
O Cineclube Academia das Musas, a Vitrine Filmes e a Sala Redenção da UFRGS promovem às 14h30min deste sábado (11) uma sessão gratuita do filme Zafari (2024), da diretora venezuelana Mariana Rondón. A exibição terá apresentação de Nathália Boni Cadore.
Na trama, a chegada de um hipopótamo a um pequeno zoológico desencadeia conflitos em um bairro marcado pelo confronto entre classes sociais. Nesta distopia latino-americana, Zafari, o animal recém-chegado, é o único que ainda tem comida.
Criado em 2016 por Juliana Costa, Luciana Tubello, Daniela Strack, Janniny Kierniew e Leonardo Bonfim, o Academia das Musas surgiu a partir de um grupo do antigo cineclube Aurora, em Porto Alegre, e desde então se dedica a assistir, estudar e discutir filmes dirigidos por mulheres de forma aberta e gratuita. Ao longo de quase 10 anos, as sessões ocuparam espaços como a Sala Redenção, a Cinemateca Capitólio e a Cinemateca Paulo Amorim.
— De certa forma, parece ter sido uma reação às afirmações do senso comum de que “não existia” uma filmografia dirigida por mulheres. A experiência e o estudo do cineclube mostraram justamente o contrário. Ao longo desses 10 anos, o mais bonito é que nunca se esgota a filmografia produzida por mulheres — afirma Nathália.
Por que ver "Zafari"

Para Nathália, a escolha de Zafari tem a ver com a pouca circulação do filme no Brasil e com a força estética da obra de Mariana Rondón:
— É um lançamento de 2024 que passou por poucas salas de cinema no Brasil e merece ser visto e discutido, tanto pela estética quanto pelo conteúdo, que são inseparáveis. Rondón faz um cinema muito voltado ao cotidiano, ao corpo e à espacialidade, e Zafari é uma obra bonita, angustiante e visualmente envolvente.
Segundo Nathália, o filme também interessa por abrir uma leitura que ultrapassa a Venezuela.
— Zafari apresenta uma distopia sem localização definida no tempo e no espaço. Isso permite refletir tanto sobre a situação contemporânea da Venezuela quanto sobre uma série de países e sociedades, latino-americanos ou não. É uma ficção baseada na realidade, ou uma ficção que permite o debate sobre diferentes realidades.
A partir da fome, da crise e da convivência em um espaço social tensionado, o filme aborda temas como individualismo, coletividade, patriarcado, relações de gênero e luta de classes.
— Um dos elementos interessantes no cinema de Rondón é perceber como a crise de uma sociedade se reflete nas relações íntimas e cotidianas dos indivíduos. Pensar e discutir como ela filma isso pode trazer vários aprendizados sobre linguagem visual — diz Nathália.
Programe-se
- O quê: Exibição de Zafari (2024), de Mariana Rondón, com apresentação de Nathália Boni Cadore
- Quando: sábado (11), às 14h30min
- Onde: Sala Redenção, no Campus Centro da UFRGS (Rua Engenheiro Luiz Englert, 333, Porto Alegre)
- Quanto: Entrada franca
* Produção: João Vítor Debiasi
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