
Existem séries para relaxar e existem aquelas que viram um verdadeiro feitiço: você só queria ver um episódio antes de dormir, mas de repente já são quatro horas da manhã. E se o capítulo terminar com um gancho irresistível para o próximo, você vai clicar no play de novo.
Se o seu objetivo é se perder em universos viciantes e maratonar sem olhar para o relógio, você está no lugar certo. A lista a seguir reúne 25 séries sensacionais — e de diferentes gêneros. Tem drama histórico, comédia de escritório, policial procedural, ficção científica...
Todas estão disponíveis nas plataformas de streaming, e a ordem é apenas cronológica. Pegue a pipoca, escolha por onde começar a sua nova obsessão e clique nos links se quiser saber mais.
Talvez nem todas as séries terminem tão bem quanto começaram, mas o que vale é a jornada, né?
1) Seinfeld (1989-1998)

O seriado foi criado por Larry David e por Jerry Seinfeld, que interpreta uma versão fictícia de si mesmo: um comediante judeu e fã do Superman. Situado no Upper West Side de Manhattan, em Nova York, o apartamento do protagonista vive frequentado pelos amigos Cosmo Kramer (Michael Richards), que é o amalucado vizinho de porta, George Costanza (Jason Alexander), baixinho, gordinho, careca e deveras complexado, e Elaine Benes (Julia Louis-Dreyfus), que é a única que de fato trabalha. Também circulam por lá alguns parentes de Jerry, suas muitas namoradas e seu nêmesis, o carteiro Newman (Wayne Knight).
Por vezes genial na estrutura das histórias (vide o episódio do casamento na Índia, feito de trás para frente alguns anos antes do filme Amnésia, de Christopher Nolan), Seinfeld não se furtava de ir às raias do nonsense, nem de fazer citações à literatura, à ópera, ao cinema. Também era absolutamente politicamente incorreta. Não à toa, na sua despedida os personagens enfrentaram as consequências da falta de princípios éticos e morais. Se você nunca viu, recomendo começar pela quarta temporada, que tem sete episódios considerados clássicos: The Bubble Boy, The Contest, The Pick, The Outing, The Implant, The Junior Mint e The Handicap Spot. (Netflix, 9 temporadas, 180 episódios)
2) Família Soprano (1999-2007)

Foram 112 indicações a Emmy e 21 troféus conquistados, incluindo dois de melhor seriado dramático (2004 e 2007), três de melhor ator (James Gandolfini, em 2000, 2001 e 2003) e três de melhor atriz (Edie Falco, em 1999, 2001 e 2003). Pelo Sindicato dos Roteiristas dos Estados Unidos, a série criada por David Chase foi eleita a mais bem escrita de todos os tempos, à frente de clássicos como Além da Imaginação (1959-1964) e Seinfeld (1989-1998). Família Soprano desglamorizou a figura dos mafiosos, tornando-os muito mais humanos e medíocres.
Sua sequência de abertura já indicava um rumo diferente: deixamos a costumeira Nova York e pegamos a ponte para New Jersey. Lá, moravam Tony Soprano, sua esposa, Carmela, seus filhos, Meadow e A.J., e parentes que faziam jus à rima com serpente. Tony usava uma empresa de coleta de lixo como fachada para seus negócios sujos, geralmente fechados na boate brega Bada Bing. Grandalhão, seco e cruel quando necessário, Tony é ele próprio uma fachada: apenas para a psiquiatra, a Dra. Melfi (Lorraine Bracco), fala sobre suas crises de consciência e seus ataques de pânico. (HBO Max, 6 temporadas, 86 episódios)
3) Os Normais (2001-2003)

Aparentemente, Rui (personagem de Luiz Fernando Guimarães) e Vani (encarnada por Fernanda Torres) formam um típico casal de classe média, na faixa dos 30 anos, tido como "normal". Mas a dupla é cheia de manias, preconceitos, paranoias, superstições e falhas de caráter — o que, francamente, é normal, né?
O casal de roteiristas Fernanda Young (1970-2019) e Alexandre Machado criou tramas que exploram situações cotidianas, desde implicâncias bobas com os hábitos do parceiro a fofocas pouco edificantes. Os atores vestiram a camisa de seus personagens sem nenhum pudor, o que rende hilários diálogos improvisados e cenas que beiram a vergonha alheia, como bem apontou o repórter Carlos Redel no aniversário de 20 anos de Os Normais. Também quebram a quarta parede: se viram para a câmera e despejam conselhos estranhos, frases motivacionais e pensamentos bizarros, tornando o público cúmplice de suas maluquices. (Globoplay, 3 temporadas, 71 episódios)
4) A Escuta (2002-2008)

