
Ainda em cartaz na Sala Eduardo Hirtz, nas sessões das 15h, Uma Infância Alemã (Amrum, 2025) já está disponível para aluguel em Amazon Prime Video e Google Play. No dia 21, entra no menu da Reserva Imovision. Trata-se do mais recente filme de Fatih Akin, um dos principais diretores do cinema contemporâneo da Alemanha.
Filho de imigrantes turcos, Akin, 52 anos, já foi premiado nos três maiores festivais do mundo. Em Berlim, ganhou o Urso de Ouro por Contra a Parede (2004). Em Cannes, recebeu o troféu de melhor roteiro por Do Outro Lado (2007). Em Veneza, conquistou o Prêmio Especial do Júri por Soul Kitchen (2009).
Seu currículo inclui o documentário musical Atravessando a Ponte: O Som de Istambul (2005), o thriller de vingança Em Pedaços (2017), vencedor do Globo de Ouro de melhor filme internacional, e o terror sobre um serial killer O Bar Luva Dourada (2019).
Em Uma Infância Alemã, Fatih Akin continua retratando feridas históricas e sociais de seu país, mas desta vez o cineasta abandona a crueza urbana e seu estilo visceral. O filme se passa em uma ilha isolada do norte da Alemanha, a Amrum do título original, e adota um tom mais contemplativo e minimalista.
Potente e marcante em suas obras anteriores, a música, aqui, assume um papel de coadjuvante do silêncio. Quando aparece, reflete o pedido feito por Akin ao compositor Hainbach: o diretor queria uma trilha que "soasse como o vento". Para cumprir esse desejo, foram utilizados instrumentos como uma harpa eólica (com gravações feitas na própria ilha), um piano Bechstein e um órgão portátil fabricado na antiga Alemanha Oriental.

A trama é baseada nas memórias de infância do ator e cineasta Hark Bohm (1939-2025), que coescreveu o roteiro de Em Pedaços e atuou em O Bar Luva Dourada. Inicialmente, Akin apenas produziria Uma Infância Alemã, mas diante do adoecimento e, depois, a morte de Bohm, ele assumiu totalmente o filme para homenagear o amigo.
Estamos em 1945, nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial. O personagem principal é um menino de 12 anos: Nanning, interpretado pelo estreante Jasper Billerbeck, que cativa tanto por seu olhar impassível quanto por suas demonstrações de espanto. A propósito, as únicas semelhanças entre Uma Infância Alemã e a sátira Jojo Rabbit (2019), de Taika Waititi, são a perspectiva infantil sobre o nazismo e o período histórico.

O guri é o filho mais velho de uma família nazista que fugiu de Hamburgo, cidade devastada pelos bombardeios dos Aliados. O pai é um tenente-coronel e segue em combate; a mãe, Hille (encarnada por Laura Tonke), grávida, entra em depressão quando o rádio anuncia a morte de Adolf Hitler e passa a se recusar a comer.
Para alimentar e alegrar a mãe, Nanning encara desafios na busca da única iguaria que lhe apetece: pão branco com manteiga e mel. Se parece algo simples, o filme explica ao espectador por que esses itens eram raros no contexto da guerra.

Entrementes, Nanning trabalha na colheita de batatas da agricultora Tessa (vivida por Diane Kruger, a protagonista de Em Pedaços), conhece refugiados poloneses, ajuda um veterano caçador de focas e descobre segredos de sua família.
Nessas interações, o garoto vai perdendo sua inocência e lidando com a culpa. Através de seus olhos, apostando em cenas carregadas de simbolismo, Fatih Akin mostra o peso do nazismo no cotidiano das famílias, o fanatismo ideológico e o que aconteceu com os alemães após a queda do Terceiro Reich.
É assinante mas ainda não recebe minha carta semanal exclusiva? Clique aqui e se inscreva na newsletter
Assista aos vídeos Dica do Ticiano no YouTube: clique aqui
Já conhece o canal da coluna no WhatsApp? Clique aqui: gzh.rs/CanalTiciano



