
De olho no fim de semana, fiz uma lista que destaca séries da HBO Max, plataforma que costuma ser a campeã de conquistas no Emmy, a mais importante premiação dos Estados Unidos.
Selecionei somente títulos que podem ser maratonados em apenas um dia, sem atrapalhar o sono ou o trabalho, pois têm no máximo sete episódios.
Ficaram de fora da relação, portanto, minisséries longas, como Watchmen (2019), que recebeu 11 Emmys, ou seriados com várias temporadas, como o clássico Família Soprano (1999-2007), ganhadora de 21 troféus, ou a recente The Pitt, que foi a grande surpresa na última edição da premiação.
A ordem é só cronológica. Clique nos links se quiser saber mais.
1) Angels in America (2003)

Baseada em um espetáculo da Broadway escrito por Tony Kushner e dirigida pelo cineasta Mike Nichols (de A Primeira Noite de um Homem e Closer), faturou 11 prêmios no Emmy, incluindo os de melhor minissérie, ator (Al Pacino) e atriz (Meryl Streep). Aborda o início da propagação da Aids nos EUA, na metade dos anos 1980, quando a doença era tratada como um problema de gays e dependentes químicos e suas vítimas sofriam com o preconceito e o sentimento da morte inevitável.
Pacino faz o papel de um poderoso homem da política que é homofóbico e tem o vírus HIV. Através de sonhos e alucinações, vários personagens, reais e imaginários, interagem, como os anjos interpretados por Streep, Jeffrey Wright e Emma Thompson. (6 episódios)
2) Mildred Pierce (2011)

O cineasta Todd Haynes (de Longe do Paraíso, Carol e Segredos de um Escândalo) assina esta nova e marcante adaptação do romance lançado em 1941 por James M. Cain que deu origem ao filme Alma em Suplício (1945).
A história se passa durante a Grande Depressão nos EUA. Mildred (Kate Winslet, arrasadora como de hábito) é uma mulher jovem recém divorciada que abre seu próprio restaurante e se apaixona por outro homem, Monty Beragon (Guy Pearce), enquanto tenta ganhar o amor de sua filha mais velha, a mimada e narcisista Veda (Evan Rachel Wood). Conquistou cinco Emmys, incluindo melhor atriz e ator coadjuvante. (5 episódios)
3) Olive Kitteridge (2014)

Não apenas em sala de aula mas também no ambiente familiar, a professora Olive dá ordens e mantém um olhar amargurado, que afeta principalmente seu marido, um farmacêutico pacato, e o filho.
Essa é a protagonista de Olive Kitteridge, adaptação de um romance homônimo de Elizabeth Sprout dirigida pela cineasta Lisa Cholodenko, de Minhas Mães e Meu Pai (2010). Foi um arraso no Emmy, levando oito prêmios: melhor minissérie, direção, atriz (Frances McDormand), ator (Richard Jenkins), ator coadjuvante (Bill Murray), roteiro (Jane Anderson), elenco e edição. (8 episódios)
4) Chernobyl (2019)

Criada por Craig Mazin, apresenta uma versão ficcional do pior acidente nuclear da história, o da usina de Chernobyl, ocorrido entre 25 e 26 de abril de 1986 perto da cidade de Pripyat, na Ucrânia. Ao reconstituir suas consequências imediatas e as primeiras ações tomadas pelo governo soviético, a obra ganhou assustadora atualidade durante a pandemia: cenas e falas parecem refletir o que vimos e ouvimos desde o surgimento do coronavírus.
Chernobyl arrebatou 10 prêmios Emmy, incluindo melhor minissérie, e concorria a outros nove, entre eles ator (Jared Harris, no papel do renomado químico Valery Legasov), atriz coadjuvante (Emily Watson, como a fictícia cientista Ulana Khomyuk) e ator coadjuvante (Stellan Skarsgård, que interpretou Boris Shcherbina, vice-presidente do Conselho de Ministros da URSS de 1984 a 1989, designado para supervisionar a gestão da crise). O elenco multifacetado — que inclui Jessie Buckley como a esposa grávida de um bombeiro e Paul Ritter como o engenheiro que comandou o fatídico teste na usina — permite enxergarmos as dimensões científica, política e humana do desastre. (5 episódios)
5) The Plot Against America (2020)