Com o título original de The Wire, a série criada por David Simon foi recentemente eleita a melhor série do século 21 segundo 206 críticos, acadêmicos e profissionais de TV ouvidos pela BBC. Ambientada em uma das cidades estatisticamente mais violentas do mundo (Baltimore, no Estado de Maryland, nos EUA), aborda o narcotráfico e sua relação com instituições locais: a polícia, a Justiça, os políticos, a imprensa, as escolas e o sistema portuário. Os policiais tentam fazer alguma coisa contra o crime organizado, sabendo, desde o começo, que as chances estão entre mínimas e nenhuma.
Entre os personagens marcantes, estão o detetive Jimmy McNulty (Dominic West), um investigador hábil mas dado a atos de insubordinação e cheio de problemas pessoais, e Omar Little (Michael Kenneth Williams), que é gay, não leva desaforo para casa e vive de roubar traficantes para vender os seus produtos. Bem novinho, Michael B. Jordan participa da primeira temporada. (HBO Max, 5 temporadas, 60 episódios)
5) Cold Case (2003-2010)

Cold Case é o que se chama de série procedural: cada episódio tem uma trama autoconclusiva, ou seja, você pode escolher quais e quantos assistir. Kathryn Morris interpreta a detetive Lilly Rush, especializada em investigar casos nunca resolvidos pela polícia da Filadélfia e inexorável no campo afetivo — só tem como companheiros um gato com três pernas e outro com apenas um olho, mas resiste ao interesse de um promotor. Cada história segue uma estrutura básica: a abertura mostra os momentos que antecedem um crime do passado, por vezes em preto e branco, e sempre com canções da época — as letras costumam pontuar a própria trama. No presente, os policiais se encarregam de reexaminar evidências, visitar antigas testemunhas e acertar as contas com os mortos, como se vê nos catárticos epílogos.
Com as doses de mistério, suspense e humor necessárias, Cold Case se distinguia dos programas do gênero por enfatizar a emoção. Talvez porque, além de ser criada por uma mulher, Meredith Stiem, e contar com uma protagonista feminina e uma mulher criadora, tenha recorrido a várias diretoras, como Holly Dale (nove episódios), Roxann Dawson (oito) e as cineastas Agnieszka Holland (quatro), Nicole Kassell (dois) e Rachel Talalay (um). E a roteirista Veena Sud escreveu uma das histórias mais marcantes, a 13º da primeira temporada, intitulada The Letter, que reabre o caso de uma mulher negra assassinada em 1939 depois que sua neta apareceu com cartas escritas pela vítima. (Amazon Prime Video e HBO Max, 7 temporadas, 156 episódios)
6) Lost (2004-2010)

Quando os olhos de Jack Shephard (interpretado por Matthew Fox) se abriram pela primeira vez, o público passou a experimentar uma nova forma de ver séries. Criado por J.J. Abrams, Jeffrey Lieber e Damon Lindelof, Lost é sobre os sobreviventes de um acidente de avião que se veem presos em uma ilha onde muita coisa esquisita acontece.
Houve investimento financeiro (só o primeiro episódio, com duas horas de duração, teve o custo recorde de US$ 10 milhões), ousadia narrativa (a trama se alternava entre o presente, o passado, o futuro e uma realidade paralela), desenvolvimento de personagens (graças a um elenco heterogêneo e ambíguo), a criação de um mundo próprio (rico em instituições fictícias, como Oceanic Airlines e a Dharma Initiative) e, claro, mistérios a mancheias (desde os números 4, 8, 15, 16, 23 e 42 até o monstro de fumaça). Foi o seriado certo na hora certa: coincidiu com a explosão da internet, portanto, a mitologia de Lost se disseminou em fóruns de fãs, comunidades no Orkut e blogs especializados. (Disney+, 6 temporadas, 121 episódios)
7) The Office (2005-2013)

