
A Netflix acaba de adicionar ao seu menu uma das três comédias do século 21 que me fizeram chorar de tanto rir no cinema: O Virgem de 40 Anos (The 40-Year-Old Virgin, 2005) — as outras duas são o primeiro Borat (2006) e o primeiro Se Beber, Não Case! (2009).
Obviamente, as piadas do filme são carregadas de conteúdo sexual. Mas O Virgem de 40 Anos é muito mais do que um besteirol apimentado, como o título pode sugerir aos incautos.
Tanto é que apareceu na tradicional lista dos 10 melhores filmes do ano elaborada pelo respeitado American Film Institute. O Virgem de 40 anos era como um estranho no ninho em uma temporada célebre por assuntos sérios — o terrorismo (Munique), a indústria do petróleo (Syriana), o racismo (um dos temas centrais de Crash), o preconceito sexual (O Segredo de Brokeback Mountain), a perseguição política (Boa Noite e Boa Sorte).
No filme dirigido por Judd Apatow, o humor rasteiro coexiste com uma sensibilidade incomum no filão. O protagonista é interpretado por Steve Carell, que coescreveu o roteiro e que até então era conhecido por papéis secundários no programa de TV Saturday Night Live e em filmes como O Âncora (2004).
A partir de 2005, com o sucesso de O Virgem de 40 Anos, que custou US$ 26 milhões e faturou US$ 177,3 milhões nas bilheterias, e a estreia da série The Office, na qual encarnou o impagável chefe sem-noção Michael Scott, Carell se tornaria um dos reis da comédia em Hollywood. O filme também deu impulso às carreiras dos atores Seth Rogen e Elizabeth Banks.
Qual é a trama de "O Virgem de 40 Anos"?

Tema sempre recorrente nas comédias adolescentes hollywoodianas, a primeira transa ganha uma abordagem diferente em O Virgem de 40 Anos. Se pelo olhar juvenil é motivo de afobação, para um adulto quarentão é motivo de resignação.
O personagem de Steve Carell é o introvertido Andy Stitzer, dono de uma enorme coleção de bonecos de super-heróis e empregado do estoque de uma loja de eletrônicos, onde pode se manter longe do contato com as pessoas. Como passou o tempo, Andy explica, a virgindade não o incomoda mais, embora ainda sonhe com um relacionamento — seu alvo é uma mãe solteira (Catherine Keener) que trabalha na loja em frente.
Quando os colegas descobrem o segredo de Andy, tomam como missão ajudá-lo a fazer sexo. E aí seremos brindados com piadas que podem corar os mais pudicos, o diálogo "Sabe como eu sei que você é gay?" (com Seth Rogen e Paul Rudd), uma ressignificação do hit oitentista Hello, de Lionel Richie, e uma das cenas mais antológicas das comédias contemporâneas. É aquela da depilação.

O peito de Steve Carell foi efetivamente depilado nas filmagens, com cinco câmeras posicionadas para registrar a cena, que foi feito em uma única tomada — afinal, só havia uma chance de realizá-la!
Carell insistiu em fazer uma depilação de verdade. Disse ao diretor Judd Apatow que não seria tão engraçado se fosse simulado ou se fosse um efeito especial.
De acordo com Miki Mia, que faz o papel da depiladora, a cena levou de três a quatro horas para ser filmada. Ela pediu que alguns pelos do peito fossem aparados com antecedência para reduzir a dor de Carell.
O ator Romany Malco, que interpreta Jay, um dos colegas de Andy, começou a se sentir mal enquanto assistia à depilação e fugiu do set.

Durante a cena, Carell profere vários palavrões e xingamentos, mas também pronuncia o nome da cantora Kelly Clarkson. Seth Rogen, que contribuiu na redação de algumas piadas, disse que Clarkson entrou aleatoriamente na cena: ele estava escrevendo ideias quando a artista apareceu na TV.
Em 2021, ao conversar com Rogen, Clarkson disse ao atoe que essa seria "literalmente a única coisa pela qual as pessoas me reconheceriam", independentemente de qualquer outra coisa que ela fizesse.
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