
O cuteleiro Yitzhak Menegassi, 27 anos, teve uma ideia original para divulgar os fósseis de dinossauros pré-históricos encontrados em Agudo, um dos nove municípios da região da Quarta Colônia no Rio Grande do Sul (veja no mapa abaixo) e distante cerca de 240 quilômetros de Porto Alegre.
Os animais que viveram há milhões de anos na Região Central do Estado são representados nas lâminas e nos cabos das peças criadas na oficina de trabalho do artesão, localizada em Nova Boêmia, quase às margens do Rio Jacuí e próxima da barragem de Dona Francisca.
Natural de Sobradinho, no Vale do Rio Pardo, o cuteleiro começou a produzir facas como hobby. Posteriormente, o amigo Gilberto Pereira Jordani propôs para ele criar uma linha de facas inspiradas nos dinossauros de Agudo, cidade que conta com 16 mil habitantes, conforme o Censo 2022.
Ideia aceita, Menegassi procurou especialistas como Rodrigo Temp Müller, integrante do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica (Cappa) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), para auxiliá-lo na criação das peças e no material informativo que acompanha os itens.
— Agudo é conhecida no mundo como cidade-berço dos dinossauros. E os dinossauros mais antigos do mundo foram encontrados aqui na nossa região — destaca Menegassi, que cria facas há seis anos e meio.
Região certificada
Há dois anos, a Quarta Colônia foi certificada como um Geoparque Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Os fósseis de dinossauros encontrados na região foram determinantes para a obtenção dessa certificação.
Fósseis de Sacisaurus agudoensis, Pampadromaeus barberenai, Macrocollum Itaquii e Erythovenator jacuiensis já foram identificados por lá. Também foram descobertos vertebrados fósseis, como o Exaeretodon e o Trucidocynodon, além do Rincossauro.
Os itens pré-históricos desenterrados ficam sob responsabilidade do Cappa.
Processo de fabricação
A oficina de cutelaria de Menegassi é nos fundos da propriedade da família. O artesão conta com uma série de equipamentos rústicos e ferramentas para desenvolver suas criações. O processo de fabricação passa por etapas como lixamento, assentamento, polimento, escovação e acabamento.
No local, ainda há espaços com serviços de borracharia, marcenaria e ferraria. Ao lado, em uma casa de pedra construída pelos antigos imigrantes, funciona o restaurante dos parentes.
Inspiração no "Bagualosaurus"
A linha conta com oito facas de dinossauros, sendo que a primeira teve como inspiração o Bagualosaurus agudoensis, que chegava a medir 2,5 metros de comprimento. Há ainda um chaveiro abridor de garrafas. Os preços das facas variam de R$ 180 a R$ 270, dependendo do tamanho e do tempo de produção, e o chaveiro custa R$ 60.
Os demais animais representados na coleção são Agudotherium gassenae, Dynamosuchus collisensis, Macrocollum itaquii, Pampadromaeus barberenai, Trucidocynodon riograndensis, Sacisaurus agudoensis e Erythrovenator jacuiensis.
Agudo é conhecida no mundo como cidade-berço dos dinossauros. E os dinossauros mais antigos do mundo foram encontrados aqui na nossa região
YITZHAK MENEGASSI
Cuteleiro de Agudo
— Além dos dinos, representei o Smilodon, que chamo tigre-dentes-de-sabre, do qual fiz um garfo. Tem o Dynamosuchus, que foi um lagarto gigante, e o Agudotherium, que eu chamo de ratinho porque era pequenininho — acrescenta Menegassi.
Fôlder explicativo
Os desenhos dos dinossauros são feitos no computador, e as imagens são recortadas com auxílio de laser para serem trabalhadas nos objetos feitos em aço carbono 1070.
Esse tipo de aço é utilizado na fabricação de facas por concentrar características como dureza e facilidade de afiação. Os cabos são de madeira guajuvira, encontrada facilmente na localidade.
— Mencionamos o nome do animal na lâmina e junto vai um folderzinho com as características dele, como há quanto tempo foi encontrado, do que se alimentava, o tamanho e a foto — detalha o cuteleiro.
Novos modelos
Neste momento, Menegassi planeja retomar a produção com alguns modelos novos. Seriam facas utilitárias com os dinossauros estilizados e com o pórtico de Agudo desenhado no cabo. Além disso, pretende representar os animais em facas em inox. O preço da peça ficará em torno de R$ 170.
Os itens já foram exibidos em locais como a Festa Nacional do Chimarrão (Fenachim), em Venâncio Aires, no Vale do Rio Pardo. Segundo sua avaliação, as peças representam um geoproduto local e auxiliam na divulgação da cultura e da paleontologia da Quarta Colônia.
— Além da faca ser temática, ela é utilitária — conclui.
Como comprar as facas
O cuteleiro Yitzhak Menegassi aceita encomendas de pessoas e empresas pelo Instagram (@cutelariamenegassi), Facebook (Cutelaria Menegassi) e WhatsApp: (55) 99989-7995.