Desenvolvida por Greg Daniels com base no homônimo seriado britânico de Ricky Gervais e Stephen Merchant, a versão estadunidense de The Office deixou como legado um dos maiores personagens das comédias: Michael Scott, o chefe sem noção encarnado por Steve Carell (seis vezes indicado ao Emmy). No escritório da fábrica de papel Dunder Mifflin, Michael sintetiza vários problemas do mundo corporativo, mas, ao fazer isso, acaba por lembrar como somos imperfeitos. Não raro, nossa reação a suas atitudes passa da vergonha alheia à mais sincera ternura.
Tanto melhor que ele está rodeado de outros tipos memoráveis, como o excêntrico Dwight (Rainn Wilson), o isentão Jim (John Krasinski), a insegura Pam (Jenna Fischer), a rígida Angela (Angela Kinsey), Stanley (Leslie David Baker), o rei da má vontade, e Toby (Paul Lieberstein), que, à frente do RH, é o alvo preferido do protagonista. (Amazon Prime Video, HBO Max e Netflix, 9 temporadas, 201 episódios)
8) Roma (2005-2008)

Filmada na Itália e com cada temporada orçada em US$ 100 milhões, a série criada por Bruno Heller, John Milius e William J. MacDonald mostra a história da formação do Império Romano pelos olhos de dois soldados, entre os anos 52 antes de Cristo e 30 a.C. O certinho e casado Lucius Vorenus (vivido por Kevin McKidd) e o brigão e mulherengo Titus Pullo (Ray Stevenson) são nossos guias nos conturbados últimos anos do governo de Júlio César (Ciarán Hinds). Os dois acabam conquistando a simpatia de César e se envolvem nas suas reuniões com Cleópatra (Lyndsey Marshal), Marco Antônio (James Purefoy), Brutus (o ótimo Tobias Menzies) e outras figuras notórias daquele período.
Embora mantenha a mania hollywoodiana de imprimir sotaque britânico a papéis de época, Roma evita uma série de lugares-comuns. Por exemplo: as ruas não são limpas e organizadas como se via no cinema de antigamente, mas fétidas e tumultuadas. E, ao contrário do que poderia imaginar o espectador de filmes como Calígula (1979) e Gladiador (2000), há bem menos violência e sexo — a força do seriado são suas intrigas políticas. Ao todo, ganhou sete prêmios Emmy — os principais foram os de direção de arte (nas duas temporadas) e fotografia (na segunda). (HBO Max, 2 temporadas e 22 episódios)
9) Mad Men (2007-2015)

Quatro vezes ganhadora do Emmy de melhor série dramática, a obra criada por Matthew Weiner tem início na Nova York de 1960, em meio à Era de Ouro da propaganda. O protagonista, o sedutor Don Draper (Jon Hamm), é um publicitário de sucesso na Madison Avenue, endereço das principais agências, que têm entre os clientes marcas famosas como Kodak, Hershey's, Jaguar e Hilton. Sua aparente boa vida esconde algum segredo do passado. O dia a dia no trabalho e na família de Draper — casado com a ex-modelo Betty (January Jones), mãe de seus três filhos — reflete os acontecimentos e as transformações sociais da época: a morte da atriz Marilyn Monroe, os assassinatos do presidente dos EUA John F. Kennedy e do ativista Martin Luther King Jr., a chegada do homem à Lua...
No cenário machista de Mad Men, destacam-se personagens femininas, como Peggy Olson (Elisabeth Moss), que quer ser a primeira redatora da empresa, e a gerente Joan Holloway (Christina Hendricks), que tem um caso com um dos donos da agência, Roger Sterling (John Slattery), desde que era sua secretária. (Disney+, 7 temporadas, 92 episódios)
10) Breaking Bad (2008-2012)

O título da série criada por Vince Gilligan — gíria equivalente a "chutar o balde" — faz referência à transformação de Walter White (interpretado por Bryan Cranston), um afável, brilhante, mas fracassado professor de química do Novo México ( EUA), no gênio do crime Heisenberg. Já frustrado em dar aulas para adolescentes enquanto lida com um filho sofrendo de paralisia cerebral, uma esposa grávida, dívidas intermináveis e um diagnóstico de câncer no pulmão, White resolve produzir metanfetamina de alta pureza com um ex- aluno, Jesse Pinkman (Aaron Paul).
Cada episódio começa com um uma cena do passado, do futuro ou mesmo do presente, e a história que segue se conecta a essa cena de formas, às vezes, bastante inesperadas. Se você sofrer de abstinência após terminar a série vencedora de 16 Emmys, o melhor é chamar Better Call Saul, derivada de Breaking Bad. (Netflix, 5 temporadas, 62 episódios)
11) Modern Family (2009-2020)

