo médio diário de 500 visitantes, funcionando sete dias por semana e com apresentações em todas as noites — os tributos vão de Elvis Presley a Freddie Mercury, de Amy Winehouse a The Beatles, tendo espaço até para o rei do pop, Michael Jackson. No local, trabalham 80 funcionários.
O espaço é uma casa de shows, mas também um restaurante, uma loja de souvenires, local de eventos corporativos e um museu com peças originais, de roupas a guitarras, de artistas mundiais. São mais de 90 espalhadas pelo prédio de três andares. Todas as peças são oficiais e oriundas do acervo mundial do Hard Rock.
— Ter uma marca como essa em uma cidade como a nossa é um grande avanço, uma grande possibilidade de atrair turistas de fora do Brasil. Os fãs do Hard Rock querem visitar uma nova unidade no mundo — enfatiza Gabriela.
O empreendimento ainda se tornou rota de treinamento mundial para gerentes do Hard Rock. Ou seja, profissionais das cerca de 300 unidades da franquia, espalhadas por mais de 70 países, viajam até Gramado para aprender como trabalhar com excelência dentro dos princípios da empresa. A expertise é tão admirada que a marca tenta replicar pelo mundo.
A conexão entre o Hard Rock e a cidade, entre o tradicional e o novo, reflete-se em uma parceria com o Mini Mundo. No espaço, que reimagina diversos lugares em escala 1:24, está presente o menor Hard Rock Cafe do mundo, inaugurado em 22 de março — e ele é oficial, autorizado pela alta cúpula do empreendimento mundial. O estabelecimento é o único do parque que também foi reconstituída por dentro. Um movimento de integração.
Imersão nos games
Pouco mais de um ano depois do Hard Rock se instalar em Gramado, o Exceed Game Park foi inaugurado na Avenida das Hortênsias. O empreendimento se vende como o "maior parque de games VR do Brasil", tem cinco andares e cerca de 50 jogos disponíveis, em diversos formatos. São 50 profissionais trabalhando no espaço.
A grande atração são os games em realidade virtual — os VR, na sigla em inglês. O espaço, repleto de leds, no estilo da franquia cinematográfica Tron, busca unir pais e filhos em aventuras digitais. Com arenas montadas para que a experiência seja compartilhada, o Exceed foi idealizado pelo casal Vaneli e André Caliari — este, especialista em parques temáticos e um dos fundadores do Snowland.
— As crianças, geralmente, estão online, jogando em seus quartos. A partir do momento em que tu vens para a serra gaúcha, tu tens a possibilidade de fazer o que fazes em casa, mas dentro de uma imersão, com o pai e a mãe. Os pais, geralmente, dizem que não querem jogar, mas são os que mais jogam. São as crianças e os jovens convidando os pais para o mundo deles. É bonito de se ver — diz Rafael Mazoni, gerente de Operações do Exceed, que foi fundado em 2019.
Para a vivência completa no parque, é estimado tempo de duas horas e 30 minutos. Ao comprar o passaporte, é possível ficar um turno jogando: das 10h às 14h ou das 14h às 18h. Além dos games com os óculos, que podem ser jogados em equipes — com interação real com os outros visitantes —, há os simuladores em cápsulas, para que o gamer possa sentir a força G ao pilotar um carro de corrida. Ou o trenó do Papai Noel. São cerca de 20 atrações.
— Este formato que temos aqui é único, imperdível e interativo. Tudo dentro do conceito da experiência que as pessoas só vão encontrar aqui — destaca Gabriela Avila Zanatta, gerente comercial da Exceed.
Mundo dos esportes
Praticamente em frente ao Exceed, na Avenida das Hortênsias, 4.795, está instalado o NBA Park, único do tipo no mundo. Nem mesmo nos Estados Unidos, berço da liga e maior mercado do planeta, existe um espaço como o de Gramado. São 4 mil metros quadrados de puro basquete, divididos em três andares, com as mais diversas atividades. No total, 80 pessoas são empregadas do empreendimento.
A ideia da NBA Brasil, no começo, era de abrir uma loja de produtos oficiais na cidade. Mas o empresário Jonas Ortiz enxergou o potencial de Gramado para criar uma atração única. Surgiu, então a ideia do parque temático.
Foram dois anos de planejamento e, depois da aprovação por parte da NBA norte-americana, o parque foi construído em cerca de um ano. A inauguração se deu em 2023 e, de lá para cá, acumula média diária de 450 visitantes — mas o espaço comporta até três vezes mais turistas.
Entre as atrações, o NBA Park oferece um restaurante oficial da marca da liga norte-americana de basquete, uma quadra feita com o mesmo material que as oficiais, atividades interativas, inclusive, com realidade virtual, para treinar arremesso, drible, enterrada e há uma loja com itens oficiais. Além disso, um dos chamarizes é o museu.
— Para compor o museu, tivemos muita ajuda da NBA. Temos memorabilia do Michael Jordan, do Magic Johnson, do Larry Bird, do Stephen Curry. Tudo assinado, com camisetas, shorts e tênis oficiais. São itens realmente únicos. Bolas de basquete de quando surgiu a liga, itens de todos os brasileiros que participaram da NBA. É muito completo — garante Corália Mazzitelli, gerente comercial e de marketing do NBA Park.
O espaço recebe diversos nomes do basquete nacional e mundial. O maior jogador brasileiro, Oscar Schmidt, esteve no parque e deixou um autógrafo e uma frase sua estampa uma das paredes do museu — embora não tenha jogado na NBA. No acervo, é possível encontrar moldes das mãos e dos pés dos jogadores — Shaquille O'Neal, por exemplo, calça 56.

A visão do visitante
Igor Barbosa Gomes, 26 anos, atendente de locação, e a namorada Stephanye Alves Barbosa, 25, empresária, ambos cariocas, assistiam a uma apresentação dos mascotes da NBA quando o Gorilla, representante do Phoenix Suns, chamou o jovem, que estava com uma camiseta do Golden State Warriors, para a quadra. O desafio levantou a plateia e demonstrou o diferencial das atrações em Gramado: a entrega de uma vivência inédita.
— Fiquei um pouco nervoso de ser chamado para a quadra, mas foi bem legal. A sensação é de emoção — explica Igor. — E é uma experiência única, porque eu ainda nunca fui conhecer os Estados Unidos, a NBA. Então, a gente pode viver isso aqui no Brasil.
Stephanye complementa:
— Já era um sonho vir conhecer Gramado. Aí, fomos tirar férias e entramos despretensiosamente para ver o valor da passagem. Na hora, falamos: "Vamos". Era um lugar que a gente já admirava bastante. E tem muita coisa para conhecer.



