
Esta é uma coluna chata, enfadonha, desinteressante. Aviso logo no início, para que você desista antes de lê-la, se assim desejar.
Não vou falar sobre polarização, tarifaço, guerra ou outros temas mais inflamáveis, aqueles que rendem engajamento, certezas absolutas e cliques indignados. Hoje, quero falar sobre algo que considero bom, o que, convenhamos, anda meio fora de moda.
Outro dia, passei pelo Quarto Distrito de Porto Alegre. Vi as cicatrizes da enchente. Mas vi também algo mais forte: a força da reconstrução. Vi portas reabertas, tintas novas, gente fazendo o que sabe fazer. Vi resiliência em estado bruto. O Instituto Caldeira, por exemplo, está maior e melhor do que antes.
Vale o mesmo para as entradas da cidade. Vale para bairros inteiros. Vale, em alguma medida, para todo o Estado. Há um ano, se alguém dissesse que estaríamos como estamos hoje, seria chamado de otimista demais, ou de ingênuo. E, no entanto, aqui estamos. De pé. Em frente.
Hoje, assumi um compromisso comigo mesmo: não vou ficar nos poréns. Não vou completar cada avanço com um “mas ainda falta”. Hoje, a levada é outra: reconstruímos, investimos, cuidamos. Avançamos em muitas frentes. E devemos nos orgulhar disso.
Celebrar tem valor. Não é só gesto simbólico: é ferramenta de sanidade. Ajuda a manter a energia, a autoestima, a união. Quem nunca celebra, cansa. Quem só aponta falhas, paralisa. A celebração não é alienação. É combustível. É ela que nos permite seguir em frente sem perder o ânimo nem a esperança.
Celebrar não é fechar os olhos para o que ainda dói. A lógica perversa da radicalização tenta nos convencer de que elogiar é trair, que reconhecer um esforço é desmobilizar, que aplaudir algo significa vaiar o que se coloca como oposto. Não caia nessa armadilha.
E lá vou eu pedir desculpas outra vez, pela eventual pieguice.
Mas quero lhe fazer um pedido: olhe em volta e escolha um motivo para celebrar. Qualquer um. Por menor que seja,
E alegre-se. Sem culpa. Você merece. O universo agradece.