Pentacampeã no Emmy de melhor comédia, de 2010 a 2014, a série de Christopher Lloyd e Steven Levitan gira em torno de uma família que vive se metendo em apuros, geralmente porque os personagens não dizem o que pensam — se bem que alguns na verdade falam demais!
Jay (Ed O'Neill), o patriarca, casou-se com a colombiana sexy Gloria (Sofia Vergara), bem mais jovem do que ele e mãe de Manny (Rico Rodriguez), que tem gostos refinados e atitudes maduras demais para sua idade. Jay também é pai de Mitchell (Jesse Tyler Ferguson), que adota uma bebê vietnamita com o companheiro Cameron (Eric Stonestreet), e de Claire (Julie Bowen), casada com Phil Dunphy (Ty Burrell) e mãe de três filhos, Haley (Sarah Hyland), Alex (Ariel Winter) e Luke (Nolan Gould). Papel que valeu a Burrell dois Emmys e mais seis indicações, Phil é o típico pai descolado e um modelo quando o tema é educação infantil — na opinião dele. O filho deu tiros com uma arma de chumbinho na irmã? Atire nele de volta. (Disney+, 11 temporadas, 250 episódios)
12) Boardwalk Empire (2010-2014)

Criada por Terence Winter, um dos roteiristas de Família Soprano, e produzida pelo cineasta Martin Scorsese, que dirigiu o primeiro episódio, a série é ambientada nos anos 1920, tendo como principal cenário Atlantic City, cidade litorânea no Estado de New Jersey. Seu protagonista, Enoch "Nucky" Thompson, inspirado em uma figura real e magistralmente interpretado por Steve Buscemi, é um dublê de político e gângster. Está envolvido tanto na venda ilegal de uísque — eram os tempos da Lei Seca nos EUA — quanto na especulação imobiliária. Transita entre cadáveres, melindrosas, marginais, corruptos e personagens históricos como Al Capone (Stephen Graham), Arnold Rothstein (Michael Stuhlbarg) e Lucky Luciano (Vincent Piazza).
Com 20 Emmys conquistados, Boardwalk Empire: O Império do Contrabando deixou como legado uma coleção de personagens e atuações memoráveis: o ex-soldado James Darmody (Michael Pitt), a jovem viúva Margaret (Kelly Macdonald), o agente do FBI Nelson Van Alden (Michael Shannon), a dançarina Gillian (Gretchen Mol), o pistoleiro desfigurado Harrow (Jack Huston), o criminoso líder da comunidade negra Chalky White (Michael Kenneth Williams) e o violento mafioso Gyp Rosetti (Bobby Cannavale, prêmio de melhor ator coadjuvante). (HBO Max, 5 temporadas, 56 episódios)
13) Black Mirror (2011-)

Declaradamente inspirado em Além da Imaginação (The Twilight Zone, 1959-1964), a série criada por Charlie Brooker ganhou relevância ao explorar como as novas tecnologias potencializam anseios, crises, dilemas e vícios da sociedade contemporânea. Daí o espelho negro do título, referência às telas de smartphones, computadores e TVs, aparelhos que oferecem a seus usuários tanto prazer quanto desconforto. O roteirista britânico arquitetou cenários distópicos que refletiam medos e desejos e que apontavam para onde estávamos indo.
Entre as previsões concretizadas de Black Mirror, está a de Nosedive (2016), episódio coescrito por Rashida Jones e Michael Schur no qual as interações sociais são avaliadas no estilo Uber. A trama antecipou a cultura contemporânea da validação algorítmica, onde curtidas e avaliações em redes sociais ditam o status social, o acesso a serviços e oportunidades. Aliás, em 2018, o governo chinês começou a testar um sistema de "crédito social" em várias grandes cidades, punindo cidadãos que cometem infrações de etiqueta, como tocar música em trens, colar em provas, não comparecer a reservas de restaurantes ou se recusar a visitar parentes idosos. Já Striking Vipers (2019) antecipou um game adulto, o Viro Playspace, que possibilita aos usuários transar virtualmente — uma das experiências ofertadas se chama First Time Bi (Primeira Vez Bissexual), praticamente o que acontece com os personagens da trama. (Netflix, 7 temporadas até agora, 33 episódios e um filme interativo)
14) Game of Thrones (2011-2019)

