
A Sala Paulo Amorim, na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre, realiza às 19h15min desta quarta-feira (8) uma sessão especial de um dos muitos clássicos legados pelo diretor Stanley Kubrick (1928-1999). Trata-se de 2001: Uma Odisseia no Espaço (2001: A Space Odissey, 1968, 148min). A exibição será seguida de bate-papo com o crítico Waldemar Dalenogare, que tem mais de 320 mil seguidores no seu canal do YouTube, o Dalenogare Críticas. Os ingressos custam R$ 20.
— 2001 se consolidou no imaginário cinematográfico como padrão ouro no que diz respeito a excelência de Kubrick ao pensar na experiência técnica e visual — diz Dalenogare. — A produção redefiniu o que era possível imaginar no cinema sobre o cosmo, que deixou de ser fantasioso para ter uma precisão mais documental e realista. Isso aliado a um uso ímpar de efeitos práticos e uma profunda reflexão sobre a evolução humana, inclusive trazendo em perspectiva ansiedades e dilemas éticos em torno da inteligência artificial que têm uma relevância ainda mais significativa na era atual.

O filme começa com uma sequência ambientada na pré-história que se tornou antológica e, por consequência, já foi muito parodiada. Ao som de Assim Falou Zaratustra (1896), poema sinfônico composto por Richard Strauss, um grupo de hominídeos aprende a usar ferramentas após o contato com um misterioso monolito negro.
Essa cena já foi recriada, por exemplo, em comédias de Mel Brooks, como A História do Mundo: Parte I (1981), nas animações Toy Story 2 (1999), Madagascar (2005) e Os Croods (2013), na versão de Tim Burton para A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005), no Barbie (2023) de Greta Gerwig e em episódios de Os Simpsons.

Quatro milhões de anos depois, no século 21, uma equipe de astronautas liderados pelos experientes David Bowman (papel de Keir Dullea) e Frank Poole (personagem de Gary Lockwood) é enviada a Júpiter para investigar o enigmático monolito na nave Discovery, totalmente controlada pelo computador HAL 9000. No meio da viagem, HAL entra em pane e tenta assumir o controle da nave.
Coescrito por Stanley Kubrick com o autor de ficção científica Arthur C. Clarke (1917-2008), 2001: Uma Odisseia no Espaço concorreu ao Oscar em quatro categorias: melhor direção, roteiro original, direção de arte e efeitos visuais. Foi premiado apenas nessa última, em uma conquista do próprio Kubrick. Nas bilheterias, provou-se um sucesso comercial: custou US$ 10,5 milhões e arrecadou US$ 146 milhões.
O filme influenciou outros títulos icônicos do gênero, como Solaris (1972), de Andrei Tarkovsky, a saga Star Wars, criada em 1977 por George Lucas, Alien: O Oitavo Passageiro (1979) e Blade Runner: O Caçador de Androides (1982), ambos de Ridley Scott, e Interestelar (2014), de Christopher Nolan.
Quando Kubrick morreu, o saudoso crítico Tuio Becker (1943-2008) escreveu em Zero Hora que, para toda uma geração, a memória da descoberta do cinema se confundia com a trajetória de um cineasta "sempre pronto a provocar os espectadores com as obscuras intenções de suas obras", não importando o gênero delas: a ficção científica, o policial, a guerra, o drama histórico, a aventura épica, o terror, a comédia política e até o suspense erótico.
E Tuio lembrou da experiência de assistir a 2001: "Uma só vez não foi suficiente para tentar decifrar o significado das deslumbrantes imagens que batiam na tela do extinto Astor, então com uma projeção de primeira. Foi preciso ver e rever mais vezes o filme para continuar se questionando".
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