
O Brasil empatou com uma equipe melhor do que ele no último sábado (13). Só que foi contra um time africano. Por mais defeitos que a equipe de Ancelotti tenha apresentado, é sempre bom lembrar que o Marrocos é campeão de seu continente e quarto lugar na última Copa.
Mesmo que o treinador marroquino tenha entrado há três meses no cargo, há um grupo entrosado e respaldado em resultados recentes. Mas é um país da África. É imperdoável para o "genial futebol brasileiro" empatar com um africano, mesmo que superior no momento. Soberba, preconceito e vontade de apostar no "quanto pior, melhor".
Bastaram dois dias para a decantada Espanha – a campeã da Europa que não ganhou do Brasil na casa dela em 2024, nos tempos do Dorival Júnior – empatar com os ilhéus africanos de Cabo Verde. E agora?
Os espanhóis estão alarmados, mas os brasileiros parecem silenciar diante do fato de nossos irmãos cabo-verdeanos estarem na posição 64 do ranking da Fifa, enquanto Marrocos é sétimo.
As críticas brazucas contra a Espanha proliferam, mas a comparação com o resultado de nossa seleção não é muito citada. Claro que é pior empatar com Cabo Verde, ainda mais para quem é favorito ao título.
Isto, porém, não pode afastar os espanhóis da forte candidatura à conquista final, bem como não qualifica o Brasil à condição de favorito o fato de ter empatado com os melhores da África. A Espanha segue sendo superior ao Brasil, só que sujeita a reveses.
Ainda que a França pareça ser superior às demais seleções da Copa, o futebol permite coisas imprevisíveis em jogos e torneios. A partir disso, a terra arrasada feita por muita gente contra a Seleção Brasileira depois de sábado pode ser relativizada.
Ancelotti errou e pode se recuperar, pois é um grande técnico. A partir daí, os jogadores também podem experimentar recuperação.
Casemiro segue sendo um volante entre os melhores do mundo. As trocas na lateral direita e no ataque devem acontecer, equilibrando a equipe. Uma vitória diante do Haiti vai encaminhar a classificação para a fase de jogos eliminatórios, dando tempo para maior entrosamento e condicionamento físico.
Uma melhora do Brasil é de uma probabilidade imensa, valendo tanto ou mais para a Espanha. É bom lembrar que há três anos e meio, no Catar, a Argentina perdeu na estreia para a Arábia Saudita, algo digno de uma crise.
Bastaram dois jogos para a confiança ser readquirida e o time se habilitar para ser o campeão que veio a ser. Tudo bem, tinha Messi e um grupo mais confiante. Mas perder para os árabes é bem pior do que empatar com Marrocos e se iguala a um empate zebra com Cabo Verde.


