
O torcedor respira fundo, junta os cacos, tenta manter acesa a fé de permanecer na primeira divisão, mas do lado de dentro, do gramado ao vestiário, das entrevistas ao silêncio, o ambiente interno demonstra resignação e parece ter jogado a toalha.
Eu acredito, mas o Inter acredita? Essa é minha dúvida. O silêncio tomou conta do Beira-Rio depois da última pancada contra o São Paulo. Alguém precisava falar. Alguém precisa chamar para si a responsabilidade. D'Alessandro ainda tem gás, ainda tem moral, ainda tem lastro para ser a voz quando tudo desaba. Mas o clube parece preferir preservá-lo e ele aparece pouco.
Preocupação
O vestiário deu sinais preocupantes. Semblantes derrotados, entrevistas que soaram como aceitação do destino. O Vaguinha acredita. Até os mais céticos guardam um último fio de fé, mas... e o Inter? Porque nada ali dentro transmite essa crença. Nada indica que eles realmente enxergam que ainda há vida, ainda há jogo, ainda há camisa, história, honra.
E esse é o momento de sangue, de energia e de pulsação. Não é de ombro caído, de frases mornas, de silêncio envergonhado. Se dependesse do torcedor, o Inter ganhava o jogo, ganhava a luta, ganhava o fôlego e arrancava a permanência no grito, mas depende de quem entra em campo.
Depende de quem comanda quem entra em campo. E depende de quem deveria estar liderando esse barco que, hoje, parece à deriva emocional.
Não é o Vaguinha que tem que falar e não é o torcedor que tem que empurrar sozinho. É o Inter que precisa acreditar. Em voz alta, com pulso, com indignação e com alma. Porque, se quem veste vermelho e branco não acreditar, de nada adianta o torcedor carregar essa fé nas costas. A gente acredita, mas falta o Inter acreditar, também, antes que a última chance passe diante de um clube que simplesmente não reagiu.




