
No embalo do feito histórico de Lionel Messi na Copa do Mundo, resolvi montar uma lista com os melhores filmes argentinos que estão disponíveis nas plataformas de streaming.
Como o cinema produzido no país vizinho tem muitos fãs aqui no Brasil e especialmente no Rio Grande do Sul, pode ser que a maioria dos títulos já seja bem conhecida. Mas a seleção fica como uma espécie de serviço de utilidade pública: consulte quando estiver precisando ver um filmaço.
Uma pena que atualmente estejam condenados ao limbo digital filmes como A História Oficial (1985), de Luis Puenzo, e O Segredo dos seus Olhos (2009), de Juan José Campanella, ambos ganhadores do Oscar internacional; Tangos: O Exílio de Gardel (1985) e Sur (1988), ambos do cineasta Fernando Solanas; Plata Quemada (2000) e Kamchatka (2002), ambos do diretor Marcelo Piñeyro.
Também fazem falta as comédias dramáticas O Abraço Partido (2004), de Daniel Burman, Elsa & Fred (2005), de Marcos Carnevale, e dois títulos sensacionais que foram exibidos no Fantaspoa: Pedra, Papel, Tesoura (2019), de Macarena García Lenzi e Martín Blousson, e Zumbis no Canavial: O Documentário (2019), de Pablo Schembri.
A ordem é apenas cronológica. Clique nos links se quiser saber mais.
1) Cinzas do Paraíso (1997)

De Marcelo Piñeyro. O filme começa com a queda de um respeitado juiz, Costa Makantasis (papel de Héctor Alterio). No mesmo dia, seus três filhos (Leonardo Sbaraglia, Daniel Kuzniecka e Nicolás Abeles) confessam, separadamente, o assassinato da mesma jovem, a bela Ana Muro (Letícia Brédice). As investigações sobre as duas mortes revelam, em flashbacks, um quebra-cabeças sombrio. (Disney+)
2) Nove Rainhas (2000)

De Fabián Bielinsky. É um dos filmes que lançaram Ricardo Darín para o mundo. O ator interpreta um pequeno vigarista que se une a outra picareta (Gastón Pauls) para tentarem dar um golpe milionário, que envolve uma série de selos falsificados conhecidos como Nove Rainhas. Difícil saber quem está enganando quem neste filme que consegue equilibrar tensão, humor, drama e um comentário sobre a crônica crise econômica na Argentina. (Disney+ e HBO Max)
3) O Filho da Noiva (2001)

De Juan José Campanella. Nesta comédia dramática indicada ao Oscar de melhor filme internacional, Ricardo Darín interpreta Rafael, um quarentão em crise. Cheio de dívidas, ele vive a dúvida de vender ou não para uma empresa italiana o restaurante aberto pelo pai, Nino (Héctor Alterio). Também se culpa por não visitar a mãe, Norma (Norma Aleandro), que sofre de Alzheimer. Não bastasse a ex-esposa acusá-lo de não ter tempo para a filha, o protagonista de O Filho da Noiva sente-se pressionado pela namorada (Natalia Verbeke) a assumir compromisso. Para completar, o pai de Rafa resolve realizar com Norma o casamento na igreja com o qual ela sempre sonhou. (HBO Max)
4) O Pântano (2001)

De Lucrecia Martel. Premiado nos festivais de Berlim e Havana, oferece um ponto de vista da alienação da classe média argentina. O filme se passa em duas casas de família ao longo de um verão em Salta, província próxima à fronteira com a Bolívia. Em uma delas, vive o clã da matriarca Mecha (Graciela Borges), que bebe constantemente e passa quase o tempo todo fora do ar ou reclamando da vida com a prima, Tali (Mercedes Morán), que mora na outra casa. Os filhos de ambas alternam-se entre brincadeiras com armas de fogo e facões, insinuações sexuais — inclusive incestuosas — e provocações mútuas. (MUBI)
5) Família Rodante (2004)

De Pablo Trapero. A comédia dramática é baseada em experiências autobiográficas do diretor argentino e tem como personagens 12 pessoas de uma família que viaja pela Argentina a bordo de um velho trailer. A pivô da grande aventura é a matriarca Emilia (Graciana Chironi), convidada para ser madrinha em um casamento na sua cidade natal, na fronteira com o Brasil. A estrada e a convivência serão cheias de tropeços, até o fim do caminho, onde há, na verdade, um recomeço: outra família dá a partida em sua história. (Netflix)
6) A Menina Santa (2004)

De Lucrecia Martel. Na província de Salta, enquanto a adolescente Amalia (María Alche) atormenta-se entre a fé católica e a sexualidade que irrompe, sua amiga Josefina (Julieta Zylberberg) descobriu uma maneira de transar com o primo sem perder a virgindade. Depois de ser apalpada no meio da multidão pelo Dr. Jano (Carlos Belloso), hospedado no hotel gerenciado por sua mãe (Mercedes Morán) devido a um congresso, Amalia pensa ter descoberto sua missão: salvar o médico do pecado. (MUBI)
7) Leonera (2008)

