
Pessoas que atuaram como voluntários durante a enchente de maio de 2024 no Rio Grande do Sul são alvo de um estudo lançado na segunda-feira (28) pelo Serviço de Psiquiatria do Hospital São Lucas da PUCRS, na Capital. A pesquisa busca mapear os impactos que o voluntariado trouxe para a saúde mental dos indivíduos.
A primeira etapa do estudo consiste em um questionário autoaplicável, destinado a pessoas maiores de 18 anos que atuaram de forma voluntária em abrigos, resgates e outras frentes de combate à tragédia. Interessados podem responder à pesquisa online (clique aqui).
O levantamento é idealizado pela médica Aline Sartori, residente de psiquiatria no Hospital São Lucas, sob a supervisão dos professores Ana Sfoggia e Lucas Spanemberg. Conforme a médica, o formulário permanecerá aberto a respostas durante todo o mês de maio de 2025.
Há perguntas de cunho demográfico, que buscam levantar dados sobre as características sociais dos voluntários, e questões que remontam às emoções e sintomas vivenciados durante o período de voluntariado.
— Antes de as pessoas responderem, elas vão concordar com um termo que explica o benefício e o risco da participação. Não tem um risco físico, mas existe a possibilidade de a pessoa ficar mais ansiosa, ter alguma descompensação emocional causada pela lembrança daquele período — alerta Aline.
São necessários menos de 10 minutos para completar o questionário, formado somente por questões objetivas. Já a contribuição de quem participar do estudo, conforme Aline, será enorme.
— As respostas serão cruzadas para gerar dados comparativos e estatísticos sobre a atuação dos voluntários da enchente — explica a pesquisadora.
— A partir desse questionário, será possível compreender quais sintomas foram mais recorrentes, que tipo de atividade impactou mais a saúde mental ou em que região atuaram os voluntários mais impactados. Também poderemos entender quais foram as motivações dessas pessoas, de onde veio esse senso de comunidade que fez tanta diferença no período da enchente — detalha.
A pesquisadora enfatiza que os dados pessoais dos participantes serão tratados de maneira sigilosa. Já as conclusões obtidas a partir do estudo poderão auxiliar na criação de políticas públicas de cuidado voltadas a quem trabalhou no enfrentamento à tragédia climática.
— Infelizmente, sabemos que é grande a probabilidade de passarmos por algo assim novamente. Esperamos que não aconteça, mas, se acontecer, esse conhecimento vai ajudar na nossa preparação. O intuito é trazer dados que possam apoiar políticas públicas e apontar caminhos para que a gente consiga lidar melhor com isso — diz Aline.
O estudo foi projetado pela pesquisadora ainda durante a enchente de 2024. Junto a professores e colegas de residência, Aline atuou como voluntária no abrigo montado no Parque Esportivo da PUCRS. A experiência foi emocionalmente desafiadora para a médica, o que despertou nela o interesse por entender como a situação estaria afetando também outros voluntários.
Após a conclusão da etapa de aplicação dos questionários, os dados serão cruzados e analisados pela equipe envolvida no projeto. Depois, as informações subsidiarão artigos científicos que serão publicados pelo grupo, a fim de ampliar os conhecimentos sobre o impacto das crises climáticas na saúde mental de quem atua como voluntário.
— Esse enfoque ainda é muito pouco estudado, sobretudo no Brasil. A gente tem produções do Japão, da Indonésia, dos Estados Unidos e outros países que passaram por furacões, mas falta uma bibliografia brasileira. A nossa intenção é contribuir para a produção desse conhecimento — afirma a médica.
Como participar da pesquisa
- É possível responder o questionário online clicando neste link
- Para esclarecer dúvidas ou obter mais informações sobre o estudo, contate a pesquisadora Aline Sartori pelo e-mail alinemsartori94@gmail.com


