
O Dia do Cinema Brasileiro é comemorado em duas datas. O 5 de novembro lembra a exibição pública inaugural: em 1896, foram projetados oito curtas-metragens para a elite do Rio de Janeiro, na Rua do Ouvidor.
No dia 19 de junho de 1898, o ítalo-brasileiro Affonso Segretto, a bordo de um navio, registrou as primeiras imagens em movimento no país: sua chegada à Baía da Guanabara.
Para celebrar esta data, fiz uma lista com 19 dos melhores filmes brasileiros disponíveis no streaming.
A ordem é apenas cronológica. Clique nos links se quiser saber mais.
1) Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)

De Glauber Rocha. Um dos filmes mais importantes do Cinema Novo, acompanha Manuel e Rosa, vividos por Geraldo Del Rey e Yoná Magalhães, depois que o camponês mata o patrão e foge pelo sertão nordestino. A travessia aproxima o casal de figuras como o beato Sebastião e o cangaceiro Corisco, em uma história sobre a opressão dos coronéis, o fanatismo religioso e a revolta popular. Como escreveu o crítico Daniel Feix, "a inspiração na literatura de cordel foi o caminho para explorar o lado místico daquelas relações sociais. Acabou sendo fundamental para dar transcendência ao filme e dotá-lo de uma eterna e inabalável atualidade". Outro crítico, André Setaro, apontou a modernidade da narrativa: "Deus e o Diabo na Terra do Sol instaura um novo paradoxo estético ao conjugar várias influências", que vão da tragédia grega ao faroeste, de Eisenstein a Kurosawa e Buñuel. (Tela Brasil)
2) São Paulo Sociedade Anônima (1965)

De Luiz Sérgio Person. Gaúcho de Alegrete, o ator Walmor Chagas interpreta Carlos, um jovem de classe média que tem carreira ascendente na emergente indústria automobilística nacional. O vácuo existencial leva o protagonista a abandonar o emprego, o filho pequeno e a esposa (Eva Wilma). São Paulo Sociedade Anônima continua atual tanto por sua linguagem narrativa e sua estética quanto pelo retrato da desumanização do trabalho e da alienação urbana. (Tela Brasil)
3) A Hora da Estrela (1985)

De Suzana Amaral. Adaptação do romance homônimo de Clarice Lispector, o filme revelou para o mundo uma das maiores atrizes brasileiras, a paraibana Marcélia Cartaxo, que tinha 21 anos. No papel de Macabéa, jovem nordestina que enfrenta precariedades e a solidão em São Paulo, ela ganhou o Urso de Prata no Festival de Berlim. (Tela Brasil)
4) Carlota Joaquina, Princesa do Brasil (1995)

De Carla Camurati. Marco da retomada do cinema nacional nos anos 1990, é uma cinebiografia da mulher de personalidade forte (vivida por Marieta Severo) que alcançou o posto de Imperatriz do Brasil entre 1825 e 1826. (Netflix)
5) Central do Brasil (1998)

De Walter Salles. Conta a história do menino Josué (Vinícius de Oliveira), que, depois da morte de sua mãe, inicia uma jornada para reencontrar o pai que ele não conhece. No seu caminho aparece Dora (Fernanda Montenegro), uma professora aposentada que sobrevive escrevendo cartas para analfabetos na estação carioca. Ganhou o Urso de Ouro de melhor filme e o Urso de Prata de melhor atriz no Festival de Berlim, recebeu o Globo de Ouro de longa estrangeiro e concorreu ao Oscar nas categorias de filme internacional e melhor atriz. (Netflix e Telecine)
6) Bicho de Sete Cabeças (2000)

De Laís Bodanzky. Em grande atuação, Rodrigo Santoro estrela este drama pungente baseado em relato autobiográfico de Austregésilo Carrano Bueno. O tema são os abusos cometidos contra dependentes químicos internados em hospitais psiquiátricos. (MUBI e Netflix)
7) Cidade de Deus (2002)

De Fernando Meirelles. O filme brasileiro que se tornou um marco no cinema mundial faz um mosaico sobre o surgimento, o desenvolvimento e a hegemonia do tráfico de drogas em um conjunto habitacional da zona oeste do Rio, entre os anos 1960 e 1980. (HBO Max e Netflix)
8) Edifício Master (2002)

De Eduardo Coutinho. O diretor visita 37 moradores de um prédio de classe média com 276 apartamentos localizado em Copacabana, no Rio. Os personagens compartilham suas histórias de vida, suas pequenas alegrias e suas perenes frustrações. É o documentário que eu levaria para uma ilha deserta. (Netflix e DOC Canal Brasil)
9) O Homem que Copiava (2003)

De Jorge Furtado. Na zona norte de Porto Alegre, o jovem André (Lázaro Ramos) falsifica uma nota de R$ 50 para comprar um presente na loja onde trabalha seu amor platônico, Sílvia (Leandra Leal) — enquanto o hilariante Cardoso (Pedro Cardoso) faz de tudo para seduzir a lindíssima Marinês (Luana Piovani). Nesta colagem de gêneros e de referências, o diretor tirou do esquecimento um monumento histórico da Capital. (Netflix)
10) Quase Dois Irmãos (2004)