De Pablo Trapero. Leonera narra a descida ao inferno de Julia, a personagem de Martina Gusmán, jovem grávida que acaba presa por supostamente ter se envolvido na morte do namorado. Ele tem um amante homem, Ramiro (Rodrigo Santoro), e tudo aponta para um crime passional. (Netflix)
8) O Homem ao Lado (2009)

De Mariano Cohn e Gastón Duprat. Narra o conflito entre dois homens de universos opostos: um designer industrial (Rafael Spregelburd) que vive numa casa construída pelo arquiteto Le Corbusier em La Plata e o seu vizinho bronco (Daniel Aráoz), que mora numa residência adjacente. Os dois não se entendem porque o segundo quer abrir uma janela na parede de frente para a sala do primeiro, que reage. (HBO Max)
9) Abutres (2010)

De Pablo Trapero. Em Abutres, um advogado (Ricardo Darín) ganha dinheiro ajudando vítimas de acidentes a receber indenizações. A ênfase não está em ajudar as pessoas, mas em ganhar dinheiro. O coração de Sosa vai amolecer ao conhecer a médica socorrista Luján (Martina Gusmán). (Netflix)
10) Medianeras: Buenos Aires da Era do Amor Virtual (2011)

De Gustavo Taretto. Em espanhol, medianeras é um termo da arquitetura usado para descrever a parte lateral de um prédio. Aquela que não é a frente, nem os fundos e para a qual ninguém olha. No filme, os personagens Martín (Javier Drolas) e Mariana (Pilar López de Ayala) são vizinhos em Buenos Aires. Por mais que sempre se cruzem pelas ruas, nunca se viram. É na internet que eles se encontram e compartilham suas mágoas e alegrias. (Reserva Imovision, que tem 7 dias de teste grátis no Amazon Prime Video)
11) Elefante Branco (2012)

De Pablo Trapero. Gira em torno daquele que deveria ser o maior hospital da América Latina, mas o enorme edifício na periferia de Buenos Aires jamais foi concluído, ganhando o apelido do título. Esse projeto grandiloquente inacabado serve de metáfora para o abandono social no filme em que Ricardo Darín e o belga Jérémie Renier interpretam os padres Julián e Nicolás. (Disney+ e Netflix)
12) O Patrão: Radiografia de um Crime (2013)

De Sebastián Schindel. Baseado em uma história real, O Patrão registra o calvário do humilde e analfabeto Hermógenes (em premiada atuação de Joaquín Furriel), que assassinou o dono do açougue do qual era gerente. Por quê? (Amazon Prime Video e Netflix)
13) Relatos Selvagens (2014)

De Damián Szifron. Indicado ao Oscar de melhor filme internacional, Relatos Selvagens é uma comédia sinistra que apresenta seis episódios independentes. Um deles é protagonizado por Ricardo Darín. Ele faz um engenheiro especializado em implosões, mas que explode diante da burocracia e do pouco caso que os serviços públicos dispensam ao contribuinte. (HBO Max)
14) O Clã (2015)

De Pablo Trapero. Conta uma história real que tangencia o improvável. Entre 1982 e 1985, a aparentemente pacata família Puccio esteve envolvida no rapto e no assassinato de empresários, sequestrados em troca de resgates milionários e escondidos na própria casa onde viviam o casal e seus filhos, no bairro portenho de San Isidro. Assombrosamente encarnado por Guillermo Francella, o patriarca e mentor dos crimes era um agente do serviço de inteligência da ditadura argentina (1976-1983), que se aproveitava da experiência adquirida nas sombras do poder e da influência que os militares ainda gozavam nos primeiros tempos de democracia para perpetrar seus golpes. (Disney+)
15) O Cidadão Ilustre (2016)

De Gastón Duprat e Mariano Cohn. A comédia dramática trouxe a consagração internacional a Oscar Martínez, que levou a Copa Volpi de melhor ator do Festival de Veneza. No filme, ele interpreta Daniel Mantovani, um escritor argentino que recebeu o Prêmio Nobel de Literatura graças a livros que se caracterizam por retratar com olhar crítico a vida provinciana em Salas, a pequena cidade onde nasceu. Um dia, depois de muitos anos longe do lugar, o autor recebe um convite para receber uma homenagem local. A visita reserva surpresas e perturbações. (HBO Max)
16) O Caderno de Tomy (2020)

De Carlos Sorín. Reconstitui a história real de uma mãe com câncer terminal que escreve mensagens para o filho pequeno ler quando for mais velho. Dito assim, O Caderno de Tomy parece um dramalhão apelativo, daqueles que exageram nas cenas de choro e pesam a mão na trilha sonora para conduzir a emoção do espectador. Não é. Sua força reside na triste simplicidade da história e no desempenho comedido, ainda que carregado de sarcasmo, da atriz Valeria Bertucelli. (Netflix)
17) Crimes de Família (2020)

De Sebastián Schindel. Crimes de Família faz um retrato seco sobre privilégios e hipocrisias. A ótima atriz Cecilia Roth protagoniza o filme que entrelaça as histórias de dois delitos. Um deles foi cometido pelo filho único de um casal da elite, o outro, pela empregada doméstica dos mesmos personagens. (Netflix)
18) História do Oculto (2020)