David Benioff e D.B. Weiss se basearam nos romances escritos por George R.R. Martin para desenvolver uma saga que se passa em um mundo imaginário inspirado nas sociedades feudais da Europa medieval e dividido em sete reinos. Criaturas fantásticas, como dragões e os Caminhantes Brancos, habitam Westeros, onde as estações do ano não são regulares — depois de um verão que durou nove anos, Game of Thrones começa com um ameaçador inverno à espreita. Nesse pano de fundo, transcorrem traições, batalhas e crimes que podem vitimar qualquer personagem, não importa o quão fundamental seja seu papel para a trama ganhadora de 59 Emmys.
O primeiro episódio é um cartão de visitas do que aguarda o espectador: tem decapitação, intrigas palacianas, casamento forçado, outra decapitação, tentativa de infanticídio e incesto. Nesse cenário, destacam-se pelo menos três famílias. Os Stark comandam Winterfell, no Norte, e serão arrastados para a tragédia e o sofrimento a partir da nomeação de Lorde Ned (Sean Bean) para Mão do Rei (uma espécie de primeiro-ministro) em Porto Real, a capital. Os Lannister são seus rivais: o poderoso Tywin (Charles Dance) e seus filhos, Cersei (Lena Headey), esposa do monarca, Jaime (Nikolaj Coster-Waldau), espadachim membro da Guarda Real, e o anão Tyrion (Peter Dinklage), rejeitado pelo pai, apegado a prostitutas e gênio da política. Do outro lado do mar, há Viserys (Harry Lloyd) e sua irmã Daenerys (Emilia Clarke), os últimos descendentes da dinastia Targaryen, que tramam uma volta a Westeros. (HBO Max, 8 temporadas, 73 episódios)
15) Homeland (2011-2020)

Trata-se da adaptação, para o contexto dos Estados Unidos pós-11 de Setembro, de uma série israelense, Prisioneiros de Guerra (Hatufim, 2009-2012), criada por Gideon Raff. Homeland foi desenvolvida por Alex Gansa e Howard Gordon e ganhou oito Emmys. Tudo começa com uma sequência tensa pelas ruas de Bagdá, capital do Iraque. Uma agente da CIA, Carrie Mathison (Claire Danes), tenta encontrar seu informante, que pode ter uma informação crucial sobre um iminente ataque terrorista aos EUA. Dez meses depois, Claire tem como alvo principal o misterioso Abu Nazir (Navid Negahban). Enquanto isso, descobre-se que um fuzileiro naval desaparecido havia oito anos ainda está vivo: libertado do cativeiro, o sargento Nicholas Brody (Damian Lewis) retorna para casa como herói de guerra.
Não é spoiler o que vem a seguir: todo mundo mente o tempo todo em Homeland. Brody não é o santinho que pintam. Ele inclusive se converteu ao islamismo durante o período em que era prisioneiro. Embora alheia a essa conversão religiosa, Carrie suspeita que Brody seja um agente duplo. Ao mesmo passo em que tenta convencer o chefe da divisão de Oriente Médio da CIA, Saul Berenson (Mandy Patinkin), a permitir a vigilância do fuzileiro naval, a agente omite seu problema de saúde mental: transtorno bipolar, o que afeta sua vida pessoal e profissional. E a esposa do sargento, Jessica (a carioca Morena Baccarin), não foi santa na sua suposta viuvez: na hora em que ele telefona para dizer que está vivo, ela estava transando com outro militar, Mike Faber (Diego Klattenhoff), justamente o melhor amigo do marido. (Netflix, 8 temporadas, 96 episódios)
16) The Newsroom (2012-2014)

