
O terror vive um ano extraordinário. No Oscar de 2026, Pecadores (2025) tornou-se o novo recordista de indicações, com 16, e conquistou quatro categorias: melhor ator (Michael B. Jordan), roteiro original, direção de fotografia e música original. A Academia de Hollywood também premiou como atriz coadjuvante a veterana Amy Madigan, a tia Gladys de A Hora do Mal (2025).
Nos cinemas, dois filmes de terror viraram fenômeno de bilheteria em 2026. Obsessão (2025) custou US$ 750 mil e já faturou mais de US$ 330 milhões. Backrooms (2026), orçado em US$ 10 milhões, já arrecadou mais de US$ 270 milhões.
Os troféus e o sucesso financeiro coroam uma fase esplendorosa do gênero. A prova é a lista abaixo, que reúne os 46 melhores filmes de terror lançados nos anos 2020 (arredondar para 50 seria um exagero e para 40 seria um sacrifício).
O critério de escolha foi absolutamente subjetivo: só entraram os títulos que realmente me impactaram. Os diretores representam 16 países: Brasil, Argentina, Canadá, EUA, México, Austrália, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Taiwan, Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Inglaterra, Islândia e Noruega.
A ordem é apenas cronológica. Clique nos links se quiser saber mais.
1) A Cabeleireira (2020)

De Jill Sixx Gevargizian. A cena de abertura do filme mostra a perturbada personagem com quem estamos lidando: de dia, Claire corta cabelos; à noite, cabeças. A Cabeleireira é uma afinada parceria entre a cineasta estadunidense e a atriz Najarra Towsend. As duas conseguem andar com elegância numa delicada e arriscada corda bamba: não endossam a assassina serial, não justificam seus atos, mas permitem que Claire seja uma personagem com mais camadas. E, com toda calma do mundo, mas jamais cansando o espectador, Gevargizian conduz a trama para um final arrasador. Daqueles que grudam na cabeça. (Cindie, que tem 7 dias de teste grátis no Amazon Prime Video)
2) O que Ficou para Trás (2020)

De Remi Weekes. O diretor e roteirista inglês fez um filme de casa mal-assombrada, de fantasmas e de sustos, mas usa esses elementos clássicos para retratar um drama real e atual. É o dos refugiados, vindos de países em guerra ou onde sofrem perseguição política, religiosa, étnica etc. Em O que Ficou para Trás, eles são encarnados pelos personagens de Sope Dirisu e Wunmi Mosaku, que escaparam do Sudão do Sul para experienciar o terror num subúrbio da Inglaterra. (Netflix)
3) História do Oculto (2020)

De Cristian Ponce. Ambientado em 1987 e filmado em preto e branco, este terror premiado no Fantaspoa acompanha os bastidores de um programa de TV fictício, o 60 Minutos Antes da Meia-Noite. Na trama de História do Oculto, o apresentador (vivido por Héctor Ostrofsky) vai receber um senador, um sociólogo e um grande empresário, Adrián Marcato (Germán Baudino, ótimo no papel), que pode fazer uma revelação chocante: o presidente do país estaria vinculado a uma seita satanista. (Netflix)
4) O Homem Invisível (2020)

De Leigh Whannell. O diretor australiano mostra como as histórias de terror podem se adaptar aos tempos. Na sua versão para o clássico escrito por H.G. Wells em 1897, o foco não está no cientista que descobre a fórmula da invisibilidade nem nos dilemas éticos e morais que revestem a trama, como a intoxicação pelo poder e os riscos trazidos pela impunidade. E, em vez de um, temos uma protagonista: pelo olhar da personagem de Elisabeth Moss, O Homem Invisível transforma-se em um símbolo dos relacionamentos tóxicos. (Amazon Prime Video, HBO Max e Netflix)
5) Host: Cuidado com Quem Chama (2020)

De Rob Savage. Eis um filme de terror que captou o espírito de seu tempo. Literalmente. Um grupo de amigas em distanciamento social, oscilando entre o tédio e a ansiedade provocados pela pandemia de covid-19, resolve apimentar suas reuniões via Zoom. E a história toda de Host é contada como se estivéssemos vendo uma reunião no Zoom. O algo novo a que se propõem é uma sessão espírita virtual, que acaba virando uma roubada. (Amazon Prime Video)
6) A Ligação (2020)

