
Estreou na sexta-feira (26) na HBO Max um filme sobre gêmeos que não tem par, que é do tipo um em um milhão, que é incomparável. Trata-se de Twinless: Um Gêmeo a Menos (2025), produção independente escrita, dirigida e estrelada por James Sweeney, que divide o protagonismo com Dylan O'Brien.
Surpreendente — por isso, a sinopse será descrita com discrição — e sensível, Twinless ganhou o troféu do público no Festival de Sundance, onde o júri concedeu um prêmio especial para a atuação de O'Brien — ator visto na série Teen Wolf (2011-2017), na trilogia Maze Runner (2014, 2015 e 2018) e no "terrir" Socorro! (2026). No Independent Spirit Awards, o título recebeu três indicações: melhor filme, melhor performance protagonista e melhor roteiro.
Este é o segundo longa-metragem de James Sweeney. O primeiro, chamado nos EUA de Straight Up, ganhou no Brasil um nome que sugere haver um díptico formado com Twinless: Almas Gêmeas. A semelhança entre os cartazes reforça essa aproximação: em ambos, os dois personagens principais aparecem lado a lado e sobre um fundo colorido.
Também disponível na HBO Max, Almas Gêmeas é uma comédia romântica sobre Todd (papel do próprio James Sweeney), um jovem com transtorno obsessivo compulsivo (TOC), e Rory (Katie Findlay) uma aspirante a atriz. Quando os dois se conhecem, surge uma grande sintonia, e os dois decidem morar juntos, mas é um namoro sem contato físico. Talvez ele seja gay, talvez ela não se importe. O filme discute sexualidade, heteronormatividade, busca por identidade, dependência emocional e a solidão dos millennials.

Esses temas são retomados em Twinless, que acrescenta à equação o luto, e o filme também retrata o nascimento de uma conexão entre dois jovens.
A trama se passa em Portland, no Oregon, onde Dylan O'Brien interpreta Roman, um cara meio bronco que enfrenta uma solidão profunda e um luto doloroso por causa da trágica morte de seu irmão gêmeo, Rocky. Na tentativa de aplacar o sofrimento, ele resolve participar de um grupo de apoio dedicado a gêmeos enlutados. Lá, conhece o irônico e inseguro Dennis (personagem de James Sweeney), irmão do falecido Dean e colega de escritório da recepcionista Marcie (vivida por Aisling Franciosi, uma doce coadjuvante).
Roman é hétero, Dennis é gay, mas logo os dois começam a desenvolver uma amizade visceral. Estão sempre juntos em tarefas corriqueiras, como fazer compras no mercado, e frequentemente um telefona para o outro na madrugada. Um precisa do outro, um completa o outro, e essa interdependência é realçada visualmente pelo diretor James Sweeney, que emprega espelhos, reflexos e divisões de telas em várias cenas.

Aí, quando finalmente surgem os créditos de abertura, o filme recua no tempo para revelar fatos e sentimentos que alteram nosso entendimento sobre os personagens e suas motivações.
Essa sequência em flashback quebra expectativas e transforma Twinless em outro filme. O que parecia ser somente uma comédia dramática ganha contornos sombrios e até pesados, embora nunca deixe de oferecer humor e afeto ao retratar como seus protagonistas lidam com as perdas, os arrependimentos e o vazio emocional.
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