
O Fim da Rua (The End of Oak Street, 2026) já foi definido como uma "carta de amor aos anos 1980", mas o filme de dinossauro estrelado por Anne Hathaway e Ewan McGregor que estreia nos cinemas nesta quinta-feira (13) não é tão solar e alegre como as aventuras produzidas naquela década. A certa altura, a luta por sobrevivência de uma família em um subúrbio americano torna-se sombria e desesperadora.
Este é o quarto longa-metragem escrito e dirigido por David Robert Mitchell, autor do cultuado terror Corrente do Mal (2014) — seus outros títulos são O Mito Americano da Festa do Pijama (2010) e O Mistério de Silver Lake (2018). Em O Fim da Rua, o cineasta volta a fazer parceria com o diretor de fotografia Mike Gioulakis, que, para aumentar a tensão, aposta em planos longos e imersivos e usa bastante a técnica do split focus, o foco dividido.
Com esse recurso, a câmera consegue manter nítidos ao mesmo tempo um personagem em primeiríssimo plano e outro no fundo, assim como o cenário está sempre visível. Esse truque visual gera a sensação de que o perigo pode surgir a qualquer momento e convida o espectador a esquadrinhar as árvores que cercam a cidadezinha, os quintais das casas, as frestas das janelas.
A trama, a ambientação e os personagens remetem a clássicos oitentistas, como E.T.: O Extraterrestre (1982), Gremlins (1984) e Os Goonies (1985), mas, obviamente, também evocam um grande sucesso dos anos 1990: Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros (1993).
A história se passa em 1982 e, na abertura, mostra uma animada festa comunitária na Rua Oak do título original. Ali, conhecemos os personagens principais e seus dramas. Anne Hathaway interpreta Denise Platt, cujo casamento com Greg (papel de Ewan McGregor) está em crise: ela reclama que ele está sempre "ignorando o problema" e "adiando a conversa". Cada um parece esconder um segredo do outro.

O casal tem dois filhos adolescentes: Audrey, vivida por Maisy Stella, do seriado Nashville (2012-2018), é uma aluna brilhante, interessada em cosmologia e na obra de Carl Sagan. Encarnado por Christian Convery, da série Sweet Tooth (2021-2024), Brian vê-se, ao mesmo tempo, platonicamente apaixonado por uma garota recém-chegada ao bairro e perseguido pelo irmão mais velho de um guri que ele machucou em uma brincadeira idiota. Vale citar também o cachorro da família, Starbuck.
Graças ao roteiro e às atuações do quarteto, o filme é muito feliz em aproximar o público dos Platt e em tornar palpáveis suas angústias e suas alegrias. E graças ao notável trabalho de direção, fotografia, montagem (assinada por John Axelrad, de Ad Astra) e efeitos visuais, estamos junto com eles quando dinossauros assassinos começam a atacar na vizinhança.

É Audrey quem oferece uma explicação e, consequentemente, uma solução para o bizarro e apavorante fenômeno que transformou os moradores da Oak Street em presas de animais pré-históricos. Mas O Fim da Rua também pode ser visto como uma metáfora sobre a vingança da natureza contra a humanidade.
Não há tempo para muitas reflexões diante do filme. Aliás, depois que surgem na tela pterossauros, raptores noturnos, predadores híbridos (como uma mistura de anquilossauro e estegossauro) e um monstro marinho, mal dá tempo de respirar. Grande parte dos menos de 100 minutos de duração é dedicada às tentativas da família Platt de fugir e buscar proteção, com um ou outro alívio cômico. (ALERTA DE SPOILER) Pode ser cruel o que vou dizer, mas O Fim da Rua peca justamente quando abre mão da brutalidade. Talvez movido pela nostalgia dos anos 1980, talvez pressionado pelo estúdio (a Warner Bros.), o diretor faz uma escolha narrativa ao final que anula o impacto de uma cena devastadora.
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