
Este filme requer a imersão proporcionada por uma sala de cinema, mas se você perdeu quando A Sombra do Meu Pai (My Father's Shadow, 2025) foi exibido na Cinemateca Paulo Amorim, fica a dica: o título escrito e dirigido por Akinola Davies Jr. e ambientado na Nigéria entrou recentemente no catálogo da MUBI.
Trata-se de um filmaço semiautobiográfico que valeu a Davies Jr. o prêmio Bafta de melhor estreia de diretor, roteirista ou produtor britânico, a menção especial da Caméra d'Or no Festival de Cannes e o troféu da crítica na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. No Gotham Awards, que abre o circuito de premiação nos Estados Unidos, venceu nas categorias de cineasta revelação e melhor ator (Sope Dirisu).
Na trama, dois meninos (interpretados pelos irmãos Chibuike Marvellous Egbo e Godwin Egbo) que vivem com a mãe na zona rural da Nigéria se reconectam com Folarin (o personagem de Dirisu), seu pai distante, que aparece repentinamente. Os três partem para a agitada cidade de Lagos (que era a capital até 1991), onde Folarin tenta receber um salário que lhe é devido.
É uma espécie de odisseia íntima através de um país conflagrado. Como bem resume o material de divulgação, o trajeto dos três pela cidade grande é a um só tempo um ensaio sobre a paternidade e a masculinidade e um passeio pela memória da Nigéria em meio à crise das eleições presidenciais de 1993, "um período de frágil esperança de transformação". O diretor consegue equilibrar a narrativa familiar com o retrato político, e suas cenas combinam lirismo visual com momentos de contundência.
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