De Lee Chung-yun. O filme sul-coreano é inspirado no filme O Chamado (2011), de Matthew Parkhill. Na trama, a jovem Seo-yeon (papel de Park Shin-hye) volta ao lar de sua infância, na zona rural, quando vai visitar sua mãe, doente em um hospital. Após perder seu celular, ela encontra na casa da família um telefone antigo e recebe uma ligação desesperada de uma mulher que diz estar sendo vítima de torturas exorcizantes _ mas 20 anos antes, em 1999. A partir daí, a protagonista passa a se comunicar com Young-sook (Jeon Jong-seo), e A Ligação mostra como ações no passado geram reações no presente. (Netflix)
7) Possessor (2020)

De Brandon Cronenberg. Filho de peixe, peixinho é. A exemplo do pai, o cineasta canadense David Cronenberg, o diretor mistura terror, ficção científica e sexo neste filme estrelado por Andrea Riseborough, Christopher Abbott, Sean Bean e Jennifer Jason Leigh. Na trama, uma agente de uma organização secreta usa a tecnologia de implantes cerebrais para habitar o corpo de outras pessoas, levando-as a cometer assassinatos para clientes que pagam caro. Mas, algo dá errado e ela logo se vê presa na mente de um homem cujo apetite por violência rivaliza com o seu. (HBO Max)
8) Um Lugar Silencioso: Parte II (2020)

De John Krasinski. Se não há o fator surpresa de Um Lugar Silencioso (2018), a segunda parte recua no tempo para mostrar o início do apocalipse alienígena e cria um novo elemento de tensão e temor: a interação dos Abbott com outros seres humanos. A família comandada pela personagem de Emily Blunt parte em busca de um novo refúgio, serpenteando entre as furtivas criaturas extraterrestres, pessoas desesperançadas e grupos predatórios. Os perigos surgidos a partir do dia 474 da invasão mostram que o diretor aprimorou habilidades hitchcockianas, como o poder de sugerir (vide a cena na plataforma da estação de trem), mas também não tem medo de jogar às claras nos ataques dos monstros — sejam de outro planeta ou não (Paramount+)
9) Lamb (2021)

De Valdimar Jóhannsson. Recebeu três prêmios no Festival de Sitges: melhor filme, diretor estreante e atriz (a sueca Noomi Rapace). A história se passa em uma fazenda da Islândia, onde um casal sem filhos, Maria e Ingvar (papel de Hilmir Snær Guðnason), se vê às voltas com um misterioso bebê. Sim, é um filhote de ovelha, como o cartaz do filme entrega. Mas convém não revelar mais da sinopse. O que dá para dizer é que Lamb trata de como lidamos com o luto e das consequências que podemos sofrer quando desafiamos a vontade da natureza. E vale avisar que os 105 minutos de duração transcorrem vagarosamente, criando uma atmosfera asfixiante que combina com a gélida paisagem, até chegar a um clímax poderoso. (MUBI)
10) A Lenda de Candyman (2021)

De Nia DaCosta. Na refilmagem de O Mistério de Candyman (1992), a diretora resolveu usar os códigos do terror para falar da brutalidade policial contra corpos negros, de traumas geracionais e de gentrificação. A trama se passa em Chicago, onde um jovem artista (Yahya Abdul-Mateen II) mora com a namorada, a curadora Brianna Cartwright (Teyonah Parris). Empacado na carreira, ele resolve pesquisar a lenda de Candyman na comunidade de Cabrini-Green, um bairro negro cujos moradores foram sendo forçados a abandonar. É um lugar cheio de fantasmas, portanto, e não apenas porque costumava agir por ali a criatura maligna que, segundo as lendas, pode ser invocada diante de um espelho. O passado vive no presente, reforça o filme. (MGM+, que tem 7 dias de teste grátis no Amazon Prime Video)
11) Maligno (2021)

De James Wan. O cineasta australiano nascido na Malásia homenageia Dario Argento, Brian De Palma e David Cronenberg. Há um clima oitentista em Maligno que é realçado pela música, pela estupidez dos personagens em relação ao perigo, pela canastrice dos coadjuvantes, pela névoa que envolve os ambientes e pela intersecção de experiência científica com geração de monstros. A trama começa em 1993, em um sinistro hospital psiquiátrico à beira de um penhasco, tipo um castelo de Frankenstein, onde um grupo de médicos e enfermeiros tenta controlar a fúria sanguinária de um paciente chamado de Gabriel. Corta (em mais de um sentido!) para os dias de hoje, quando Madison Mitchell, vivida com gana e carisma por Annabelle Wallis, lida com uma gravidez de risco e um marido violento. A partir daí, a protagonista e o espectador passam a ser assombrados pela aparição de um personagem grotesco e por assassinatos sangrentos. (HBO Max)
12) Medusa (2021)