De Lúcia Murat. Estrelado por Caco Ciocler e o gaúcho de Santa Maria Flávio Bauraqui, Quase Dois Irmãos mostra os bastidores do surgimento do Comando Vermelho (à época ainda sob o nome de Falange Vermelha) a partir da aproximação entre presos políticos dos tempos da ditadura militar e criminosos comuns das favelas cariocas no Presídio da Ilha Grande, no Rio de Janeiro. (Reserva Imovision, ue tem 7 dias de teste grátis no Amazon Prime Video, e Tela Brasil)
11) Cinema, Aspirina e Urubus (2005)

De Marcelo Gomes. É um dos filmes que marcaram a ascensão do cinema pernambucano. A trama de Cinema, Aspirina e Urubus se passa em 1942 e acompanha o convívio entre um mascate alemão fugido da Segunda Guerra Mundial (papel de Peter Ketnath) e um retirante (personagem de João Miguel) que deseja driblar a fome e a miséria seguindo em direção ao Rio de Janeiro. (Amazon Prime Video e Tela Brasil)
12) Elena (2012)

De Petra Costa. Trata-se do poético inventário de um prolongado luto. Ao recriar os passos da sua irmã mais velha, Elena, e tentar compreender os caminhos, desvios e o atalho por ela tomados, a diretora mineira revive uma dor que trazia entranhada desde os sete anos. Em Nova York, onde a mana sonhava em seguir carreira de atriz, a documentarista percorre ruas e lugares guiada pelos relatos em fitas cassete enviados à família. O passado ressurge em filmes e vídeos caseiros que atestam a amorosa relação entre as duas irmãs. Cenas dramatizadas, como as de Petra e sua mãe boiando sobre a água, sublinham elementos elegíacos e etéreos. (Netflix e DOC Canal Brasil)
13) Que Horas Ela Volta? (2015)

De Anna Muylaert. Mostra a relação e os conflitos entre patrões e domésticas. Em uma atuação arrebatadora, Regina Casé interpreta Val, empregada em uma casa de classe média alta em São Paulo. Ela é "da família", mas quando sua filha chega de Pernambuco para prestar vestibular, a garota começa a questionar a desigualdade social e a não se conformar com as interdições – nem sempre explícitas – impostas pela elite. Jéssica (Camila Márdila) não sabe nem quer saber de "seu lugar": ao contrário da mãe, ela já entende que a sociedade não é estática. (Netflix e Telecine)
14) A Vida Invisível (2019)

De Karim Aïnouz. No Rio de Janeiro dos anos 1950, a jovem Eurídice (Carol Duarte) é uma pianista talentosa e reprimida. Suas aventuras sexuais são as da irmã, Guida (Júlia Stockler), que lhe conta sobre os avanços íntimos de um marinheiro grego. Uma protege a outra, e só se separam quando Eurídice, tocando seu piano, acoberta as escapadas noturnas de Guida. Até que um dia a separação se agiganta. Antes cúmplices, as irmãs tornam-se invisíveis uma para a outra. (HBO Max e Netflix)
15) Marte Um (2022)

De Gabriel Martins. Ambientado em Contagem, o terceiro município mais populoso de Minas Gerais, Marte Um começa em 28 de outubro de 2018, dia da eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência. A partir daí, acompanhamos os sonhos e os perrengues de uma família negra da periferia: o porteiro Wellington (Carlos Francisco), a faxineira Tércia (Rejane Faria), a jovem Nina (Camilla Damião) e o menino Deivid (Cícero Lucas), que é um craque do futebol de várzea, mas sonha em ser astrofísico. (Telecine)
16) Ainda Estou Aqui (2024)

De Walter Salles. É o filme que trouxe o Oscar para o Brasil. Vencedora do Globo de Ouro e indicada ao Oscar de melhor atriz, Fernanda Torres abraça a contenção, equilibrando estoicismo e esperança ao encarnar Eunice Paiva, mulher que, após o desaparecimento do marido, o engenheiro civil e deputado federal cassado Rubens Paiva (papel de Selton Mello), durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985), é obrigada a se reinventar e traçar um novo destino para si e seus cinco filhos. (Globoplay)
17) Oeste Outra Vez (2023)
De Erico Rassi. Filmado na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, é o faroeste dos homens tristes, dos homens patéticos, dos homens que não conseguem falar sobre seus sentimentos. Na trama de Oeste Outra Vez, Totó (Ângelo Antônio), inconformado pelo fato de a mulher que ama estar agora com outro homem, contrata um velho pistoleiro para tentar matar Durval (Babu Santana). (Telecine)
18) O Agente Secreto (2025)

De Kleber Mendonça Filho. O Oscar não veio, mas o thriller político protagonizado por Wagner Moura é o filme brasileiro mais premiado na história. A trama se passa em Recife, em 1977, onde o cineasta reflete sobre memória e esquecimento, sobre opressão e resistência, sobre como acontecimentos do período da ditadura militar no Brasil reverberam ainda hoje no país — quantas histórias foram mal contadas? Quantas biografias merecem ser reparadas? (Netflix)
19) Homem com H (2025)

De Esmir Filho. Protagonizada por Jesuíta Barbosa, a cinebiografia reafirma que Ney Matogrosso sempre foi um símbolo da luta contra a caretice e da defesa apaixonada de uma liberdade infinita, seja na vida artística, seja na vida pessoal. Mas Homem com H também mostra como a trajetória do cantor espelhou a do próprio Brasil, oprimido pela ditadura militar e por preconceitos sociais. (Netflix)
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