
O 54º Festival de Cinema de Gramado, que será realizado de 14 a 22 de agosto, marca o retorno do Serrazul Hotel à operação do evento. O estabelecimento será o QG para artistas, jornalistas, produtores de conteúdo e a organização.
No hotel situado no número 152 da Rua Garibaldi, a menos de 200 metros do Palácio dos Festivais, estarão localizadas a secretaria, a equipe de credenciamento e a sala de entrevistas coletivas e debates. Também haverá um espaço para sessões especiais e reprises das mostras competitivas. É lá que, por exemplo, haverá a exibição do documentário Grenal: O Maior Clássico das Américas, de Belisário Franca e Tatiana Sager.
Inaugurado em 11 de dezembro de 1972 como Serra Azul (o novo nome foi adotado em 2018), o hotel logo se tornou um ponto de referência e apoio para o Festival de Gramado, que deu início a sua trajetória em 10 de janeiro de 1973. Nas primeiras 27 edições do evento, o estabelecimento hospedou artistas e foi palco de animados encontros.
Hotel cresceu com o festival
No início dos anos 1970, Gramado ainda era uma pequena cidade de veraneio, com pouca estrutura para receber artistas, produtores, jornalistas e convidados. O Hotel Serrazul nasceu nesse momento de virada, quando as mostras de cinema da Festa das Hortênsias começavam a indicar que o município poderia abrigar algo maior.
O festival logo deixou de ser uma mostra regional voltada ao audiovisual gaúcho e ganhou projeção nacional. O hotel acompanhou esse crescimento. Por mais de 25 anos, apoiou e patrocinou o evento, teve nome e logotipo em materiais de divulgação e chegou a aparecer na fachada do Palácio dos Festivais.
Piscina, festas e estrelas
Nos primeiros anos, quando o festival ainda ocorria no verão, o Serrazul também era ponto de encontro fora das sessões. Entre 1974 e 1996, manteve um espaço de lazer na Praça do Moinho, onde hoje fica a Aldeia do Papai Noel, com piscinas, quadra de tênis, discoteca, bar e restaurante.
Por ali circularam celebridades e curiosos. As festas de encerramento também ajudaram a fixar o hotel na memória afetiva do festival. Em 1988, veio um símbolo dessa trajetória: depois de receber estrelas do cinema por mais de uma década, o Serrazul conquistou oficialmente as suas, tornando-se o segundo hotel cinco estrelas do Rio Grande do Sul e o primeiro da serra gaúcha, em classificação da Embratur.
História contada nas paredes
Entre os itens preservados pelo hotel, está um Kikito de 1986, produzido manualmente pelo artesão gramadense Xixo e entregue ao Serrazul como reconhecimento pelo apoio ao festival.
A memória também aparece no corredor que leva à sala de jogos, onde estão reunidos cartazes de todas as edições do Festival de Cinema de Gramado, da primeira, em 1973, às mais recentes. A parede funciona como uma linha do tempo: mostra a mudança do festival, da cidade e de um hotel que segue perto dos bastidores.
Em 2026, com ações de acervo, espaços para fotos e ambientes renovados, o Serrazul volta a ser um dos lugares onde o Festival de Cinema Gramado acontece antes e depois da tela.
*Produção: João Vítor Debiasi
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