De Anita Rocha da Silveira. É o filme de terror da bela, recatada e do lar. Mari Oliveira interpreta a enfermeira Mariana, participante de um grupo de música e dança (com figurinos e passos comportados, é claro) chamado de Preciosas do Altar. A líder é Michele (Lara Tremouroux), estrela nos cultos evangélicos do pastor Guilherme (Thiago Fragoso), que comanda uma milícia de extrema-direita e busca se eleger deputado. No palco, elas cantam versos sobre mulheres "devotas e submissas ao Senhor". Nas ruas, atacam mulheres consideradas promíscuas ou "bonitas demais". Quando uma das vítimas das blitze moralistas revida, machucando o rosto de Mariana, a protagonista de Medusa se vê rejeitada e precisa lutar para se recolocar no ambiente social. (Telecine)
13) Poderes Ocultos (2021)

De Eskil Vogt. Na Noruega, após se mudarem com os pais para um apartamento, a menina Ida (Rakel Lenora Fløttum) e sua irmã mais velha e autista, Anna (Alva Brynsmo Ramstad), conhecem crianças que têm habilidades telecinéticas e telepáticas. O que começa como uma brincadeira inocente em parquinhos e florestas rapidamente toma um rumo sombrio, violento e perigoso. O elenco mirim é espantoso. (Amazon Prime Video)
14) Titane (2021)

De Julia Ducournau. Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, o filme da cineasta francesa conta a história de Alexia (interpretada pela estreante Agathe Rousselle), uma jovem que, na infância, após um acidente de carro, precisou colocar uma placa de titânio no crânio. Nos dias de hoje, ela é uma dançarina que se exibe em salões de automóveis e também uma assassina serial que transa com um Cadillac. Essa filiação ao chamado body horror e o fetiche automobilístico de Titane suscitam uma aproximação com o cineasta canadense David Cronenberg e seu Crash: Estranhos Prazeres (1996), mas um parentesco mais forte é com Frankenstein. (MUBI)
15) A Tristeza (2021)

De Rob Jabbaz. Filmes de zumbi sempre se prestam a metáforas sobre a época em que foram gestados. Vindo de Taiwan, este título reflete explicitamente a pandemia de coronavírus, mas no fundo vale para qualquer época, como uma fábula, só que muito violenta e muito sangrenta. Na odisseia por sobrevivência do jovem casal Jim (Berant Zhu) e Kat (Regina Lei), há membros decapitados por tesouras de jardinagem, olhos perfurados com um cabo de guarda-chuva, torturas com arame farpado, estupros coletivos, atos de necrofilia... Entrementes, A Tristeza pergunta: o que seria de uma sociedade polarizada se a gente só atendesse aos impulsos do id? Que civilização seria possível se não houvesse as instâncias mediadoras e repressoras do ego e do superego? (Reserva Imovision, que tem 7 dias de teste grátis no Amazon Prime Video)
16) Crimes do Futuro (2022)

De David Cronenberg. O cineasta canadense fez um filme bastante aparentado de seu Crash: Estranhos Prazeres (1996). O roteiro foi escrito na mesma época, e Crimes do Futuro também mistura sexo e máquinas, faz do corpo um cenário para o terror, aborda a conexão entre prazer e dor e pergunta: qual é o limite? Qual é o nosso limite? Para além do talento em engendrar cenas de revirar estômagos — tanto dos personagens quanto dos espectadores —, Cronenberg estimula reflexões sobre transumanismo, a obsessão pela beleza e pela aceitação social e preocupações de ordem econômica e ecológica. No elenco, Viggo Mortensen, Léa Seydoux e Kristen Stewart. (MUBI)
17) Fale Comigo (2022)

De Danny Philippou e Michael Philippou. Na impactante cena de abertura, os gêmeos australianos retratam como o hábito de estar sempre com o celular em punho, filmando tudo e a todos, mudou nossa relação com a realidade: a lente é como um anteparo, nos anestesia, nos dessensibiliza. A protagonista é Mia (Sophie Wilde), 17 anos, que tem um relacionamento distante com o pai e que ainda lida com o luto pela morte da mãe. Um dia, ela vai à casa de sua melhor amiga para participar de uma invocação de espíritos. Fale Comigo compara os rituais macabros a vícios e entorpecentes, como a pornografia ou as drogas. As sessões de possessão são gravadas e publicadas nas redes sociais, ilustrando a necessidade de validação online da Geração Z. Solidão e urgência são características dos personagens, como expressa o título, praticamente uma súplica. (Amazon Prime Video e HBO Max)
18) Fantasmas do Passado (2022)

