
Supergirl (2026) foi um superfracasso financeiro. Com orçamento estimado em US$ 170 milhões e gastos em marketing na casa dos US$ 120 milhões, o filme arrecadou somente US$ 125,9 milhões nas bilheterias. Ou seja, a Warner Bros., dona do DC Studios, teve um senhor prejuízo e pode repensar o futuro das aventuras de super-herói.
No fim de semana de estreia nos Estados Unidos, no final de junho, Supergirl faturou US$ 37 milhões, menos do que recentes bombas do gênero, como Morbius (US$ 39 milhões nos seus primeiros dias de exibição, em abril de 2022) e As Marvels (US$ 47 milhões, em novembro de 2023). O filme sofreu uma queda gigantesca de público — cerca de 75% — em seu segundo fim de semana, refletindo o péssimo boca a boca.
Para tentar recuperar custos rapidamente, a Warner antecipou o lançamento de Supergirl para aluguel e compra. Nos EUA, o filme chegou às plataformas digitais em 28 de junho, apenas um mês depois da estreia nos cinemas. No Brasil, está disponível a partir deste domingo (9). Mais adiante, entre o final de agosto e a primeira quinzena de setembro, deve ser adicionado ao menu da HBO Max.
Qual é a trama de "Supergirl"?

Eu queria muito que Supergirl (2026) fosse um filme bacana, para calar a boca do macharedo que reclamou da escalação da atriz australiana Milly Alcock — a Rhaenyra Targaryen na primeira temporada da série A Casa do Dragão (2022) — por causa da aparência física dela e que ficou mais pistola ainda quando Alcock, 26 anos, rebateu os ataques, apontando que o escrutínio constante sofrido por atrizes de grandes produções de Hollywood é sintomático de como a sociedade se sente confortável em julgar os corpos femininos.
E eu realmente achava que Supergirl poderia ser divertido e interessante, porque o diretor Craig Gillespie é o mesmo dos filmes Eu, Tonya (2017) e Cruella (2021) e dos episódios iniciais das séries Pam & Tommy (2022) e Seus Amigos e Vizinhos (2025-).
Mas infelizmente Supergirl é um desastre. A única coisa que se salva é justamente a atuação de Milly Alcock no papel de Kara Zor-El, uma prima do Superman (personagem de David Corenswet, que participa da nova aventura) que também sobreviveu à destruição do planeta Krypton.
O roteiro do filme foi escrito por Ana Nogueira, uma estadunidense filha de pai brasileiro. Ela se baseou na história em quadrinhos Supergirl: Mulher do Amanhã (2021), assinada por Tom King e dois artistas do Brasil: a desenhista Bilquis Evely e o colorista Matheus Lopes. Dá para dizer que Nogueira também se inspirou no clássico faroeste Bravura Indômita (1969), na saga pós-apocalípitca Mad Max (1979-2024) e na série da franquia Star Wars The Mandalorian (2019-2023).
Na trama, Kara é uma típica hedonista: vive na farra para fugir do seu trauma. Afoga na bebida a raiva e o luto pela morte de seus pais e de todo o seu mundo. Quando o filme começa, ela está viajando pelos bares do universo na companhia do seu cachorro bagunceiro, o Krypto, para comemorar o aniversário de 23 anos.

Em um dos planetas visitados, Supergirl conhece uma adolescente que também ficou órfã, Ruthye Marye Knoll (interpretada por Eve Ridley), que quer se vingar do bandoleiro chamado Krem dos Montes Amarelos (o belga Matthias Schoenaerts, de Ferrugem e Osso e The Old Guard), o assassino dos seus pais e do seu irmão.
A partir daí, Supergirl vira um genérico das aventuras de super-herói, um filme sem criatividade, sem graça, sem peso dramático e sem nenhuma cena de ação digna de nota.

Assinada por Rob Hardy, a fotografia pesa muito contra o filme. Supergirl é escuro demais, talvez para poder esconder melhor as falhas nas imagens geradas por computador, e isso acaba prejudicando as atuações, porque a escuridão esconde também as expressões dos atores. A edição de Fred Raskin e Tatiana S. Riegel (que concorreu ao Oscar por Eu, Tonya), por sua vez, deixa as sequências de ação sem ritmo e bastante confusas.
A música composta por Claudia Sarne não é nada marcante, embora seja onipresente, e a única canção de que vamos lembrar é a versão em inglês de Garota de Ipanema.

Os personagens são absolutamente desinteressantes, a começar pelo vilão encarnado por Schoenaerts, que não sabe se faz de Krem um facínora ou um bobão. Nem o carismático Jason Momoa consegue se destacar na pele de Lobo, um caçador de recompensas bruto e irreverente.
Por fim, Supergirl até abre mão de um charme dos filmes de super-herói: não tem cena pós-créditos. Não valia a pena mesmo: o filme é tão ruim que, quando termina, a gente quer desligar logo para esquecer rapidinho que viu.
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