
O Apple TV lança na quarta-feira (9) os dois primeiros episódios de Desaparecida (Last Seen, 2026), minissérie australiana de suspense que é estrelada por Patrick Brammall, protagonista da série Glitch (2015-2019) e coadjuvante do filme O Diabo Veste Prada 2 (2026). Os outros quatro capítulos vão sair um por semana, até o dia 7 de outubro.
Trata-se da adaptação de um livro inédito no Brasil, The Dispatcher (2011), escrito por Ryan David Jahn. A série foi desenvolvida por Kris Mrska, criador do seriado de terror Réquiem (2018), com a ação transposta do Texas, nos Estados Unidos, para Victoria, na Austrália. A direção é do alemão Christian Schwochow, do filme Munique: No Limite da Guerra (2021).
Na trama, Brammall interpreta o ex-detetive Ian Ridley, que desmoronou há 11 anos, quando sua filha pequena, Maggie, desapareceu sem deixar rastros. Nos dias de hoje, ele está divorciado, trabalha como um atendente da polícia e tenta se manter sóbrio.

Certa noite, Ian atende uma ligação de uma adolescente chamada Sarah (papel da estreante Chloe Jean Lourdes), filha do casal religioso Henry e Jenna Reid, personagens encarnados por Brendan Cowell (da minissérie Doze Jurados) e Maxine Peake (da minissérie Não Diga Nada). Algo naquela conversa lhe diz que Sarah pode ser Maggie, e então o protagonista empreende esforços para encontrá-la.
No final de agosto, a convite do Apple TV, Zero Hora participou de uma rodada de entrevistas com os atores Patrick Brammall, Brendan Cowell e Maxine Peake. Confira perguntas e respostas, mas atenção: pode haver spoilers na última declaração de Cowell.
Patrick, eu sei que você é pai. Como a história de Ian afetou você? E o que você tirou da sua vida pessoal para interpretar o personagem?
Patrick Brammall: Normalmente, eu não sou um ator que se apoia em coisas da minha vida pessoal, mas eu sou pai de duas meninas pequenas e, naquela época, a mais velha tinha três anos, indo para os quatro, e a mais nova tinha menos de um mês. Então, estava tudo bem ali, e eu seria louco de ignorar. Acho que usei esse poço emocional para acessar o personagem de um jeito que eu não teria conseguido se não fosse pai. Acho que eu teria conseguido interpretar o papel, mas ser pai me deu um atalho muito mais rápido para aquele terreno emocional. E isso ficou comigo durante toda a produção. Olhando pra trás, depois das gravações, eu pensei: nossa, que espaço mental estranho de habitar durante quatro meses. Tem uma alegria nisso também, porque sou ator e é isso que a gente faz, a gente experimenta ser outras pessoas, mas... é um terreno emocional estranho ao mesmo tempo.

Houve alguma cena que foi particularmente difícil de fazer do ponto de vista emocional?
Patrick Brammall: Houve algumas cenas assim. Tem uma cena no primeiro episódio em que eu entro no quarto e você vê o berço que eu guardei, do qual eu não consigo me desfazer, e aí eu me sento e olho uns papéis velhos, desenhos e lembranças. Foi muito emocionante de vivenciar, tomada após tomada, e a cada vez é uma experiência muito emocional. É difícil, mas também é uma grande alegria para um ator. Você quer mergulhar nessas grandes emoções. Houve também uma cena com Donnie (personagem de Daniel Henshall), na qual estou explicando para ele que, mesmo que eu consiga o resultado que quero, o estrago já está feito. Não existe final feliz aqui. Assistindo à cena depois, eu pensei: ah, acho que nunca me vi fazer isso antes.

Desaparecida é um tipo diferente de thriller. Descobrimos logo onde pode estar a filha do protagonista. O que a gente não sabe é se ela quer ser encontrada, certo?
Brendan Cowell: Essa é uma excelente pergunta. Quer dizer, eu tento não falar demais pelos outros atores ou pelos personagens deles. Eu só consigo mesmo falar pelo Henry. Mas acho que o que esse thriller faz muito bem é subverter o gênero ao colocar esse drama de trauma familiar por baixo. E, sim, acho que tem um pouco de Síndrome de Estocolmo acontecendo ali, no sentido de que ela ama a família dela conforme o vínculo que criou e aquilo a que está acostumada. E, sabe, meu personagem é o pai dela. Somos uma família porque nos comportamos como uma.
Que tipo de conversa vocês acham que a série abre em torno de temas como paternidade/maternidade, luto e culpa?
Maxine Peake: Acho que uma das questões é a de natureza versus criação. O que é o vínculo familiar? Como a gente se conecta? Laços de sangue são mais fortes do que qualquer outra coisa? Acho que vai mexer com as pessoas moralmente.
Brendan Cowell: Os seus segredos são a sua doença. Isso vai vir à tona e te destruir em algum momento. Você não pode enterrar coisas assim, e os sentimentos querem se mover pelos corpos, a dor quer se mover, a gente precisa deixar as coisas passarem por nós. Mas a maioria dos seres humanos não quer sentir dor nesse nível. Desaparecida é sobre o que acontece quando você não abre o coração para coisas como o luto e cria uma outra realidade. Sabe, a vida é sofrimento, e mais sofrimento vem de não reconhecer isso.
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