De Mariama Diallo. O título original de Fantasmas do Passado vem de um cargo que existiu em universidades como Harvard até poucos anos atrás: Master é uma espécie de bedel. Mas master também é a palavra utilizada para designar os donos de escravos. No filme, a cineasta imagina como seria se o cargo na fictícia Ancaster College fosse ocupado por uma mulher negra: Gail Bishop (personagem de Regina Hall). Cabe a ela receber os novos alunos, incluindo uma garota negra, Jasmine Moore (Zoe Renee), que vai dividir o quarto com uma estudante branca, Amelia (Talia Ryder). Essa relação começa de forma amistosa, mas paulatinamente Jasmine se torna alvo de comentários maldosos e piadas racistas. Ao mesmo tempo, a caloura lida com assombrações que se conectam com o episódio histórico das bruxas de Salem, no final do século 17. (Amazon Prime Video)
19) Fresh (2022)

De Mimi Cave. Se você nunca viu, vou manter segredo sobre por que este filme está aqui. A primeira meia hora transcorre como se fosse uma comédia romântica: mostra a aproximação de Noa (Daisy Edgar-Jones), uma jovem já desencantada dos encontros marcados via aplicativos, com Steve (Sebastian Stan), em um bar. Quando enfim aparecem os créditos de abertura de Fresh, a mesa já está servida. A diretora aposta no apetite do espectador por um pouco de sangue e um pouco de humor — e sabe o momento de acentuar o sabor de um em detrimento do outro. (Disney+)
20) Huesera (2022)

De Michelle Garza Cervera. A diretora mexicana mistura terror corporal com terror psicológico e ainda terror social. Natalia Solián interpreta Valeria, uma mulher grávida pela primeira vez que se vê ameaçada por forças ocultas. Os flashbacks que apresentam o passado da protagonista ajudam a construir o olhar crítico da diretora para as pesadas expectativas que recaem sobre os papéis femininos na sociedade. (Amazon Prime Video)
21) Mesa Maldita (2022)

De Caye Casas. Começa como uma comédia engraçadíssima: Jesus (David Pareja) e María (Estefania de los Santos), pais do recém-nascido Cayetano, estão em uma loja de móveis, onde um vendedor picareta tenta convencer o casal de comprar a mesinha de centro Röret, uma peça de "design sueco, pintada em bronze, com vidro inquebrável, sobre uma estrutura com a imagem de duas belas garotas, feitas em marfim e banhadas numa perfeita imitação de ouro". O marido quer levar, a esposa não, mas como ela já escolheu as cores do apartamento, o dia do casamento, o terno que ele vai usar, o vestido da sogra, a hora de ter um filho e o nome do guri — "Um nome ruim, de toureiro fascista!" —, Jesus pode curtir uma rara e pequena vitória no dia em que vão receber a visita de seu irmão, Carlos, e de sua namorada de 18 anos, Cris. E mais não dá para dizer sobre este filme espanhol que é do tipo um em um milhão. Prepare-se para suar frio, quem sabe até ficar nauseado, mas assista a Mesa Maldita. (BOOH, que tem 7 dias de teste grátis no Amazon Prime Video)
22) Não Fale o Mal (2022)

De Christian Tafdrup. Bjørn (papel de Morten Burian), sua esposa, Louise (Sidsel Siem Koch), e a menina Agnes são uma família dinamarquesa de férias na Itália. Sob o sol da Toscana, eles conhecem um casal holandês com seu filho: Patrick, encarnado por Fedja van Huêt, Karin (Karina Smulders) e Abel, que não fala. A partir de então, Não Fale o Mal ilustra como se comprometer com a civilidade pode ser muito perigoso — em nome de convenções sociais, anulamos os instintos, a intuição, e permitimos a invasão de nossos limites. O final é uma pedrada. (Reserva Imovision, que tem sete dias de teste grátis no Amazon Prime Video)
23) Noites Brutais (2022)