Esta minissérie distópica adapta o romance O Complô Contra a América, do escritor Philip Roth. Foi criada por David Simon e Ed Burns e tem no elenco John Turturro, Winona Ryder e Morgan Spector.
Na trama, um candidato alinhado a Adolf Hitler ganha democraticamente as eleições presidenciais de 1940. O discurso usado pelo aviador Charles Lindbergh (papel de Ben Cole) é antiguerra: seu opositor, Franklin D. Roosevelt, se meteria no conflito europeu contra os nazistas e condenaria à morte milhares de jovens. Por isso, Lindbergh atrai uma multidão de gente de bem que, sabendo ou não, acaba comprando junto um mandatário muito próximo do antissemitismo. (6 episódios)
6) Mare of Easttown (2021)

Fascinada com o "quem foi" da minissérie criada por Brad Inglesby, a atriz Kate Winslet ressaltou que embarcou no projeto porque "não é só a história de um crime". De fato, o crime descoberto no primeiro capítulo é chocante e misterioso, mas serve sobretudo como catalisador dos dramas pessoais e familiares em cidadezinha dos EUA. A morte traz à tona relações e segredos guardados em vida, imagem reforçada pela ambientação numa estação fria, que obriga os personagens a se esconderem atrás de casacos, mantas e gorros. E — até o final — todos têm o que ocultar ou algo do que não gostam de falar.
Praticamente perfeita, Mare of Easttown venceu os Emmys de melhor atriz (Winslet, também premiada no Globo de Ouro), ator coadjuvante (Evan Peters), atriz coadjuvante (Julianne Nicholson) e design de produção. (7 episódios)
7) Scenes From a Marriage (2021)

O diretor e roteirista israelense Hagai Levi encarou o desafio de modernizar a célebre série de televisão criada pelo cineasta sueco Ingmar Bergman. Na nova versão de Cenas de um Casamento (1973), Oscar Isaac e Jessica Chastain interpretam Jonathan e Mira, que estão juntos há 10 anos e têm uma filhinha. Ele é professor de filosofia e passa a maior parte do tempo em casa. Ela trabalha na área de tecnologia e responde pela maior parte do orçamento familiar.
Como no original, Jonathan e Mira são procurados para dar uma entrevista na condição de um casal considerado exemplar. Mas logo nos primeiros minutos da conversa, começam a aparecer fissuras e ressentimentos. Não é à toa que cada um dos episódios mostra, no início, bastidores da produção: é como se o realizador quisesse reforçar o caráter de personagem assumido pelos integrantes de um relacionamento. (5 episódios)
8) A Cidade É Nossa (2022)

Não chega a ser uma continuação de The Wire. Mas esta minissérie também foi criada pelo ex-repórter policial David Simon (aqui, na companhia do escritor George Pelecanos); também se passa em Baltimore, cidade no Estado de Maryland que é, estatisticamente, uma das mais violentas no mundo; e também retrata a atuação da polícia local. Enquanto alguns tentam fazer alguma coisa contra o narcotráfico e o crime organizado, mesmo sabendo que suas chances estão entre mínimas e nenhuma, outros apostam na truculência e/ou enveredam para a corrupção.
Dirigida por Reinaldo Marcus Green, A Cidade É Nossa tem uma estrutura narrativa que requer atenção, com vários núcleos de personagens e alternâncias não muito claras entre o passado e o presente. Mas a recompensa é alta para quem curte histórias sobre os meandros policiais. O elenco, que inclui David Corenswet, o novo Superman, é uma atração à parte: Jon Bernthal interpreta o sujo sargento Wayne Jenkins, figura central no força-tarefa do combate às armas. Wunmi Mosaku é Nicole Steele, uma advogada designada pela Justiça federal para apurar casos de desrespeito aos direitos civis. Jamie Hector faz Sean Suiter, um detetive de Homicídios que acaba se envolvendo com Jenkins. Josh Charles encarna Daniel Hersl, sobre o qual pesam várias denúncias de maus-tratos. E Dagmara Dominczyk está no papel de Erika Jensen, uma agente do FBI que investiga as ações de Jenkins e companhia. (6 episódios)
9) Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente (2025)