Uma das marcas registradas das obras escritas por Aaron Sorkin são os diálogos absurdamente velozes, reflexo da própria personalidade do roteirista. A metralhadora verbal é uma das armas de The Newsroom, que retrata com muito realismo e paixão as delícias, as dores e os dilemas do jornalismo. A série acompanha o dia a dia de uma emissora de TV lidando com episódios reais do noticiário recente (como o caso WikiLeaks ou o atentado à maratona de Boston) e com as mudanças na profissão, como aquelas provocadas pela revolução digital.
Jeff Daniels interpreta o âncora republicano, Will McAvoy. Emily Mortimer é a produtora MacKenzie McHale. Alison Pill encarna Maggie Jordan, que começa como estagiária. Dev Patel faz o papel do repórter Neal Sampat. Olivia Munn é Sloan Sabbith, a analista financeira do News Night, e Sam Waterston, Charlie Skinner, presidente da divisão de notícias da emissora comandada por Leona Lansing (Jane Fonda). (HBO Max, 3 temporadas, 25 episódios)
17) House of Cards (2013-2018)

Na série criada por Beau Willimon a partir de livro de Michael Dobbs, Kevin Spacey interpreta Frank Underwood, ambicioso político que, para chegar à Casa Branca, é capaz de mentir, manipular, corromper e até matar. No entanto, House of Cards transforma o espectador em cúmplice de Underwood, que fala diretamente para a câmera em alguns momentos.
Sua esposa, Claire (Robin Wright), também não é flor que se cheire. Na verdade, ninguém é mocinho nessa história, desde o congressista alcóolatra Peter Russo (Corey Stoll) à repórter ambiciosa Zoe Barnes (Kate Mara), passando pelo chefe de gabinete Doug Stamper (Michael Kelly). A série ganhou sete Emmys. (Netflix, 6 temporadas, 73 episódios)
18) The Crown (2016-2023)

O rei George VI (Jared Harris) sofre com uma tosse constante, que o faz cuspir sangue. É a véspera do casamento, em 1947, da princesa Elizabeth (Claire Foy) com Philip Mountbatten (Matt Smith) — reprovado por grande parte da família real, mas que acaba sendo aceito pela insistência e a diplomacia da jovem. Os dois se casam e, juntos, divertem-se e fazem planos, que são interrompidos pela morte precoce do rei. Cabe, então, à tímida Elizabeth assumir a coroa. Aos 25 anos.
Criada por Peter Morgan (roteirista do filme A Rainha, de 2006), a suntuosa The Crown cobre as rivalidades políticas, os dramas pessoais, os romances e as fofocas que envolvem a família real britânica. Depois de Claire Foy, que viveu a personagem de 1947 a 1964, a monarca foi interpretada por Olivia Colman na terceira (que corresponde ao período de 1964 a 1977) e na quarta temporada da série (1979 até a década de 1990), e Imelda Staunton assume a personagem no quinto. A produção ganhou 24 Emmys. (Netflix, 6 temporadas, 60 episódios)
19) Succession (2018-2023)

Embora desprovida daquilo que conhecemos como cenas de ação, a série criada por Jesse Armstrong tem personagens que estão sempre andando na corda bamba e sempre esgrimindo com diálogos afiados. Não à toa, ganhou três vezes o Emmy de melhor série dramática e quatro vezes a categoria de melhor roteiro (no total, somou 19 troféus na premiação). Trata-se de um retrato impiedoso e sarcástico, mas com espaço para o afeto, da família de Logan Roy (Brian Cox), dono do quinto maior conglomerado de mídia e entretenimento — a Waystar Royco comanda jornais, canais de TV, sites, estúdios de cinema, cruzeiros, parques temáticos etc. Como o título indica, a sucessão na empresa deflagra os atritos, as mancadas e as puxadas de tapete neste "ninho de serpentes", a definição dada pelo tio Ewan.
Estamos diante de uma fauna com traços shakespearianos — aliás, a peça Rei Lear é uma inspiração assumida. Há o empresário tirano, o primogênito que parece o bobo da corte por conta das asneiras ditas, o filho covarde que finge ser corajoso, o genro que procura ser querido por todos mas que sabe ser abusivo, o primo pobre que quer ascender, a filha que procurou trilhar outro caminho... Ao acompanhar a movimentação desses tipos, Succession consegue mexer com sentimentos conflitantes que podemos ter em relação aos super-ricos: raiva, inveja ou um certo alívio por não estarmos em seu lugar. (HBO Max, 4 temporadas, 39 episódios)
20) Industry (2020-)