De Zach Cregger. Durante uma noite chuvosa, Tess (Georgina Campbell), ao chegar à casa de Detroit que alugara via Airbnb, descobre que há um outro inquilino no local (o personagem de Bill Skarsgård). A partir daí, o diretor exibe seu talento para aproveitar o cenário e sua capacidade de reverter expectativas do espectador. Quando Noites Brutais começou, eu jamais poderia imaginar os rumos que iria tomar. (HBO Max e Telecine)
24) Pearl (2022)

De Ti West. É o ponto alto da trilogia que começou com X: A Marca da Morte (2022) e terminou com MaXXXine (2024). Pearl é o prelúdio de X e se passa em 1918. Em desempenho arrebatador, Mia Goth interpreta uma jovem que vive isolada em uma fazenda no Texas com a mãe severa e o pai debilitado. Seu sonho de virar uma estrela de Hollywood gera conflito familiar, afeta sua sanidade mental e acaba por desaguar em um banho de sangue. (Aluguel em Amazon Prime Video, Google Play e YouTube)
25) O Predador: A Caçada (2022)

De Dan Trachtenberg. Este prequel da saga Predador se passa em 1719, em território dos EUA então ocupado pelos indígenas comanches. A jovem Naru (encarnada por Amber Midthunder) foi treinada para ser uma curadora, mas o que deseja é ser uma caçadora como seu irmão, Taabe (Dakota Beavers). Ele reconhece o talento da mana e concorda que ela se junte a uma expedição dedicada a caçar um leão da montanha que atacou um membro da tribo. A essa altura de Predador: A Caçada, já sabemos que animais selvagens não serão os únicos perigos enfrentados: cedo observamos uma nave espacial desembarcar um Predador (vivido pelo ex-jogador de basquete Dane DiLiegro, 2m06cm de altura), que logo dá início a missão de identificar, capturar, matar e colecionar os crânios dos predadores da região (incluindo os humanos). (Disney+)
26) Suaves e Discretas (2022)

De Beth de Araújo. A diretora estadunidense que tem pai brasileiro retrata a primeira reunião de um grupo de mulheres neonazistas arregimentado pela professora Emily (papel de Stefanie Estes) na Califórnia. Suaves e Discretas ilustra como a teoria vira prática, como uma "brincadeira" pode descambar para algo muito sério. Basta uma fagulha para provocar um incêndio sufocante, e essa sensação é reforçada pela narrativa em tempo real que simula ser em um único plano-sequência, ou seja, sem cortes entre uma cena e outra. (BOOH!, que tem 7 dias de teste grátis no Amazon Prime Video)
27) Você Não Estará Só (2022)

De Goran Stolevski. Convém não esperar sustos: este filme australiano é um terror meditativo. Estrelado pela sueca Noomi Rapace, Você Não Estará Só se passa em um vilarejo da Macedônia do século 19, onde as ações de uma bruxa de pele toda queimada conhecida como Maria Donzela (interpretada pela romena Anamaria Marinca) desencadeiam reflexões à la Terrence Malick sobre o que significa ser humano, sobre a visão de mundo das crianças, sobre os papéis sociais atribuídos às mulheres, sobre a masculinidade tóxica, sobre a descoberta do amor e da vida em comunidade, sobre colocar-se no lugar do outro. (Aluguel em Amazon Prime Video, Apple TV e Google Play)
28) Desconhecidos (2023)

De JT Mollner. A trama de Desconhecidos gira em torno de um homem (Kyle Gallner) e uma mulher (Willa Fitzgerald). O que era para ser um simples caso de uma noite se transforma em uma caçada sangrenta. O diretor e roteirista confunde a percepção do espectador ao embaralhar a cronologia da trama. E desperta leituras muito antagônicas: há quem considere absolutamente inovador e surpreendente, há quem encare como mero e monótono exercício estético; há quem veja como misógino, há quem aponte viés feminista. (Telecine)
29) Entrevista com o Demônio (2023)

De Cameron Cairnes e Colin Cairnes. Os gêmeos australianos fizeram um falso documentário sobre os acontecimentos sinistros registrados durante um episódio de um talk show, na noite de Halloween de 1977. Para aumentar a audiência, o apresentador brilhantemente interpretado por David Dastmalchian convida para o programa uma adolescente (Ingrid Torelli) que estaria hospedando um diabo. A construção de atmosfera em Entrevista com o Demônio é maravilhosa. (HBO Max)
30) Good Boy (2023)

