
Wagner Moura comeu o pão que o diabo amassou para fazer o filme hollywoodiano de terror A Última Casa (The Last House, 2026), que estreia nesta sexta-feira (7) na Netflix. O ator baiano disse que, do ponto de vista físico, foi uma das coisas mais exigentes que fez na vida, porque ele aparece em 97% das cenas (ou seja, não teve folga durante as filmagens) e porque há sequências claustrofóbicas e debaixo d'água. Mas não é só o corpo do seu personagem que é posto à prova: o sofrimento também é psicológico.
A Última Casa foi escrito por Matthew Robinson, roteirista de Amor e Monstros (2020) e de Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra (2025). A direção é do francês Louis Leterrier, o mesmo do primeiro filme Truque de Mestre (2013) e de Velozes & Furiosos 10 (2023).
Este é mais um filme apocalíptico da Netflix, que a cada ano apresenta novas formas de ver o fim do mundo. Essa tradição começou com Bird Box, em 2018, e foi consolidada com títulos como O Céu da Meia-Noite (2020), Não Olhe para Cima (2021), Ruído Branco (2022) e O Mundo Depois de Nós (2023).
A trama se passa quase toda dentro casa onde mora uma família de quatro pessoas, os Delgados. No seu primeiro papel depois de O Agente Secreto (2025), que valeu a ele o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes, o Globo de Ouro e uma indicação ao Oscar, Wagner Moura interpreta o pai, Jason. A mãe, Ann, é encarnada por Greta Lee, atriz do drama romântico Vidas Passadas (2023) e concorrente ao Emmy de coadjuvante pela série The Morning Show, em 2024. Os filhos se chamam Graham, um guri de 12 anos, e Ruth, uma menina de oito. O elenco está entrosado, o que contribui para nossa identificação com os dramas dos personagens.

Quando o filme começa, parece um dia normal na vida da família. Até que uma tempestade muda tudo. A partir daí, os Delgados se veem presos dentro do próprio lar, que pouco a pouco vira um ambiente hostil. Eles não conseguem mais sair e, com mantimentos escassos, vão precisar trabalhar em conjunto e com criatividade para sobreviver. Enquanto lidam com o medo, o isolamento, a falta de comida e de eletricidade, os personagens tentam entender o que, de fato, está acontecendo.
Obviamente, não vou revelar o que está acontecendo. Mas posso dizer que essa situação de confinamento faz lembrar da pandemia de covid-19. E a ameaça lá fora também se presta para metáforas sobre tragédias climáticas, cenários de guerra e um estado de pânico por causa da violência urbana.

Como disse o diretor Louis Leterrier, a primeira metade do filme trata da sobrevivência física, e na segunda metade os personagens também tem de lutar pela sobrevivência psicológica. A cada dia que passa, a família sente os efeitos da solidão, da fome, do estresse e da falta de sol e de ar puro. A cada instante, se avizinham medidas drásticas diante da dificuldade de lidar com aquilo que não pode ser controlado, enquanto os Delgados expõem inseguranças, ressentimentos, angústias e fissuras.
A casa tem um papel de protagonista. A equipe de produção construiu uma residência totalmente funcional e capaz de suportar a presença diária do elenco e da equipe técnica e de sustentar com segurança o peso das intempéries artificiais. As cenas foram filmadas em ordem cronológica, para que a deterioração psicológica dos personagens se refletisse na deterioração física do cenário.
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