
A minissérie mais premiada no Emmy, o principal troféu da TV e do streaming nos Estados Unidos, tem um nome que, aos olhos brasileiros, pode parecer estranho, hermético, quem sabe burocrático ou mesmo nada tentador. Mas as recompensas para quem assiste a DTF St. Louis (2026), na HBO Max, são muitas.
Não por acaso, a produção ganhou sete Emmys: melhor série limitada ou antologia, ator coadjuvante (David Harbour), atriz coadjuvante (Linda Cardellini), direção (Steve Conrad), roteiro (também assinado por Conrad), fotografia (James Whitaker) e edição (Kevin D. Ross e Max Koepke).
Qual é a trama de "DTF St. Louis"?

DTF St. Louis foi escrita e dirigida por Steve Conrad, roteirista das adaptações cinematográficas de A Vida Secreta de Walter Mitty, em 2013, e de Extraordinário, em 2017, e criador do seriado O Patriota (2015-2018). Com sete episódios, a minissérie da HBO Max é uma obra muito singular que subverte expectativas e nos convida a olhar pelo buraco da fechadura — ou, mais precisamente, por uma fresta do armário.
Quando começa, parece que vamos assistir a um mistério policial: dois detetives, Homer (Richard Jenkins), um homem velho e branco, e Jodie Plumb (Joy Sunday), uma mulher jovem e negra, juntam forças para investigar a morte ocorrida no vestiário de uma piscina pública de Twyla, um subúrbio fictício da cidade de St. Louis, no Missouri.
Aos poucos, em uma narrativa não linear que vai e volta no tempo, revisita cenários e revê momentos por outros ângulos, eles descobrem um triângulo amoroso entre três adultos: Floyd Smernitch (David Harbour), que trabalha como intérprete da língua de sinais americana; Carol (Linda Cardellini), sua esposa; e Clark Forrest (Jason Bateman, indicado também ao Emmy de melhor ator em minissérie por Black Rabbit), um famoso meteorologista da TV.

Homer e Plumb também descobrem que o crime está ligado a um aplicativo de encontros que dá nome à minissérie: DTF é a sigla de down to fuck, uma gíria em inglês para designar que uma pessoa está disposta a fazer sexo ou aberta a um encontro sexual casual. No Brasil, os tradutores foram craques: DTF virou o acrônimo de Disque Transa Fácil.
Todo o elenco cativa e realmente brilha — bem que Peter Sarsgaard também poderia ter sido indicado ao Emmy. À medida que a história avança (ou retrocede), percebemos que a premissa do assassinato é só um disfarce para um mergulho profundo, mas sensível na solidão masculina, na crise da meia-idade, no confronto entre expectativas e realidade, nas vicissitudes familiares e na sexualidade de todos nós. Misturando melancolia com um senso de humor peculiar, DTF St. Louis oferece um espelho que nos lembra: de perto, ninguém é normal.
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