De Viljar Boe. O norueguês Christian (Gard Lokke) é Christian, jovem herdeiro de uma fortuna. Ele mora em uma mansão, não trabalha e admite ser antissocial, mas tem suas necessidades carnais. É no Tinder que o protagonista de Good Boy procura companhia, como Sigrid (Katrine Lovise Opstad Fredriksen). Surge uma conexão entre os dois, e Sigrid vê-se diante de um príncipe encantado e excêntrico: o cachorro de estimação de Christian é, na verdade, uma pessoa que veste uma fantasia de cão, anda de quatro, atende por Frank, come num pote, arfa, late e esfrega o, digamos, focinho pedindo carinho. (Looke, que tem 7 dias de teste grátis no Amazon Prime Video)
31) O Mal que nos Habita (2023)

De Demián Rugna. Vencedor do Festival de Sitges, O Mal que nos Habita convida o espectador a acompanhar a trajetória de dois irmãos: Pedro (em atuação magnetizante de Ezequiel Rodríguez) e Jimi (Demián Salomon). Em um vilarejo argentino, eles deparam com um embichado, um infectado, um homem aparentemente possuído por um demônio e prestes a, digamos, dar à luz. Pedro e Jimi vão tentar expurgar o mal, mas as coisas não saem como o planejado. A jornada turbulenta, sangrenta e purulenta inclui pelo menos uma sequência absolutamente chocante. (Netflix)
32) Megalomaníaco (2023)

De Karim Ouelhaj. Os personagens principais são os supostos filhos de um assassino serial que assombrou a Bélgica nos anos 1990, o Carniceiro de Moons. Megalomaníaco mostra como o mal pode ser transmitido, como o mal contamina, como a vítima pode se tornar agressor. E controla as explosões de violência (cenas de estupro, assassinato, humilhação, sequestro, cárcere privado, espancamento, marteladas na cabeça, golpes de faca...) para que tenham o maior impacto possível quando ocorrem. (BOOH!, que tem 7 dias de teste grátis no Amazon Prime Video)
33) Ninguém Vai te Salvar (2023)

De Brian Duffield. A invasão alienígena, logo nos minutos iniciais, funciona como catalisadora do processo pelo qual a personagem interpretada pela ótima atriz Kaitlyn Dever deve passar. É um processo solitário, como indica o título, que também alude à situação da personagem no enfrentamento aos E.T.s. E o diretor praticamente prescinde do diálogo ao longo dos 93 minutos de duração de Ninguém Vai te Salvar, espelhando tanto a incomunicabilidade da protagonista com os demais moradores da cidade quanto seu silêncio em relação a um episódio traumático. Essa combinação do terror físico com o psicológico conquistou Stephen King e Guillermo del Toro. (Disney+)
34) Nosferatu (2024)

De Robert Eggers. Na Wisborg de 1838, o polido corretor de imóveis Thomas Hutter (Nicholas Hoult) é casado com a jovem e angelical Ellen, papel de Lily-Rose Depp. Seu chefe ordena que viaje à Transilvânia para fechar um negócio com o misterioso Conde Orlok (Bill Skarsgård), um vampiro que vai aprisionar Thomas e partir para a cidade alemã, onde tentará reivindicar o amor da esposa do agente imobiliário. Ao reler um clássico do Expressionismo Alemão, o diretor oferece um banquete visual e transforma Nosferatu em um espelho dos relacionamentos tóxicos e abusivos. (Amazon Prime Video)
35) Pisque Duas Vezes (2024)

De Zoë Kravitz. Se a atriz mantivesse o título original do seu primeiro longa-metragem, entregaria de cara o que só pela metade de Pisque Duas Vezes fica claro para o espectador. Na trama, Naomi Ackie interpreta Frida, que sobrevive fazendo tatuagens de unha e trabalhando como garçonete. Durante um evento de gala, ela encontra um bilionário do ramo da tecnologia, Slater King (Chaning Tatum). Ele está temporariamente afastado do cargo de CEO, cumprindo o script padrão dos figurões que precisam reabilitar sua imagem após algum tipo de escândalo, o que inclui um pedido público de desculpas e um retiro em sua ilha particular, para onde são convidadas Frida e a amida dela, Jess. E mais não conto, só aviso que o plot twist do filme pode revirar o estômago. (Aluguel em Amazon Prime Video, Google Play e YouTube)
36) A Primeira Profecia (2024)

