A exposição de crianças nas redes sociais tem se tornado um tema cada vez mais relevante e preocupante nos dias atuais. Com a popularização das plataformas digitais, é fundamental compreender os riscos e cuidados necessários ao compartilhar imagens e informações sobre os pequenos.
Nay Macêdo, psicóloga especialista em proteção infantojuvenil na Era Digital, explica que as redes sociais são plataformas desenvolvidas por empresas multibilionárias em busca de lucro — muitas vezes às custas da vulnerabilidade de crianças e adolescentes.
— Quando a gente ouve o nome "rede social", a gente tem uma ideia de que é um lugar seguro para trocar informação, construir memórias afetivas e compartilhar imagens dos nossos filhos, que são as pessoas que a gente ama. Só que a gente precisa entender que esse não é um espaço seguro de fato. Não é a extensão da nossa sala.
A psicóloga cita uma pesquisa realizada pela Universidade Aberta da Catalunha, que conclui que até 72% das imagens utilizadas por agressores sexuais de crianças e adolescentes eram consideradas comuns, sem nenhum tipo de erotização. São predadores que se aproveitam da facilidade de acesso a essas fotos cotidianas, que são compartilhadas livremente nas redes sociais por famílias, empresas e escolas.
Nossos filhos não vão ter o direito ao arrependimento das imagens que publicamos na internet.
NAY MACÊDO
psicóloga especialista em proteção infantojuvenil na Era Digital
O criador de conteúdo Felipe Bressanim Pereira, mais conhecido como Felca, chamou atenção para o problema ao publicar um vídeo sobre o fenômeno da adultização de crianças na internet.
O algoritmo das redes sociais, como Instagram e TikTok, muitas vezes favorece a entrega de conteúdos com potencial sexualizado, facilitando o acesso de predadores a vídeos de crianças em situações inadequadas.
Nay Macêdo ressalta que a diferença entre os materiais compartilhados por essas plataformas e o conteúdo produzido para o cinema e para a televisão é que esses últimos são setores regulados, com regras para publicidade para crianças, indicações de classificação etária e restrições ao trabalho infantil.
— Na internet isso é feito com muita facilidade e é, inclusive, monetizado. Você pode patrocinar um conteúdo perigoso sem nenhum tipo de restrição.
Ela afirma que isso levanta questões sobre a responsabilidade das empresas em proteger os usuários mais vulneráveis, especialmente crianças e adolescentes.
Diante desse cenário, é fundamental que os pais estejam atentos e adotem medidas de segurança ao compartilhar imagens de seus filhos nas redes sociais. Ler atentamente os termos de uso, monitorar a privacidade dos perfis e limitar a exposição pública das crianças são algumas das ações que podem contribuir para a proteção dos pequenos nesses ambientes digitais, orienta a psicóloga.