Estrelada por Johnny Massaro, Bruna Linzmeyer, Ícaro Silva e Andréia Horta, a produção escrita por Patricia Corso e Leonardo Moreira e dirigida por Marcelo Gomes e Carol Minêm se passa na década de 1980 e reconstitui o início da epidemia de HIV no Brasil. Era um tempo no qual a aids ainda era rotulada como "câncer gay" ou "peste homossexual", gerando muito estigma: os infectados eram tratados praticamente como párias, e o diagnóstico era como uma sentença de morte.
Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente é baseada em uma história que teria começado dentro da Varig, então a maior companhia aérea do país. Ao ver amigos e colegas adoecerem sem acesso ao tratamento e diante da negligência das autoridades, comissários de bordo iniciaram uma operação arriscada para trazer ilegalmente ao Brasil o medicamento AZT, que só era vendido nos EUA. (5 episódios)
10) Task (2025)

A minissérie foi criada por Brad Ingelsby, o mesmo de Mare of Easttown (2021). Task também se passa nos subúrbios da Filadélfia, no Estado da Pensilvânia, nos EUA, e de novo foca a classe trabalhadora. Outra vez, o protagonista é um policial com problemas familiares. Mas a série anterior era sobre mães, e Task é sobre pais.
Tom Brandis (papel de Mark Ruffalo) é um ex-padre católico que virou agente do FBI e que agora atua como recrutador nas universidades — ele se afastou do trabalho de campo após uma tragédia em seu lar. Um dia, porém, Tom é convocado para chefiar uma força-tarefa que investiga uma série de assaltos a casas de drogas comandadas pela gangue de motoqueiros Dark Hearts. Quem está por trás dos roubos é Robbie Prendergrast (Tom Pelphrey), que mora na casa de seu falecido irmão com seus dois filhos pequenos e sua sobrinha, Maeve. (7 episódios)
11) DTF St. Louis (2026)

Steven Conrad criou esta obra muito singular que subverte expectativas e nos convida a olhar pelo buraco da fechadura — ou, mais precisamente, por uma fresta do armário. Parece que vamos assistir a um mistério policial: dois detetives, Homer (Richard Jenkins), um homem velho e branco, e Jodie Plumb (Joy Sunday), uma mulher jovem e negra, juntam forças para investigar a morte ocorrida no vestiário de uma piscina pública de Twyla, um subúrbio fictício da cidade de St. Louis, no Missouri.
Aos poucos, em uma narrativa não linear que vai e volta no tempo, revisita cenários e revê momentos por outros ângulos, eles descobrem um triângulo amoroso entre três adultos: Floyd Smernitch (David Harbour), que trabalha como intérpreta da língua de sinais americana; Carol (Linda Cardellini), sua esposa; e Clark Forrest (Jason Bateman), um famoso meteorologista da TV. Também descobrem que o crime está ligado a um aplicativo de encontros que dá nome à minissérie. À medida que a história avança (ou retrocede), percebemos que a premissa do assassinato é só um disfarce para um mergulho profundo mas sensível na solidão masculina, na crise da meia-idade, no confronto entre expectativas e realidade, nas vicissitudes familiares e na sexualidade de todos nós. Misturando melancolia com um senso de humor peculiar, DTF St. Louis oferece um espelho que nos lembra: de perto, ninguém é normal. (7 episódios)
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