De Arkasha Stevenson. O prelúdio do clássico A Profecia (1976) parte de uma ótima ideia: contar a história da mãe de Damien, o Anticristo, mulher que não havia recebido atenção nos cinco filmes e no seriado anteriores. Um dos trunfos é a atuação de Nell Tiger Free: ela estabelece um vínculo conosco ao equilibrar o amor a Deus e os impulsos carnais da juventude na pele da noviça que depara com mistérios e eventos sinistros no orfanato comandado pela rígida Irmã Silva (Sônia Braga). A trama de A Primeira Profecia, a época (os anos 1970) e o cenário (Roma) convidam a diretora a citar clássicos como O Bebê de Rosemary (1968) e O Exorcista (1973), a emular o clima da trilogia da paranoia de Alan J. Pakula e a pegar emprestado elementos do giallo. (Disney+)
37) A Substância (2024)

De Coralie Fargeat. A diretora francesa ofereceu uma experiência cinematográfica inesquecível, até para quem odiou. Apaixonadamente, Fargeat assumiu riscos ao empregar o body horror e um senso de humor grotesco para mostrar como os corpos das mulheres são objetificados e vendidos antes de serem descartados. Na trama vencedora do prêmio de roteiro no Festival de Cannes, Demi Moore interpreta a apresentadora de um popular programa de ginástica na TV que é demitida no dia do seu 50º aniversário. Para tentar recuperar o estrelato, ela compra uma substância milagrosa que promete criar uma nova e melhorada versão de si mesma. A Substância concorreu em cinco categorias do Oscar: melhor filme, direção, atriz, roteiro original e maquiagem e cabelos (a única que conquistou). (HBO Max e MUBI)
38) Faça Ela Voltar (2025)

De Danny Philippou e Michael Philippou. Os irmãos gêmeos australianos aprimoram todas as virtudes demonstradas em Fale Comigo (2022). Estão lá a atmosfera sinistra e o despudor para a violência gráfica (para a qual a sonoplastia é fundamental). O ritual macabro que vemos na sequência de abertura não é gratuito: deriva de uma dor emocional. E outra vez a dupla dá protagonismo a adolescentes solitários. Em Faça Ela Voltar, um rapaz de 17 anos, Andy (Billy Barratt), e a sua irmã mais nova, Piper (Sora Wong), são enviados para um lar adotivo após a morte do pai. Na casa da excêntrica Laura (Sally Hawkins, injustamente esnobada pelo Oscar), que também acolhe um menino mudo chamado Oliver (Jonah Wren Phillips, assombroso), coisas estranhas logo começam a acontecer. Prepare-se para se sentir mal. (HBO Max)
39) Hallow Road: Caminho Sem Volta (2025)

De Babak Anvari. Quase todo o filme se desenvolve dentro de um carro e com apenas dois atores. Os ótimos Rosamund Pike e Matthew Rhys interpretam um casal britânico que recebe uma ligação desesperada da filha de 18 anos no meio da noite. Ela acaba de atropelar acidentalmente uma pessoa em uma estrada que corta uma floresta. Enquanto os pais correm contra o tempo para socorrê-la, Hallow Road revela traumas, mágoas, segredos e sentimentos de culpa. Ao drama e aos dilemas morais, soma-se um desfecho que convida a interpretações variadas — depois de assistir, vale pesquisar sobre as teorias já elaboradas. (Amazon Prime Video)
40) A Hora do Mal (2025)

De Zach Cregger. Na cidadezinha de Maybrook, 17 crianças da mesma sala de aula acordaram no meio da madrugada, saíram da cama, desceram as escadas, abriram a porta de casa e, sem dizer uma palavra e com os braços estendidos como asas, caminharam em direção à escuridão para nunca mais voltarem. Apenas um aluno não desapareceu. Por quê? Onde estão seus colegas? Esses são alguns dos mistérios investigados por personagens como o policial interpretado por Alden Ehrenreich, a professora vivida por Julia Garner e o pai de um garoto sumido (Josh Brolin). A estrutura narrativa, que embaralha o tempo, é um dos trunfos de A Hora do Mal, que valeu à veterana Amy Madigan o Oscar de melhor atriz coadjuvante, no papel de tia Gladys. (HBO Max)
41) Mãrama (2025)

