
Minha Melhor Amiga (2026), que estreia nos cinemas nesta quinta-feira (3), reúne um time dos sonhos da comédia brasileira.
A diretora Susana Garcia é a mesma de Minha Mãe É uma Peça 3 (2019), maior bilheteria nacional do gênero, com 11,6 milhões de espectadores, e de Minha Vida em Marte (2018), que vendeu 5,3 milhões de ingressos. Também dirigiu Minha Irmã e Eu (2023), um dos títulos brasileiros mais vistos dos últimos anos.
Reunidas pela primeira vez em um filme, as protagonistas são Ingrid Guimarães, que estrelou a trilogia De Pernas pro Ar (2010, 2012 e 2013), Fala Sério, Mãe! (2017) e Minha Irmã e Eu, e Mônica Martelli, atriz de Os Homens São de Marte... e É pra Lá que Eu Vou (2014) e de Minha Vida em Marte.
Mas o que mais me pegou ao assistir a Minha Melhor Amiga não foram as piadas, mas os dramas das duas personagens principais.
Ingrid interpreta Clara, e Mônica faz o papel de Júlia. Ambas estão na casa dos 50 anos e são amigas há muito tempo – e o filme aproveita a amizade da vida real entre as duas atrizes para apresentar um querido álbum de fotos na sua abertura.

Ambas encaram frustrações – amorosas no caso de Clara, profissionais no caso de Júlia. A primeira, que é corretora de imóveis, vê o casamento com o músico Marcos (Gustavo Machado) ser subjugado pela rotina e pelo tédio – ela diz que não aguenta mais ouvir o marido fazendo blem-blem. A segunda, solteira e aparentemente sem mais fé no amor, vê uma repórter mais jovem assumir seu posto no trabalho.
Ambas também precisam lidar com a síndrome do ninho vazio. A filha adolescente de Clara, Isadora (a estreante Gabi Amaral), e a filha adolescente de Júlia, Manu (Giulia Benite, a Mônica de Laços, de Lições e da série de TV), partiram para um intercâmbio em Portugal.
Em crise e com saudade, as duas amigas acabam viajando para a Europa. Lá, rolam imprevistos, confusões, paqueras etc. Há cenas engraçadas por causa da improvisação ou por causa da intimidade sem filtros – jamais imaginei que veria neste filme uma piada sobre “jato de mijo”.
Por trás de perrengues e mal-entendidos que têm caráter cômico e que são previsíveis, corre um drama genuíno sobre autoconhecimento e redescoberta, sobre as vicissitudes do amor e da sexualidade, sobre sinceridade e cumplicidade entre amigas e entre mães e filhas.
São tocantes as cenas a sós entre Clara e Isadora e, principalmente, entre Júlia e Manu, por conta da carismática autenticidade de Giulia Benite. Em alguns momentos, Minha Melhor Amiga pode até deixar um travo amargo na boca do espectador por empregar o humor para falar sobre coisas sérias, como quando a personagem de Ingrid Guimarães define a sua relação com Marcos como a de um “casal PJ”: não são mais marido e esposa, mas sócios na criação dos filhos.
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