
A Netflix adicionou na sexta-feira (7) ao seu menu Super 8 (2011), filme do diretor e roteirista J.J. Abrams — um dos três criadores da série Lost (2004-2010) — que celebra o cineasta Steven Spielberg.
Abrams, 60 anos, é fanático por Spielberg, 79. Na adolescência, em 1981, ele teve a oportunidade de conhecer o ídolo pessoalmente. Depois de se destacarem em um festival de curtas-metragens amadores realizado em Los Angeles, J.J. e o amigo Matt Reeves — futuro diretor de Cloverfield: Monstro (2008) e Batman (2022) — foram convidados a restaurar dois filmes no formato 8 milímetros (Firelight e Escape to Nowhere) rodados quando o cineasta era jovem.

Anos mais tarde, Spielberg tornou-se uma espécie de mentor e de padrinho, dando palpites em Missão: Impossível 3 (2006) e intervindo na agenda do astro da franquia, Tom Cruise, aconselhando Abrams a aceitar o cargo de diretor em Star Trek (2009) e indicando o seu nome para o comando de Star Wars: O Despertar da Força (2015).
A admiração mútua rendeu uma única parceria, justamente Super 8, no qual Spielberg assina como produtor executivo. O elenco reúne Kyle Chandler, que no mesmo ano de 2011 recebeu o prêmio Emmy de melhor ator em série dramática, por Friday Night Lights, e talentos infantojuvenis, como Elle Fanning, Gabriel Basso e Joel Courtney.
A trama se passa em 1979. Nas férias de verão, um grupo de pré-adolescentes se reúne com uma câmera super 8 na mão para produzir um filme de zumbis. Enquanto gravam uma das cenas na estação ferroviária, eles acabam registrando um bizarro acidente de trem que vai mudar a vida na pequena e até então pacata cidade no interior de Ohio em que vivem.
As referências a Steven Spielberg começam, claro, por E.T.: O Extraterrestre (1982): temos uma superaventura protagonizada por um bando de guris de bicicleta e uma menina loira e, como acontece também em Império do Sol (1987), temos um drama em que a inocência infantil é posta à prova pelos acontecimentos (muitas vezes, inexplicáveis) ao seu redor. De Contatos Imediatos de Terceiro Grau (1977), Abrams importou, por exemplo, as panes na energia elétrica, e o compositor Michael Giacchino buscou inspiração na trilha sonora de John Williams.
Há a figura do pai ausente que tenta salvar o mundo antes de perceber que é dentro de casa a sua principal missão, e marcas de Tubarão (1975) e de Jurassic Park (1993) também são nítidas. Mas Super 8 não se prende à filmografia spielberguiana: também ecoa Os Goonies (1985), de Richard Donner, e Conta Comigo (1986), de Rob Reiner, e o seriado Dawson's Creek (1998-2003) — vale lembrar que um dos personagens principais sonhava em ser cineasta e idolatrava Spielberg.
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