De Taratoa Stappard. Em 1859, Mary Stevens (interpretada pela vibrante Ariana Osborne) é uma jovem órfã de origem maori que, após receber uma carta de um homem desconhecido que diz ter informações sobre seus pais, viaja da Nova Zelândia para o norte de Yorkshire, na Inglaterra. Lá, é contratada como governanta da pequena Anne, neta de Nathaniel Cole (Toby Stephens), aristocrata que fez fortuna com a caça às baleias. A bela recriação de época emoldura um filme que ilustra como o gênero do terror é um veículo por excelência para histórias sobre os monstros e os fantasmas do colonialismo e do racismo. (Foi exibido no Fantaspoa e não tem previsão de estreia)
42) A Meia-Irmã Feia (2025)

De Emilie Blichfeldt. A diretora e roteirista norueguesa reconta a fábula de Cinderela pelos olhos de uma de suas irmãs malvadas neste título indicado ao Oscar na categoria de maquiagem e cabelos. Elvira (papel de Lea Myren), é mesquinha, invejosa e até sádica. Mas essa garota também sofre. Em um mundo obcecado pela beleza, ela se acha feia e acima do peso que a sua mãe considera ideal. Para ter chance de atrair o príncipe, a protagonista de A Meia-Irmã Feia se submete a cirurgias dolorosas e dietas muito excêntricas. Vale avisar: o filme não tem pudor de mostrar cenas grotescas. (MUBI)
43) Obsessão (2025)

De Curry Barker. O filme sobre a paixão de Bear (personagem de Michael Johnston) por Nikki (Inde Navarrette, em atuação espantosa), sua colega de trabalho em uma loja de instrumentos musicais, tem uma atmosfera é sufocante, ainda que aqui e ali haja alívio cômico. As cenas de violência são comedidas na quantidade, mas não na intensidade: o choque jamais se torna anestesiante pela repetição. Há pelo menos um susto capaz de fazer pular na poltrona. E a trama parte de um alerta clássico do gênero — "tenha cuidado com o que você deseja" — para realçar o horror de um drama muito real e presente: os relacionamentos tóxicos. (Em cartaz nos cinemas)
44) Pecadores (2025)

De Ryan Coogler. A trama de Pecadores começa em um dia qualquer de 1932, no Estado do Mississippi, onde, naquela época, ainda vigoravam as Leis de Jim Crow, que impunham a segregação racial. Encarnados por Michael B. Jordan, vencedor do Oscar de melhor ator, os gêmeos Fumaça e Fuligem regressaram de Chicago, onde eram gângsteres, para abrir um juke joint — nome dado aos clubes noturnos de música, dança, comida, bebida e jogos de azar que eram administrados e frequentados por negros. Enquanto preparam a inauguração, surge em cena o vampiro Remmick (Jack O'Connell), que serve como alegoria de como a sociedade majoritariamente branca dos EUA vampiriza e se apropria da cultura produzida pela minoria negra. (HBO Max)
45) Sob o Domínio (2025)

De Julio Cesar Napoli. Com apenas R$ 3 mil, o diretor carioca fez um filme fascinante e sinistro sobre possessão, ceticismo, hipocrisia e tentação. A personagem principal de Sob o Domínio é uma psicóloga, Cris, interpretada com despudor por Raquel Monteiro. Na cena de abertura, a protagonista está ouvindo o relato de um paciente, o padre Paulo (João Santucci, cativante no papel), que, na infância, queria ser policial, mas não pensou nos horrores que teria de ver. Aí, ele conta sobre um bebê decapitado encontrado na praia, diz que aquilo não sai da sua cabeça e que, de alguma forma, se sente responsável por aquela morte chocante. (Foi exibido no Fantaspoa e não tem previsão de estreia)
46) Extermínio: O Templo dos Ossos (2026)

De Nia daCosta. O Templo dos Ossos é a continuação direta de Extermínio: A Evolução (2025), que, por sua vez, é a sequência oficial de Extermínio (2002). Após ser salvo dos zumbis pelo grupo liderado por Jimmy Crystal, o menino Spike (Alfie Williams) descobre que o personagem interpretado por Jack O'Connell é um satanista que diz ser filho do Diabo e que criou uma espécie de religião para exercer o poder e cometer barbaridades. Já o médico Ian Kelson (Ralph Fiennes, em atuação magnetizante) é um ateu que usa os conhecimentos científicos para dar um senso de ordem no caos. Mais do que isso: tenta estabelecer uma ponte com os infectados, quem sabe um diálogo. Se Jimmy é o ódio e a punição, Kelson é a esperança e a fraternidade. (HBO Max)
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