
Muito mais bonita e confortável, com ótima atualização da tecnologia. Assim é a Sportage 2017, que tem tudo para fechar o ano como carro importado mais vendido do país. O veículo possui forte apelo para conquistar quem procura uma SUV entre R$ 110 mil e 135 mil. Em sua quarta geração, o veículo abre mão do caráter aventureiro que marcou sua trajetória desde 1993, quando foi lançado, para se tornar um carro de asfalto, ideal para quem quer encarar as autopistas – ou desfilar na cidade.
Prova disso é que a versão 4x4 foi descontinuada e, na versão top, as rodas de 19 polegadas receberam pneus 245/45, um perfil bem baixo, totalmente impróprio para encarar a terra. Antes de entrar, dá para ver as mudanças, sobretudo na versão EX, top de linha. O conjunto ótico dianteiro recebeu novas luzes diurnas e faróis de neblina divididos em quatro (parecem quatro cubos de gelo), sempre em LED, presentes também no conjunto traseiro. A versão LX, de entrada, manteve lâmpadas halógenas.

Em termos de tamanho, a SUV levou uma vitaminada e ganhou quatro centímetros no comprimento, três na altura e três no entre-eixos. Mas a maior diferença é no porta-malas, que teve a boca redesenhada e passou de 740 para 868 litros – com os bancos rebatidos, supera 1.100l. No Brasil, a quinta porta não tem acionamento elétrico, o que deve dificultar a vida dos baixinhos na hora de puxar a peça para baixo.
Série de equipamentos.
A sopa de letrinhas que mais pesa nos R$ 25 mil a mais da versão top faz diferença. Afinal, assistente na partida de subidas (HAC), assistente de tráfego (RCTA), controle eletrônico de estabilidade (ESC), controle de frenagem na descida (DBC), controle de tração (TCS), assistência à frenagem (BAS) e detector de ponto cego (BSD) são mimos que fazem muito bem no dia a dia. A versão LX limita-se a contar com ABS e EBD nos freios, além de sensores de aproximação. Ainda na parte de segurança, a Kia mudou o aço da carroceria. Até 2016, apenas 18% levavam aço ultrarresistente. No modelo 2017, serão 51%.

PREVISÃO DE VENDAS É OTIMISTA
Com tantas benfeitorias no automóvel, as projeções da Kia são otimistas. A primeira geração (de 1993 a 2002) vendeu no mundo 554 mil unidades, contra 842 mil da segunda(2004-2009) e 1,6 milhão da terceira (2009-2016). A previsão dos coreanos é que, até 2021, a Sportage ultrapasse a marca de 3 milhões de unidades comercializadas.
No Brasil, enquanto o governo mantiver a lei que estipula cota máxima de 4,8 mil unidades para importação (as demais, pagam imposto de 30% de IPI), cerca de 320 unidades da SUV desembarcarão nas concessionárias a cada mês.
FICHA TÉCNICA

Motor: 2.0, flex, 4 cilindros em linha, 16 válvulas, com potência de 167cv (156cv com gasolina) a 6.200rpm e torque de 20,2kgm.f (18,8kgm a gasolina) a 4700rpm
Suspensões: dianteira independente, tipo MacPherson, com molas helicoidais e amortecedores a gás; traseira independente, multi-link, com molas helicoidais e amortecedores a gás
Direção: elétrica
Transmissão: automática de 6 marchas, com opção de troca sequencial (borboleta e na alavanca)
Freios: os quatro com discos (os da frente são ventilados)
Rodas: liga-leve, com 17¨(versão LX) e 19” (EX)
Dimensões (em milímetros): comprimento 4.480; largura 1.855; altura 1.665; entre-eixos 2.670
Porta-malas 868 litros (1.700 com bancos rebatidos)
Peso: 1570kg
Tanque: 62 litros
Preço: R$ 110 mil (LX) e R$ 135 mil (EX)
AINDA MELHOR DE ACELERAR
Ao entrar no veículo para um teste em estradas de Itu, no interior paulista, nota-se que o habitáculo foi todo renovado. O painel ficou mais bonito e de fácil leitura, e no acabamento o veículo compete de perto com Mercedes GLA, Audi Q3, Honda CR-V e Toyota Rav 4, principais concorrentes.

