
A Cinemateca Capitólio abre na terça-feira (16) uma das principais atrações de sua programação em 2026. Com entrada franca, a mostra A Cinemateca É Brasileira: Da Comédia ao Drama reúne 23 filmes nacionais de diferentes épocas, em uma seleção que atravessa clássicos restaurados e produções recentes.
A proposta da mostra é percorrer diferentes momentos do cinema brasileiro. Até o dia 12 de julho, o público poderá assistir, por exemplo, a Candinho (1953), de Abílio Pereira de Almeida, um dos grandes sucessos protagonizados pelo comediante Mazzaropi (a primeir sessão será nesta quarta, dia 17, às 15h), e a Branco Sai, Preto Fica (2014), mistura de documentário e ficção científica assinada por Adirley Queirós que discute a violência de Estado contra a população negra (veja datas e horários logo abaixo).
Também poderá ver O Estranho Mundo de Zé do Caixão (1968), de José Mojica Marins, com sessões em 24/6, às 19h, 8/7, às 15h, e 12/7, às 19h, e a animação O Menino e o Mundo (2013), de Alê Abreu, que concorreu ao Oscar e terá exibições no dia 20, às 15h, e em 12/7, às 15h.
A seleção funciona como um panorama de como o cinema brasileiro mudou — e continuou se reinventando — ao longo das décadas. A curadoria é da Cinemateca Brasileira, parceira da programação que seguirá em cartaz até julho.
Entre os demais títulos, estão Amei um Bicheiro (1952), policial dirigido por Jorge Ileli e Paulo Wanderley e estrelado por Cyl Farney, Eliana, Grande Otelo e José Lewgoy, com sessões nos dias 18/6, às 15h, 3/7, às 17h, e 8/7, também às 17h; e Morto Não Fala (2018), terror rodado em Porto Alegre por Dennison Ramalho, com Daniel de Oliveira, Fabíula Nascimento, Marco Ricca e Bianca Comparato no elenco. As exibições serão no dia 18, às 19h, e no dia 10 de julho, às 15h.
A seguir, confira seis destaques da programação:
A Hora e Vez de Augusto Matraga (1965)

Dirigido por Roberto Santos. Baseado no conto de João Guimarães Rosa, acompanha Augusto Matraga, vivido por Leonardo Villar, um fazendeiro violento que é dado como morto depois de uma emboscada. Resgatado por um casal de lavradores, tenta reconstruir a vida pela fé, mas a brutalidade que deseja abandonar continua à espreita. Com trilha de Geraldo Vandré, o filme transforma o sertão em espaço de queda, penitência e dúvida. Sessões no dia 17/6, às 19h, e no dia 10/7, às 19h.
Roberto Carlos em Ritmo de Aventura (1968)

Dirigido por Roberto Farias. Lançado no auge da Jovem Guarda, acompanha Roberto Carlos interpretando uma versão ficcional de si mesmo em uma trama que mistura música, perseguições, sequestro e espionagem. O filme virou um retrato de época do fenômeno popular que o cantor representava nos anos 1960 e permanece como uma das produções brasileiras mais associadas ao imaginário da cultura pop nacional. Sessões no dia 21/6, às 19h, no dia 3/7, às 19h, e no dia 9/7, às 15h.
São Bernardo (1972)

Dirigido por Leon Hirszman. A abertura da mostra A Cinemateca É Brasileira: Da Comédia ao Drama será com a adaptação do romance homônimo escrito por Graciliano Ramos. No filme, Othon Bastos vive Paulo Honório, homem de origem pobre que ascende socialmente, assume a fazenda São Bernardo e tenta organizar a vida como quem administra uma propriedade. O casamento com Madalena, interpretada por Isabel Ribeiro, revela o limite de um personagem acostumado a dominar tudo ao redor, menos aquilo que escapa à sua lógica de posse. Sessões nesta terça, 16/6, às 19h, e no dia 11/7, à 19h.
Branco Sai, Preto Fica (2014)

Dirigido por Adirley Queirós. "Branco sai, preto fica" foi a frase dita por um dos policiais que invadiram um baile de black music em Ceilândia, no Distrito Federal, em 1986. De forma inventiva, misturando documentário com ficção científica, o diretor apresenta um contundente painel sobre a desigualdade racial no Brasil. Sessões no dia 23/6, às 19h, no dia 3/7, às 15h, e no dia 12/7, às 17h.
Que Horas Ela Volta? (2015)

Dirigido por Anna Muylaert. Premiado nos festivais de Berlim e de Sundance, acompanha a chegada de Jéssica (papel de Camila Márdila) à casa onde a mãe, Val, interpretada por Regina Casé, trabalha como empregada doméstica. A presença da jovem desorganiza pactos silenciosos de afeto, classe e obediência que sustentavam aquela rotina. Sessões no dia 23/6, às 15h, e no dia 7/7, às 17h.
A programação completa da mostra será divulgada a cada semana no perfil da Cinemateca Capitólio no Instagram. As sessões ocorrem na Rua Demétrio Ribeiro, 1.085, no Centro Histórico de Porto Alegre.
*Colaborou João Vítor Debiasi
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