De Cristian Ponce. Ambientado em 1987 e filmado em preto e branco, este terror premiado no Fantaspoa acompanha os bastidores de um programa de TV fictício, o 60 Minutos Antes da Meia-Noite. Na trama de História do Oculto, o apresentador (vivido por Héctor Ostrofsky) vai receber um senador, um sociólogo e um grande empresário, Adrián Marcato (Germán Baudino, ótimo no papel), que pode fazer uma revelação chocante: o presidente do país estaria vinculado a uma seita satanista. (Netflix)
19) Argentina, 1985 (2022)

De Santiago Mitre. Estrelado por Ricardo Darín, Argentina, 1985 concorreu ao Oscar de melhor filme internacional ao ficcionalizar o julgamento dos horrores cometidos durante a ditadura militar argentina, entre 1976 e 1983. (Amazon Prime Video)
20) Granizo (2022)

De Marcos Carnevale. Dois fenômenos sociais contemporâneos — o cancelamento e o negacionismo — formam uma tempestade (quase) perfeita em Granizo. Na trama desta comédia, Guillermo Francella interpreta um meteorologista famoso que cai em desgraça após errar uma previsão. (Netflix)
21) O Suplente (2022)

De Diego Lerman. Em O Suplente, Juan Minujín interpreta Lucio Garmendia, um professor universitário que, após ser preterido para uma cátedra, vai ministrar a aula de Literatura em um colégio público de Ensino Médio situado em uma área degradada da Grande Buenos Aires, a Isla Maciel. Chegando lá, encontra uma turma dispersa, desanimada e até desgastada. Mas não temos aqui aqueles típicos discursos edificantes, aqueles monólogos capazes de tocar e transformar a classe imediatamente. (Netflix)
22) Vamos Consertar o Mundo (2022)

De Ariel Winograd. Outro grande ator argentino, Leonardo Sbaraglia encarna o protagonista de Vamos Consertar o Mundo,. Trata-se do produtor de um programa popular de TV em que atores fingem ser pessoas comuns convidadas a solucionar conflitos domésticos ou de trabalho. Entrementes, ele terá de aprender a ser pai de Benito (Benjamín Otero, um talento mirim), um menino de nove anos — um filho que pode nem ser seu. (Netflix)
23) Alemanha (2023)

De María Zanetti. Ambientada na década de 1990, o filme acompanha Lola (Maite Aguilar), uma adolescente de 16 anos que vive nos subúrbios de Buenos Aires. Em meio às tensões causadas pelo transtorno bipolar recentemente diagnosticado em sua irmã mais velha, Julieta (Miranda de la Serna), Lola sonha em escapar para a Alemanha através de um programa de intercâmbio estudantil. (HBO Max)
24) Os Delinquentes (2023)

De Rodrigo Moreno. Não morro de amores como alguns colegas de crítica, mas pelo menos em sua primeira parte este filme com três horas de duração chega a ser sublime. Em Os Delinquentes, Morán (interpretado por Daniel Elias) é o empregado que cuida do cofre de um banco em Buenos Aires. Cansado da monotonia e oprimido por constatar que, não raro, vivemos para trabalhar, ele resolve roubar cerca de US$ 600 mil. Morán não pretende gastar muito: só quer ter tempo livre. (HBO Max e MUBI)
25) O Mal que nos Habita (2023)

De Demián Rugna. Vencedor do Festival de Sitges, O Mal que nos Habita convida o espectador a acompanhar a trajetória de dois irmãos: Pedro (em atuação magnetizante de Ezequiel Rodríguez) e Jimi (Demián Salomon). Em um vilarejo argentino, eles deparam com um embichado, um infectado, um homem aparentemente possuído por um demônio e prestes a, digamos, dar à luz. Pedro e Jimi vão tentar expurgar o mal, mas as coisas não saem como o planejado. A jornada turbulenta, sangrenta e purulenta inclui pelo menos uma sequência absolutamente chocante. (Netflix)
26) Descanse em Paz (2024)

De Sebastián Borensztein. Em 1994, um amoroso marido e pai de família (Joaquín Furriel) toma uma decisão drástica para tentar resolver suas muitas dívidas financeiras. Descanse em Paz é um filme que joga o espectador contra a parede, forçando a gente a se colocar no lugar do protagonista diante dos rumos que surgem. (Netflix)
27) Belén: Uma História de Injustiça (2025)

De Dolores Fonzi. Baseado em uma história real, Belén começa com um impactante plano-sequência dentro de um hospital público na província de Tucumán, no noroeste da Argentina. Acompanhada pela mãe, chega uma jovem de 20 e poucos anos com fortes dores abdominais. Trata-se de Julieta (Camila Plaate), que vai ao banheiro e sofre um aborto espontâneo. Ela sequer sabia que estava grávida, mas acaba presa e condenada. A própria Dolores Fonzi encarna a advogada que vai assumir a sua defesa. (Amazon Prime Video)
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