
O Chevrolet Tracker, a Fiat Strada e o Volkswagen Polo lideraram a venda de veículos no Rio Grande do Sul em 2025. Com os desafios econômicos, impactos no agronegócio e mudanças no perfil de consumo, o ano teve momentos de recuperação e de desaceleração e fechou com resultado negativo no mercado gaúcho.
Os segmentos de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus desaceleram e, apesar do ótimo resultado de dezembro, os emplacamentos caíram.
Abaixo da média nacional

O presidente do Sincodiv/Fenabrave- RS, Jefferson Fürstenau, a expectativa era de que o ano fecharia em equilíbrio com 2024. Mesmo meses que normalmente têm bom desempenho, como julho e agosto, não repetiram os resultados e ficaram muito abaixo da média nacional, ressaltou o executivo.
A estiagem e a não liberação de recursos pelo governo federal comprometeram o agro explicou o executivo. “A partir do momento que veio a liberação, o setor reagiu e passamos a ter um desempenho melhor que o Brasil”, concluiu.
Resultado negativo

A venda de 188.074 veículos novos no Rio Grande do Sul em 2025 caiu 4,43% na comparação com o ano anterior. Apesar do resultado negativo em relação ao país, que cresceu 2%, o Estado manteve a quinta posição nacional nos segmentos de automóveis, comerciais leves e caminhões e sétimo no de ônibus.

O segmento de automóveis, com 96.167 registros caiu 4,41% na comparação com 2024. O comportamento do consumidor foi mais cauteloso com decisões de compra postergadas ao longo do ano.
Os comerciais leves caíram 9,83% com 27.284 unidades. Decorrência da desaceleração econômica e retração de investimentos de pequenos e médios empresários. Em especial o produtor rural que enfrenta dificuldades nos últimos anos.
Carga e passageiros

Caminhões e ônibus somaram 9.362 registros. Foram 8.113 veículos de transporte de carga, tombo de 18,32%, e 1.249 de transporte coletivo, menos 1,89%.
As dificuldades do agronegócio impactaram o segmento de caminhões, em especial os pesados e extrapesados. Já o de ônibus foi praticamente estável por renovações pontuais de frota urbana e escolar.

Apesar da 19ª posição na venda nacional, o único segmento com resultado positivo no Estado foi o de motocicletas com 1,1% e 37.277 unidades. Mesmo assim, ficou bem abaixo em relação ao mercado que avançou 14%.
Preferidos dos gaúchos

Os carros eletrificados acompanharam o avanço nacional e a venda no mercado gaúcho saltou 67,70% sobre 2024 com 15.578 emplacamentos. Pela primeira vez, um veículo elétrico fica entre os 20 mais vendidos com o BYD Dolphin Mini na 19ª posição geral.
Dos 20 carros mais vendidos no Estado em 2025, seis foram Stellantis (quatro Fiat e dois Jeep), cinco Volkswagen, três Chevrolet, dois Toyota, e um Caoa Chery, BYD, Honda e Nissan.
Carros mais vendidos

Modelo unidades
1. Chevrolet Tracker – 5.156
2. Fiat Strada – 5.109
3. Volkswagen Polo – 4.635
4. Volkswagen Saveiro – 4.539
5. Volkswagen T-Cross – 4.320
6. Jeep Compass – 4.222
7. Volkswagen Nivus – 3.433
8. Toyota Corolla Cross – 3.200
9. Hyundai Creta – 3.178
10. Fiat Toro – 2.965
11. Nissan Kicks – 2.776
12. Fiat Fastback – 2.664
13. Toyota Hilux – 2.546
14. Fiat Argo – 2.584
15. Jeep Renegade – 2.461
16. Chevrolet Onix Plus – 2.420
17. Volkswagen Tera – 2.402
18. Honda HR-V – 2.332
19. BYD Dolphin Mini – 2.274
20. Caoa Chery Tiggo 7 – 2.236
Expectativa para 2026

Apesar dos desafios, 2026 deverá ter recuperação moderada. A reorganização setorial, a maior previsibilidade e a disponibilidade de credito com juros mais acessíveis são decisivos para volta do crescimento sustentável no mercado gaúcho.
Pela avaliação da entidade dos concessionários, o comportamento será distinto em cada segmento com leve alta para automóveis e comerciais leves. Caminhões, com demanda reprimida, dependerá da normalização gradual das atividades rurais.
O segmento de ônibus deverá continuar estável e até poderá avançar. Como ocorre sempre em ano eleitora, deverá ter incentivo às renovações de frotas escolar e urbana.

A mudança para a obtenção da Carteira de Habilitação (CNH) que reduziu o custo para cerca de 20% no Estado, beneficiará a aquisição de veículos, em especial motos. Segmento em que muitas vezes o interessado tem que optar entre comprar a moto ou fazer a CNH.
A fixação da alíquota de 12% do ICMS sobre veículos novos, em vigor desde 1º de janeiro, no Rio Grande do Sul, também será fundamental. Para o presidente do Sincodiv/Fenabrave RS, a medida alinha o RS aos Estados mais competitivos no setor.





