
Fiz ontem um exercício simples. Nas primeiras rolagens das edições online de Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo e Zero Hora, contei onze menções ao nome do ministro Alexandre de Moraes. A instituição à qual ele pertence, o Supremo Tribunal Federal, apareceu menos vezes. Às vezes, nem apareceu.
Isso diz muito.
Hoje, no Brasil, a marca Alexandre de Moraes tem mais presença e mais lembrança do que a marca STF. Em qualquer roda de conversa — do cafezinho ao grupo de WhatsApp da família, passando por botecos e podcasts — o que se discute é o que Alexandre vai fazer. “Será que o Alexandre vai prender?”, “O Alexandre vai soltar?”, “E agora, o que o Alexandre vai decidir?”. Até Donald Trump cita Alexandre de Moraes.
Escrevo Alexandre, e não Xandão, por respeito ao STF. O fato de o apelido engraçadinho do ministro ser tão ou mais popular que seu nome é um outro viés do mesmo fenômeno.
De fato, o STF virou coadjuvante de uma toga. E a toga, que deveria ser símbolo da impessoalidade, autoridade e imparcialidade, passou a significar o oposto: vaidade, individualidade e militância.
E isso importa. Porque, em democracias saudáveis, o peso está nas instituições — não nas individualidades. A força de uma democracia se mede pela solidez do seu Judiciário, pela confiança nas cortes, e não pela fama ou pela popularidade de um nome – ou de um apelido no aumentativo, tão grande que já não cabe mais na toga em seu grau neutro.
Alexandre de Moraes é, sem dúvida, um dos protagonistas mais contundentes da cena institucional brasileira recente. O ponto aqui não é a pessoa, mas o fenômeno. Quando um magistrado é mais lembrado e mais citado que o tribunal a que serve, algo se desloca.
Não estamos analisando aqui um fenômeno isolado, mas uma tendência que se consolida há meses.
A toga vira alta costura. A Justiça, a magistratura e a população sofrem as consequências nefastas deste desgaste.
É urgente lembrar: Alexandre de Moraes passará. O Judiciário, para o bem de todos, ficará.



