
Não é erro de digitação. Eu sei que o ano que está começando é 2026. Mas faço questão de desejar, desde já: feliz 2027.
Explico. 2026 será, acima de tudo, um ano de transição. Um daqueles anos que não se explicam apenas por si, mas pelo que ajudam a construir. O que acontecer em 2026 vai começar a ser sentido, de fato, em 2027. Por isso, o cumprimento antecipado.
Em 2026, o Brasil vai às urnas. Será uma eleição ampla: presidente da República, governadores, senadores e deputados. Um cardápio completo de escolhas. Não se trata de revisar o passado nem de apontar erros ou acertos. Trata-se de algo mais simples e mais direto: tomar as melhores decisões possíveis para o país a partir de agora.
Eleições têm esse efeito curioso. No calor do momento, parecem um evento emocional. Depois, revelam-se determinantes, racionalmente. O voto é um gesto rotineiro, ainda bem, mas com efeitos de longo prazo. O que decidirmos em 2026 não termina na noite da apuração. Começa na posse dos eleitos, em janeiro de 2027.
Talvez por isso 2026 tenha esse ar de sala de espera. Não é um ano menor. É um ano estratégico. Um ano em que se escolhe mais do que se comemora. Em que o futuro pede atenção redobrada no presente, sem dramatização, mas também sem distração.
No futebol, confesso, vivo algo parecido. Meu time, o Internacional, quase foi rebaixado em 2025. Escapou. Sobreviveu. Entra em 2026 também em transição. Reformulações, ajustes, esperanças. E aquela convicção tipicamente brasileira : agora vai. Vale o mesmo para a Copa do Mundo e para uma seleção desconectada com a alma do Brasil. Torcer é acreditar antes das evidências. Ou apesar delas.
Anos de transição exigem paciência, mas também cuidado. Não dá para tratar decisões importantes como se fossem provisórias demais para merecer atenção.
Por isso, reforço o desejo: feliz 2027. Que possamos chegar lá tendo feito, em 2026, escolhas conscientes, serenas e responsáveis. O futuro não surge do nada. Ele começa, discretamente, nos anos que parecem apenas de passagem.
E 2026 é um deles.

