
Está chegando a hora. No dia 16 de julho, estreia nos cinemas do Brasil o épico mais aguardado do ano: A Odisseia (2026), a adaptação do diretor inglês Christopher Nolan para o poema escrito pelo grego Homero.
A Odisseia é obra fundamental no cânone da literatura ocidental. Sequência da Ilíada, teve sua forma escrita publicada provavelmente no século 8 antes de Cristo. Em versos, Homero narrou as tentativas do herói Odisseu — ou Ulisses, na versão latina —, o rei de Ítaca, para voltar a sua terra após a Guerra de Troia.
Enquanto isso, o filho dele, Telêmaco, parte em busca do pai desaparecido, e sua esposa, Penélope, é pressionada por outros homens a considerar seu marido morto devido à longa ausência e a casar outra vez, escolhendo um novo rei para Ítaca.
Por causa da obra de Homero, odisseia tornou-se a palavra que designa longas jornadas, sobretudo quando acompanhadas de desafios e perigos. O poema influenciou muitos outros clássicos, como a Eneida, de Virgílio, Os Lusíadas, de Camões, e Ulysses, de James Joyce. E já inspirou vários filmes, começando com um curta-metragem mudo lançado em 1911 pelo italiano Giuseppe de Liguoro.
Confira, a seguir, cinco adaptações, releituras e modernizações.
1) Ulysses (1954)

De Mario Camerini. Esta superprodução italiana começa com Penélope (papel de Silvana Mangano) sendo tentada a acreditar que seu marido (vivido por Kirk Douglas) não deve ter sobrevivido à Guerra de Tróia. É chegada a hora de ela se casar de novo?
Enquanto isso, um Ulisses desmemoriado e combalido se encontra abrigado em uma ilha, aos cuidados de uma princesa que se apaixona por ele. Aos poucos, o herói vai lembrando seus feitos desde que iniciou a volta para casa, como seu enfrentamento com o Cíclope, a tentação das sereias cantoras e a maldição da feiticeira Circe — que também é interpretada por Mangano, um recurso que provoca impacto psicológico no protagonista. (Looke, que tem sete dias de teste grátis no Amazon Prime Video)
2) Um Olhar a Cada Dia (1995)

De Theodoros Angelopoulos. O diretor grego fez uma releitura que se passa na primeira metade da década de 1990. Harvey Keitel interpreta um cineasta exilado que viaja pelos Bálcãs na época da Guerra da Bósnia, com a intenção de encontrar velhos rolos de filmes de um pioneiro do cinema.
O filme ganhou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes, mas Angelopoulos não gostou. Ele queria ter recebido o principal troféu, a Palma de Ouro. Quando subiu ao palco, falou: “Se é isso que vocês têm a me oferecer, não tenho nada a dizer”. E aí foi embora sem posar para fotos, deixando o ator Andy Garcia, que tinha entregue a distinção, sem saber como reagir. (Lançado em DVD pela Lume Filmes). (Lançado em DVD pela Lume Filmes)
3) E Aí, Meu Irmão, Cadê Você? (2000)

De Ethan Coen e Joel Coen. Indicado ao Oscar de roteiro adaptado e de fotografia, o filme transforma A Odisseia em uma comédia e leva a história da Grécia Antiga para o sul dos Estados Unidos dos tempos da Grande Depressão, nos anos 1930. Premiado com o Globo de Ouro, George Clooney interpreta Everett Ulysses McGill, que, na companhia de mais dois prisioneiros (Tim Blake Nelson e John Turturro), consegue escapar de uma penitenciária do Mississippi.
O trio embarca em uma aventura de volta a seus lares, sob a perseguição de um xerife implacável que representa o deus grego Poseidon. Aliás, os personagens mitológicos ganham novas versões: as sereias, por exemplo, são lavadeiras de rio, e o terrível Cíclope é um vendedor de bíblias caolho. (Aluguel em YouTube)
4) Cold Mountain (2003)

De Anthony Minghella. A adaptação do romance Montanha Gelada, de Charles Frazier, transporta a jornada de Odisseu para o cenário da Guerra Civil Americana, na metade do século 19. Jude Law encarna Inman, um carpinteiro que virou soldado confederado e deserta para tentar retornar à sua cidade natal e reencontrar a sua amada Ada (Nicole Kidman). O protagonista tem de cruzar uma longa distância e enfrentar uma série de desafios físicos e dilemas morais.
Cold Mountain recebeu sete indicações ao Oscar, incluindo a categoria de melhor ator, e valeu a Renée Zellwegger o prêmio de atriz coadjuvante, no papel da fazendeira Ruby. (Aluguel em Amazon Prime Video, Google Play e YouTube)
5) O Retorno (2024)

De Uberto Pasolini. Protagonizado pelo inglês Ralph Fiennes e pela francesa Juliette Binoche, se concentra na parte final do poema do Homero e mostra Odisseu chegando a Ítaca depois de 20 anos, traumatizado pela Guerra de Troia e irreconhecível. Disfarçado, ele encontra seu reino em crise, com a esposa, Penélope, refém de pretendentes gananciosos, e seu filho, Telêmaco, jurado de morte.
O filme faz uma abordagem mais humanizada, mais intimista, focando menos nas ações e mais nas consequências. Fiennes e Binoche, que já haviam contracenado no oscarizado O Paciente Inglês (1997), têm novamente ótimas atuações. (Aluguel em Amazon Prime Video e YouTube)
Bônus: Troia (2004)

De Wolfgang Petersen. Apresenta a origem da guerra entre gregos e troianos. Para pôr fim a uma antiga inimizade, o rei de Esparta, Menelau (Brendan Gleeson), recebe em seu palácio os príncipes de Troia: Heitor (Eric Bana, o grande destaque do filme) e o caçula Páris (Orlando Bloom). Páris se apaixona pela esposa do rei, Helena (Diane Kruger), e leva ela para Troia. Furioso, Menelau recorre ao irmão Agamênon (Brian Cox), o rei de Micenas, que une os reinos da Grécia para resgatar Helena — e, de lambuja, conquistar a rica Troia. Mas a guerra só pode ser vencida se os gregos tiverem ao seu lado o invencível e insubordinado Aquiles (Brad Pitt), que entra na luta só pela vaidade de perpetuar seu nome na história.
Troia foi um sucesso de bilheteria, arrecadando quase US$ 500 milhões. Além do eterno apelo do mito e do elenco estelar, contaram a favor a caprichada reconstituição de época e a orquestração das cenas de batalha entre exércitos e dos duelos homem a homem. Mas o filme foi criticado por eliminar da trama a intervenção dos deuses do Olimpo e por mudar o desfecho de alguns personagens. (Amazon Prime Video e HBO Max)
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