Pelo menos dois episódios recentes revelaram o que pode ser um estilo do presidente eleito. Lançar um assunto publicamente, recolher opiniões e ir ajustando a pauta. O debate sobre a fusão de ministérios e estatuto do desarmamento pode ser lida de duas formas. Aparentemente, parece confusão, pelas idas e vindas. Mas uma leitura mais otimista indica que pode haver aí um caminho positivo.
Os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente têm sim, muitas vezes, funções diferentes e até conflitantes. O resultado desse encontro de forças, se bem gerido, gera um equilíbrio fundamental. Há muito que a preservação do planeta deixou de ser apenas um discurso ideológico e idealista. Mercados mais evoluídos exigem cuidados ambientais na produção de alimentos. Ecologia não é uma pauta de esquerda. É, também, uma necessidade econômica. Se a equipe de Bolsonaro compreender que existe vida inteligente entre o oito e o oitenta, será um avanço.
Já o Estatuto de Desarmamento, uma das bandeiras de Bolsonaro, é um tema delicado. O então candidato já havia afirmado, durante a campanha, que sua defesa das armas se restringia ao âmbito doméstico, e não ao porte liberado nas ruas. Prudentemente, a discussão ficou para o ano que vem.
Há também as trapalhadas e as batidas de cabeça, como no caso da reforma da Previdência, tema onde parece haver mais opiniões do que integrantes na equipe.
Mas a disponibilidade para ouvir e ponderar pode ser um sinal positivo. Começa a surgir o presidente. Tomara que ele tenha aprendido com os acertos e os erros do candidato.



