
O Frio da Morte (Dead of Winter, 2025) é uma surpresa na filmografia da atriz britânica Emma Thompson, 67 anos, ganhadora do Oscar por Retorno a Howard's End (1992) e indicada por Em Nome do Pai (1993), Vestígios do Dia (1993) e Razão e Sensibilidade (1995) — título que valeu a ela o troféu de melhor roteiro adaptado na premiação da Academia de Hollywood.
Estamos acostumados a vê-la em dramas de época ou em comédias românticas, como a recente Boa Sorte, Leo Grande (2022), pela qual concorreu ao Globo de Ouro. Agora, Thompson surge fazendo cenas de ação — talvez pela primeira vez em sua carreira.
Disponível no Amazon Prime Video desde sexta-feira (19), O Frio da Morte é o segundo longa-metragem dirigido pelo irlandês Brian Kirk, que antes assinou o policial Crime Sem Saída (2019) e episódios de séries como Game of Thrones (em 2011), Penny Dreadful (em 2015) e O Dia do Chacal (2024). O filme marca a estreia como roteiristas do ator Dalton Leeb e do compositor musical Nicholas Jacobson-Larson.
Esta mistura de suspense e ação se passa no norte do Minnesota, nos EUA, mas foi filmada na Finlândia e na Alemanha. O principal cenário é um fictício lago congelado, o Hilda.
Emma Thompson interpreta a viúva Barb, que mora em uma cabana remota onde cultiva as memórias do marido, Karl. Um dia, ela resolve visitar o Lago Hilda, local do primeiro encontro amoroso do casal, como mostram os flashbacks que se intercalam com a história principal.
Ao se perder nas estradas vicinais que cortam uma paisagem coberta por neve, a protagonista depara com um sujeito suspeito, personagem encarnado por Marc Menchaca — ator que fez o aterrador vilão de Sozinha (2020).

Não é spoiler dizer que logo Barb vai descobrir que esse homem e uma mulher — papel de Judy Greer, de Halloween (2018) e Halloween Kills (2021) — estão mantendo uma jovem como refém. A partir daí, a personagem de Emma Thompson terá de lutar para salvar a moça e pela própria vida.
O roteiro tem suas inverossimilhanças (a motivação e o planejamento do crime são muito mirabolantes) e suas conveniências — Barb fala consigo mesma, para expor e explicar pensamentos e ações. O filme é esquecível, mas pelo menos é curto (98 minutos), explora bem as estratégias de combate e de sobrevivência em ambientes glaciais e conta com uma trilha sonora que realmente empresta tensão às cenas — cortesia do alemão Volker Bertelmann, vencedor do Oscar por Nada de Novo no Front (2022) e indicado por Lion (2016) e Conclave (2024).

As cenas de ação merecem destaque. São realistas — aliás, consta que o frio extremo da Finlândia não era de mentirinha — e viscerais. Emma Thompson não encarna uma heroína do gênero, mas uma mulher comum que, de repente, vê-se obrigada a usar seu corpo, sua experiência e até ferramentas e objetos domésticos para enfrentar vilões.
Uma curiosidade: durante as filmagens de uma sequência de luta, a atriz levou um soco acidental no rosto, resultando em um olho roxo real que a equipe de maquiagem teve de camuflar para as cenas seguintes.
É assinante mas ainda não recebe minha carta semanal exclusiva? Clique aqui e se inscreva na newsletter
Assista aos vídeos Dica do Ticiano no YouTube: clique aqui
Já conhece o canal da coluna no WhatsApp? Clique aqui: gzh.rs/CanalTiciano


