
Se você está procurando uma série para maratonar neste feriado de Corpus Christi, nesta coluna em fiz uma lista com 13 minisséries que considero maravilhosas.
Todos os títulos têm no máximo 10 episódios e estão disponíveis no streaming, nas plataformas Amazon Prime Video, Apple TV, Disney+, HBO Max e Netflix.
A ordem é puramente alfabética. Clique nos links se quiser saber mais.
1) Band of Brothers (2001)

A minissérie se baseia no livro homônimo de Stephen E. Ambrose e tem entre os produtores Steven Spielberg e Tom Hanks (que dirigiu o quinto capítulo). É uma dramatização da história da Companhia Easy, desde o seu treinamento nos Estados Unidos para a invasão da Normandia até a capitulação da Alemanha na Segunda Guerra Mundial.
Vencedora de seis Emmys, Band of Brothers encontra o equilíbrio entre a grande História e as pequenas vidas de um grupo de soldados. O herói é o tenente Winters (personagem de Damian Lewis), que enfrenta o horror e faz o que é preciso fazer sem perder a sua noção do que seja humano ou correto. (HBO Max, 10 episódios)
2) Black Rabbit (2025)

Jude Law interpreta Jake Friedken, o proprietário e cofundador do Black Rabbit, uma mistura de bar e restaurante com três andares localizada em Nova York, bem perto da rampa de acesso para a Ponte do Brooklyn. Aliás, a ambientação, que vai do cru ao charmoso, é um dos trunfos da minissérie criada por Zach Baylin e Kate Susman. Quando Black Rabbit começa, Jake está celebrando uma noite muito especial no gastropub onde a chef Roxie (vivida por Amaka Okafor) serve "hambúrgueres de 50 dólares". A clientela inclui Wes Williams (Sope Dirisu), músico de sucesso e um dos investidores do restaurante. Do lado de fora, uma dupla mascarada se prepara para tentar roubar as joias valiosíssimas que serão exibidas na festa.
Assim que o assalto ao restaurante chega a um ponto de ebulição, a narrativa recua um mês no tempo, quando Jake vivia a expectativa da presença da crítica do jornal The New York Times ao seu estabelecimento. Entrementes, conhecemos seu irmão mais velho, o pé-rapado Vince (papel de Jason Bateman), que tem um histórico de compulsão — jogo, bebida, drogas, apostas... Após se meter em uma senhora enrascada, ele acaba reaparecendo na vida no mano caçula. Aí, a trama de suspense se mistura esplendidamente a um drama familiar: quando os laços que unem se tornam laços que prendem? (Netflix, 8 episódios)
3) Brasil 70: A Saga do Tri (2026)

À minissérie criada por Rafael Dornellas e Naná Xavier reconstitui a preparação, os bastidores, os jogos e os gols da vitoriosa campanha da Seleção Brasileira no Mundial de 1970, realizado no México. Três personagens reais têm protagonismo. Rodrigo Santoro encarna João Saldanha (1917-1990), o gaúcho de Alegrete que treinou a Seleção nas Eliminatórias, mas acabou demitido a menos de três meses do início da Copa. Bruno Mazzeo interpreta seu substituto, Mário Jorge Lobo Zagallo (1931-2024). E o ator estreante Lucas Agrícola faz o papel de Pelé.
O contexto político — o país vivia os anos de chumbo da ditadura militar, e Saldanha era comunista de carteirinha — e os conflitos entre esses três personagens e deles com os coadjuvantes garantem dramaticidade a Brasil 70: A Saga do Tri, que marca um golaço ao recriar as jogadas famosas da Seleção nos gramados mexicanos. (Netflix, 5 episódios)
4) Chernobyl (2019)

Criada por Craig Mazin, apresenta uma versão ficcional do pior acidente nuclear da história, o da usina de Chernobyl, ocorrido entre 25 e 26 de abril de 1986 perto da cidade de Pripyat, na Ucrânia. Ao reconstituir suas consequências imediatas e as primeiras ações tomadas pelo governo soviético, a obra ganhou assustadora atualidade durante a pandemia: cenas e falas parecem refletir o que vimos e ouvimos desde o surgimento do coronavírus.
Chernobyl arrebatou 10 prêmios Emmy, incluindo melhor minissérie, e concorria a outros nove, entre eles ator (Jared Harris, no papel do renomado químico Valery Legasov), atriz coadjuvante (Emily Watson, como a fictícia cientista Ulana Khomyuk) e ator coadjuvante (Stellan Skarsgård, que interpretou Boris Shcherbina, vice-presidente do Conselho de Ministros da URSS de 1984 a 1989, designado para supervisionar a gestão da crise). O elenco multifacetado — que inclui Jessie Buckley como a esposa grávida de um bombeiro e Paul Ritter como o engenheiro que comandou o fatídico teste na usina — permite enxergarmos as dimensões científica, política e humana do desastre. (HBO Max, 5 episódios)
5) A Cidade É Nossa (2022)

