
A situação econômica, as altas taxas de juros e a elevada inadimplência provocaram o comportamento instável do setor automotivo em junho e no semestre. A produção e venda de crescem com o melhor resultado desde o primeiro semestre de 2019.
O desempenho acima do esperado da venda de veículos no país levou a Anfavea, a associação dos fabricantes, revisar suas projeções divulgadas em janeiro.
A expectativa é de superar três milhões de emplacamento, mais 12% e melhor resultado desde 2014, 2,88 milhões na produção, mais 5,5%. Mas a exportação terá resultado negativo de 12,8% com 462 mil unidades.
Resultado positivo

O bom desempenho decorreu do programa Carro Sustentável com 73 mil unidades, que impulsionou as vendas dos veículos de entrada.
O crescimento dos eletrificados contribuiu com 130 mil veículos, dos quais 70 mil produzidos no Brasil e 60 mil importados. Em junho, os eletrificados tiveram a melhor participação na venda de veículos leves com 20,9% do mercado.

O aumento da produção e venda é destacado pelo presidente da Anfavea, Igor Calvet. O executivo lamenta que parte da recuperação do mercado nacional venha sendo capturada por importações e critica o incentivo por alíquotas abaixo da média mundial ou pela produção de eletrificados em SKD isenta de Imposto de Importação “ algo que vem se provando desnecessário e fora de propósito, dado o bom desempenho dos veículos eletrificados”.
Linha de montagem

A produção de 246.015 automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus caiu 3,5% na comparação com maio e aumentou 6,5% na comparação com o mesmo mês de 2025.
Com 232.765 unidades, os automóveis e comerciais leves caíram 3,0% sobre o nes anterior e saltaram 18,8% em relação a igual período do ano passado. Apenas automóveis foram 188.008 (menos 3,2 e mais 22,6%) e comerciais leves, 44.757 (mais 15m1% e 5,3%).
O segmento de caminhões aumentou 3,9% com 10.994 unidades sobre maio e 5,5% em comparação com junho de 2025. O setor de ônibus teve 2.356 unidades, menos 20,8% em relação a maio e menos 15,1% sobre junho do ano anterior.
Mercado doméstico

A venda de 260.467 veículos em junho caiu 1,34% em relação a maio e saltou 28,82% na comparação com o mesmo mês de 2025.
Os 212.902 automóveis caíram 0,64% sobre maio e saltaram 33,82% na relação com o mesmo mês do ano anterior. Os 47.565 comerciais leves caíram 4,34% em relação maio mas cresceram 10,35% sobre junho de 2025.
Caminhões e ônibus somaram 11.990 emplacamentos e cresceram 16,79% sobre maio e 12,58% no mesmo mês do ano anterior. Foram 9.419 caminhões — mais 14,87% e 13,58%. Os 2.580 ônibus saltaram 24,40% e 9,37%.
Menos embarques

A exportação continua em queda. Em junho foram embarcados 36.739 veículos, menos 1.9%, dos quais 34.198, menos 18%, foram automóveis e comerciais leves. Em valores foram US$ 1.010,389 milhões.
Junho fechou com o estoque de 573 mil veículos, dos quais 410 mil importados e 163 mil nacionais. O volume corresponde a 56 dias, sendo 21 de nacionais e 174 importados.
Janeiro a junho

A produção no semestre de 1.370.392 automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus aumentou 8,8% na comparação com 2025. Os automóveis e comerciais leves cresceram 10,2% com 2.491.747 unidades. Apenas automóveis foram 1.054.370, crescimento de 12%, e comerciais leves, 248.916, mais 3,1%.
O segmento de caminhões despencou 14,4% com 56.798 unidades. O setor de ônibus aumentou 3,2% com 216.241.
Venda e exportação

Os 1.359.107 automóveis e comerciais leves vendidos no primeiro semestre cresceram 20% sobre 2025. Foram 1.086.444 carros de passeio, mais 20% e 272.663 comercias leves.
Os 61.020 veículos de transporte caíram 9,09% na comparação com o ano anterior. Foram 48.083 caminhões, menos 9,39% e 12.990 ônibus, menos 7.79%.
Queda livre
As exportações continuam em queda. Apenas para a Argentina, a redução foi de quase 60 mil unidades, reflexo da retração do mercado local e da perda de participação dos veículos brasileiros para modelos chineses e mexicanos.
Em queda, foram embarcados 216,6 mil veículos, tombo de 21,2% que corresponderam em valores a US$ 5.411,1 milhões.
Desembarque chinês

As importações ampliam déficit na balança comercial do setor automotivo que, depois de muitos anos, voltou ser negativa.
No primeiro semestre desembarcaram 63 mil veículos a mais do que o total exportado. Dos 280,6 mil importados, metade foram chineses. Volume que dobrou de 70 mil para 140 mil unidades.