Acompanha um grupo de jovens recém-formados que trabalham em um dos maiores bancos de investimento de Londres, o fictício Pierpoint & Co. Na trama, Harper (Myha’la Herrold), Yasmin (Marisa Abela), Robert (Harry Lawtey) e Gus (David Jonsson) competem para serem contratados pela corporação, revelando ambições, inseguranças e segredos. À medida que enfrentam dilemas éticos e crises pessoais, eles descobrem o preço da busca pelo sucesso.
Criada pelos ex-profissionais do mercado financeiro Mickey Down e Konrad Kay, Industry faz um retrato visceral e realista do cenário retratado — aliás, quem não tem familiaridade com o assunto pode ficar boiando durante tensas negociações, porque os roteiristas, em nome da verossimilhança, não fazem seus personagens explicarem seu beabá. A série mostra como a pressão, o assédio (moral ou sexual) e o esgotamento são intrínsecos a uma cultura de excessos — no álcool, nas drogas, no sexo. Harper, Yasmin, Robert e Gus são anti-heróis com moral ambígua: ora vamos torcer por eles, ora vamos querer que se ralem, ora vamos ter pena, ora vamos sentir vergonha alheia. As dinâmicas de poder, de classe, de raça e de gênero são temas constantes, e ao longo das temporadas o seriado abriu seu escopo, abordando também, entre outros assuntos, a política da sustentabilidade, o uso da máquina pública pela iniciativa privada e a lavagem de dinheiro por grandes empresas. (HBO Max, 4 temporadas até agora, 32 episódios)
21) Hacks (2021-2026)

No papel, é uma série de comédia, gênero pelo qual 12 prêmios Emmy, incluindo quatro de melhor atriz para Jean Smart. Mas o que sobressai é a parte amarga. E é isso o que torna mais saborosa a história criada por Lucia Aniello, Paul W. Downs e Jen Statsky.
Interpretado pelo próprio Downs, o sarcástico agente de talentos Jimmy resolve juntar a fome com a vontade de comer. De um lado, ele tem Deborah Vance (Jean Smart), uma veterana comediante que ainda faz dinheiro — graças a muitas ações de marketing, algumas delas constrangedoras —, mas que está correndo o risco de perder seu palco cativo no fictício hotel e cassino Palmetto. Do outro, uma roteirista de 25 anos: Ava Daniels (Hannah Eibinder) que também já viveu dias melhores, mas agora enfrenta um cancelamento em Hollywood, consequência de chistes no Twitter sobre o filho gay de um senador. Deborah e Ava vão viver uma situação típica das sitcoms, a dos estranhos que precisam aprender aos trancos e barracos a conviver um com o outro. Mas Hacks não faz as típicas concessões. Na verdade, a série é bastante crítica e mordaz quanto ao mundo da comédia e o tratamento dado às mulheres na indústria do entretenimento. (HBO Max, 5 temporadas, 47 episódios)
22) The White Lotus (2021-)

A série criada por Mike White consegue conjugar de modo brilhante comédia cáustica, dramas empáticos, mistério policial e crítica social — o alvo na primeira temporada, ambientada em um resort de luxo no Havaí, é o privilégio branco, a elite que jamais cede seu lugar ou estende a mão sem querer nada em troca. Na segunda temporada, que se passa na Sicília, White agregou pautas como casamento, sexo, competição masculina, traição e autoengano. A terceira teve como cenário a Tailândia e provocou em muitos espectadores a sensação de que "não acontece nada", mas essa sensação casava bem com um dos temas abordados: o conflito entre corpo e espírito que pode nos paralisar.
The White Lotus faturou 10 Emmys com a temporada de estreia, incluindo melhor minissérie, diretor, roteiro, ator coadjuvante (Murray Bartlett) e atriz coadjuvante (Jennifer Coolidge), e mais cinco com a segunda temporada, que valeu a Coolidge mais uma vitória. (HBO Max, 3 temporadas até agora, 22 episódios)
23) Machos Alfa (2022-)

