
O assunto perdeu peso nas manchetes. No Brasil, isso não chega a ser exatamente uma surpresa. Escândalos costumam ter brilho intenso e vida curta. Mas a eventual delação premiada de Daniel Vorcaro não pode seguir esse roteiro. Se ela contém informações potencialmente capazes de influenciar a decisão dos eleitores, precisa ser conhecida antes da eleição.
Não porque uma delação seja prova definitiva. Não porque a palavra de um colaborador dispense investigação. Mas porque a democracia pressupõe um eleitor informado. Quanto mais relevantes e transparentes forem as informações disponíveis antes da urna, mais verdadeiro será o resultado da eleição.
É legítimo trabalhar com a hipótese de que existam interesses poderosos para que esse assunto seja empurrado para depois da votação. Ou para baixo do tapete, para sempre. Quando uma revelação tem potencial para alterar uma eleição, ela desperta uma disputa não apenas sobre seu conteúdo, mas também sobre o momento em que será conhecida.
Só que essa lógica conduz exatamente à conclusão oposta. Se uma informação é irrelevante, tanto faz que venha hoje ou daqui a seis meses. Agora, se ela tem força para alterar a percepção do eleitor, esse é precisamente o motivo para que seja conhecida antes da eleição.
Naturalmente, tudo deve respeitar o devido processo legal. Uma eventual delação precisa ser analisada, confrontada e corroborada. Ninguém pode ser condenado apenas pela palavra de um delator. Mas o eleitor também tem direitos. Tem o direito de conhecer, antes de votar, tudo o que o sistema público financiado pelos impostos de todos tem a lhe dizer.
Se informações capazes de alterar o resultado de uma eleição forem deliberadamente retidas ou empurradas para depois da votação com o objetivo de impedir que influenciem a escolha do eleitor, o nome disso não é estratégia política. O nome disso é golpe. Não um golpe contra um candidato ou contra um partido. Um golpe contra o voto livre e consciente. Porque a democracia não começa na urna. Ela começa no direito de saber.






