Pesquisadores ingleses recomendam que pacientes com linfoma folicular, sejam tratados antes mesmo de sentirem os primeiros sintomas, isto é, assim que receberem o diagnóstico da doença. A novidade foi apresentada durante o Congresso da Associação norte-americana de hematologia (ASH, na sigla em Inglês). O encontro que ocorreu em Orlando.
Carlos Chiattone, diretor de relações internacionais da Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (ABHH), afirmou que esses estudos mudaram o paradigma do tratamento da doença.
- Desde 1980 a recomendação internacional era para tratar o paciente de linfoma folicular somente após o surgimento dos primeiros sintomas - destaca.
A terapia é feita com uma droga de ultima geração conhecida como rituximabe. Os resultados mostraram que as pacientes tratados de forma precoce apresentaram melhor evolução da doença. Agora o estudo inglês precisa ser validado por outros centros de pesquisa, antes de ser adotado pela clínica médica.
Outro estudo relevante, na avaliação de Chiattone também apresentado pelos ingleses foi o uso de um exame de diagnóstico por imagem chamado PET-CT em substituição ao exame convencional de tomografia para acompanhar a evolução ou a involução do tratamento de pacientes com determinados tipos de linfoma. Em muitos casos a tomografia mostrava que o tumor não havia diminuído de tamanho após o tratamento, mas eram casos de fibrose e não da ineficácia da droga, característica que o exame de Raios-X não identificava em prejuízo para o paciente. Também neste caso o especialista recomenda cautela.
- Os dados ainda precisam ser maturados - ressaltou
O congresso ASH apresentou também estudos com novas drogas que combinadas proporcionam maior sobrevida e melhor qualidade de vida aos pacientes com linfoma. Entre elas estão a lenalidomida e o bortezomibe, amplamente utilizadas em pacientes com outra doença do sangue, o mieloma múltiplo. Há também duas outras drogas conhecidas como deacitilaze de histona e panabinostati, atualmente utilizadas em um pequeno grupo de pacientes, de forma experimental.
Entenda os termos
:: Linfoma
Câncer que ataca os linfonodos (gânglios), responsáveis por proteger o organismo de infecções
:: Linfomas foliculares
Eles representam aproximadamente 20% de todos os casos de linfomas não-Hodgkin. O linfoma folicular tem longa evolução, poucos sintomas e é, em geral, incurável.
O objetivo do tratamento é prolongar o tempo e melhorar a qualidade de vida dos pacientes, o máximo possível. Essa sobrevida pode chegar a 20 anos em alguns casos.
:: Linfomas não-Hodgkin
Correspondem cerca de 60% do problema na infância (entre cinco e 15 anos), com maior incidência entre os rapazes. São curados em menos de 25% dos casos, que são cinco vezes mais frequentes do que os da doença de Hodgkin.
Pode apresentar manifestações no estômago, pele, cavidade oral, intestino delgado e sistema nervoso central (SNC).