A série espanhola criada e dirigida pelos irmãos Alberto Caballero e Laura Caballero tira sarro da masculinidade frágil e da masculinidade tóxica, que não raro se combinam. A história começa em uma aula de um curso de desconstrução do machismo. Os personagens principais são quatro amigos quarentões: Santi (Gorka Otxoa), o pai divorciado de uma adolescente; Luís (Fele Martínez), policial metropolitano que tem dois filhos pequenos e vive em crise com a esposa por causa da falta de sexo; Pedro (Fernando Gil), um alto executivo de uma emissora de TV demitido por causa de um programa com cunho machista e namorado de uma influenciadora digital; e Raúl (Raúl Tejón), um sócio de restaurante que é infiel, hipócrita e inseguro no namoro com uma advogada.
Machos Alfa equilibra o humor escrachado com a crítica social ao patriarcado e a sua coleção de preconceitos (às vezes praticados por quem mais se acha "cabeça aberta"), não descuida das personagens femininas e evita o conto de fadas: alguns homens vão realmente aprender a lidar com a transformação da sociedade e das relações de gênero, outros vão querer continuar aferrados a seus privilégios. Ah, vale avisar que tem cenas calientes — definitivamente, não dá para ver com as crianças! (Netflix, 5 temporadas até agora, 42 episódios)
24) Slow Horses (2022-)

Baseada nos romances de espionagem publicados por Mick Herron, Slow Horses gira em torno de Jackson Lamb, personagem encarnado pelo excelente Gary Oldman. Trata-se de um sujeito que está sempre bêbado ou de ressaca e que transforma em um arsenal sua experiência como agente secreto, sua malícia com as palavras e até sua flatulência. Ele comanda o departamento para onde são escanteados os funcionários do MI5 (o serviço de inteligência britânico) que cometem uma barbeiragem.
Entre eles, está River Cartwright (Jack Lowden), neto de um aposentado astro do MI5 (papel de Jonathan Pryce). Na primeira temporada, a turma inclui Catherine Standish (Saskia Reeves), secretária de Lamb e uma alcoolista em recuperação; Min Harper (Dustin Demri-Burns), que esqueceu um arquivo ultrassecreto no metrô; Roddy Ho (Christopher Chung), um ex-hacker bastante arrogante; Louisa Guy (Rosalind Eleazar), cuja missão anterior terminou mal; Struan Loy (Paul Higgins), que enviou um e-mail inapropriado de trabalho; e Sid Baker (Olivia Cooke), evidentemente a mais competente — ninguém sabe como foi parar em Slough House. (Apple TV, 5 temporadas até agora, 30 episódios; a sexta estreia em 16/9)
25) The Pitt (2025-)

Vencedor do Emmy do ano passado nas categorias de melhor seriado de drama, ator (com Noah Wyle) e atriz coadjuvante (Katherine LaNasa), mistura dois clássicos da TV. Por um lado, remete a Plantão Médico (1994-2009). Além de ser ambientada na emergência de um hospital, traz no elenco um ator daquele seriado, Noah Wyle, e foi criada por um de seus produtores e roteiristas, R. Scott Gemmill. Por outro, alude a 24 Horas (2001-2010/2014), por causa do formato: os 15 episódios de cada temporada de The Pitt cobrem em tempo real 15 horas da tensa rotina de um pronto-socorro em Pittsburgh.
Lá, um grupo de estudantes de Medicina dá seus primeiros passos na profissão, acompanhados de perto pelo personagem de Wyle, o doutor Michael Robinavitch. A ação começa às 7h do dia em que se completam quatro anos da morte do mentor de Robby, o doutor Adamson, por causa da pandemia de covid-19. Aliás, uma das inspirações para a série foi o profundo impacto físico e emocional do coronavírus nos profissionais de saúde. (HBO Max, 2 temporadas até agora, 30 episódios)
Bônus: For All Mankind (2019-)

Entra na lista como uma espécie de lembrete para mim mesmo, ou até uma intimada. Afinal, estou sempre me prometendo assistir à série de ficção científica especulativa criada por Ronald D. Moore, Matt Wolpert e Ben Nedivi que parte de uma premissa irresistível: e se a União Soviética tivesse pousado na Lua antes dos Estados Unidos, em 1969?
Esse pequeno detalhe histórico muda radicalmente os rumos da Guerra Fria, prolongando a Corrida Espacial e transformando-a em uma obsessão tecnológica contínua que avança pelas décadas seguintes. Mais do que foguetes e engenharia espacial, o ponto alto da série são os dilemas humanos, políticos e sociais de astronautas e engenheiros que sacrificam a própria sanidade e a vida familiar em nome da exploração do desconhecido. O elenco inclui Joel Kinnaman, Michael Dorman e Wrenn Schmidt. (Apple TV+, 5 temporadas até agora, 50 episódios)
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