Além do banco do motorista, o do carona também tem regulagem elétrica, um trunfo frente aos rivais. O console central, que serve de apoio para o braço do motorista, ficou 5cm mais comprido para garantir conforto aos condutores com menos de 1,70m de altura.
Na hora de acelerar nas estadas do interior de São Paulo, nenhuma surpresa. Foi mantido o casamento entre o motor flex de 167cv, feito no México exclusivamente para o mercado brasileiro, e o câmbio automático de seis marchas – não há outras opções. Mas existem três condições de pilotagem, a S (Sport, com melhor desempenho), a Eco (garante mais economia) e a normal. Nelas, o sistema de entrega de potência sofre alterações.

Em qualquer uma delas, o propulsor de 2.0 litros é suficiente para empurrar o veículo, embora com menos rapidez do que a maior parte dos rivais. O câmbio de seis marchas, bem escalonado, suporta esticar bem as marchas na hora das ultrapassagens.
Herança bruta
O freio de estacionamento a pedal é a única coisa que sobrou do caráter bruto que a Sportage cultivou até sua segunda geração. No mais, o veículo optou pelo caminho da sofisticação. Embora a motorização não sofra alterações, a pilotagem nas duas versões é diferente. Top de linha, a EX possui vários tipos de tecnologia ausentes na versão de entrada, como assistente de subida e controle de tração. Fazem diferença tanto para quem procura uma condução esportiva na estrada ou mesmo para donas de casa que, no caminho do shopping, têm dificuldade em arrancar com o carro nos aclives.
Quem viaja no banco traseiro vai perceber um ganho importante: o ângulo de inclinação do banco pode ser regulado e vai até 39º, contra 28º da versão anterior – para quem vai ficar mais de duas horas no veículo, como em uma viagem, a diferença é enorme.

AS VERSÕES
LX, R$ 110 mil – acelerador eletrônico, câmera de ré, ar-condicionado manual, computador de bordo, console central com descansa-braço, porta-objetos e porta-copos, iluminação do porta-malas e porta-luvas, piloto automático com controle no volante, porta-garrafas nas portas dianteiras e traseiras, saída de ar-condicionado para bancos traseiros, seletor do modo de condução (Eco Drive / Sport/Normal ), sistema de som com tela 5” sensível ao toque, controles de áudio e de chamada no volante, Bluetooth , rádio CD/MP3 player, entrada auxiliar e USB, duas tomadas auxiliares de energia 12V no console dianteiro e uma no banco traseiro, volante com regulagem de altura e profundidade, rack no teto, sensores de estacionamento traseiro.
EX, R$ 135 mil – acrescenta ar-condicionado digital com ionizador, bancos elétricos (motorista e carona) e todos em couro, partida do motor por reconhecimento de chave, console no teto com porta-óculos e luzes de leitura, iluminação de cortesia nas maçanetas externas, sensor de chuva, sistema multimídia com tela 7” sensível ao toque, controles de áudio e de chamada no volante, GPS, DVD player, Bluetooth , rádio CD/MP3 player, entrada auxiliar e USB, volante esportivo, retrovisores externos com rebatimento elétrico, aquecimento e setas integradas, faróis de neblina e lanternas traseiras em LED, rodas aro 19”, teto solar duplo panorâmico, airbags laterais e de cortina, assistentes na partida em subidas, de tráfego e de frenagem, controles de estabilidade, de frenagem em declives, de tração e de ponto cego, luz diurna em LED, paddle shift e sensores de estacionamento dianteiro.