Não chega a ser uma continuação da cultuada The Wire (2002-2008). Mas esta minissérie também foi criada pelo ex-repórter policial David Simon (aqui, na companhia do escritor George Pelecanos); também se passa em Baltimore, cidade no Estado de Maryland que é, estatisticamente, uma das mais violentas no mundo; e também retrata a atuação da polícia local. Enquanto alguns tentam fazer alguma coisa contra o narcotráfico e o crime organizado, mesmo sabendo que suas chances estão entre mínimas e nenhuma, outros apostam na truculência e/ou enveredam para a corrupção.
A Cidade É Nossa tem uma estrutura narrativa que requer atenção, com vários núcleos de personagens e alternâncias não muito claras entre o passado e o presente. Mas a recompensa é alta para quem curte histórias sobre os meandros policiais. Jon Bernthal interpreta o sujo sargento Wayne Jenkins, figura central no força-tarefa do combate às armas. Wunmi Mosaku (indicada ao Oscar 2026 de atriz coadjuvante por Pecadores) é Nicole Steele, uma advogada designada pela Justiça federal para apurar casos de desrespeito aos direitos civis. Jamie Hector faz Sean Suiter, um detetive de Homicídios que acaba se envolvendo com Jenkins. Josh Charles encarna Daniel Hersl, sobre o qual pesam várias denúncias de maus-tratos. E Dagmara Dominczyk está no papel de Erika Jensen, uma agente do FBI que investiga as ações de Jenkins e companhia. O elenco inclui David Corenswet, o novo Superman. (HBO Max, 6 episódios)
6) Cortina de Fumaça (2025)

As perguntas suscitadas por esta minissérie policial criada pelo escritor Dennis Lehane despertam mais curiosidade do que o habitual: quais são as motivações dos incendiários? Qual é o seu modus operandi? O que o fogo traz de recompensa? O que a fumaça pode estar encobrindo?
Em Cortina de Fumaça, Taron Egerton interpreta Dave Gudsen, um investigador de incêndios criminosos que tem pretensões literárias. A contragosto, Gudsen terá de formar uma dupla com a detetive Michelle Calderone (Jurnee Smollett), uma policial que carrega um pesadíssimo trauma familiar relacionado justamente a fogo. O objetivo é deter não apenas um, mas dois incendiários que vêm agindo na região, ora causando apenas danos materiais e prejuízos financeiros, ora provocando mortos e feridos. Não vou dar spoiler, mas preciso dizer: o final é antológico. (Apple TV, 9 episódios)
7) Disclaimer (2024)

"Disclaimer" é o nome dado às declarações de isenção de responsabilidade, uma proteção contra possíveis problemas legais, como aqueles avisos, nas primeiras páginas de um livro de ficção, de que "qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência". A protagonista vivida por Cate Blanchett é a documentarista Catherine Ravenscroft, que construiu sua reputação ao trazer à tona os erros e as transgressões de governos, empresas e pessoas proeminentes. Agora, ela se vê às voltas com um livro (enviado pelo personagem do espantoso Kevin Kline) que expõe um episódio nefasto de quando era mais jovem.
A trama é perfeita para quem curte segredos de família, mistérios mórbidos a desvendar e um vaivém entre o presente e o passado. A forma também seduz: Disclaimer intercala três pontos de vista, talvez nenhum deles absolutamente confiável, como a ilustrar o quão podem ser fabricadas, ou seja, não exatamente reais, as histórias que contamos sobre nós mesmos e aqueles que amamos. (Apple TV, 7 episódios)
8) Dopesick (2021)

Com idas e vindas no tempo, a minissérie criada por Danny Strong mostra como a Purdue Pharma promoveu de forma agressiva e mentirosa o OxyContin, analgésico considerado responsável pela crise de opioides que provocou 500 mil mortes nos EUA a partir de 1999. Há cinco núcleos narrativos em Dopesick. O principal é o de Finch Creek, uma fictícia cidade onde moram o médico Samuel Finnix (Michael Keaton, premiado no Emmy, pelo Sindicato dos Atores dos EUA e no Globo de Ouro) e a jovem Betsy Mallum (Kaitlyn Dever), operária em uma mina de carvão.
Will Poulter encarna um revendedor que tenta seduzir uma colega sem o pingo de escrúpulo que ele tem, e Rosario Dawson faz uma agente do DEA, órgão federal encarregado da repressão aos narcóticos. Em outras duas pontas, estão personagens reais. Dona da farmacêutica, a família Sackler vive em meio a intrigas e disputas por conta da ambição de Richard Sackler (Michael Stuhlbarg). E Rick Mountcastle (Peter Sarsgaard) e Randy Ramseyer são dois promotores públicos que querem investigar e levar a empresa ao tribunal. (Disney+, 8 episódios)
9) DTF St. Louis (2026)

Steven Conrad criou esta obra muito singular que subverte expectativas e nos convida a olhar pelo buraco da fechadura — ou, mais precisamente, por uma fresta do armário. Parece que vamos assistir a um mistério policial: dois detetives, Homer (Richard Jenkins), um homem velho e branco, e Jodie Plumb (Joy Sunday), uma mulher jovem e negra, juntam forças para investigar a morte ocorrida no vestiário de uma piscina pública de Twyla, um subúrbio fictício da cidade de St. Louis, no Missouri.
Aos poucos, em uma narrativa não linear que vai e volta no tempo, revisita cenários e revê momentos por outros ângulos, eles descobrem um triângulo amoroso entre três adultos: Floyd Smernitch (David Harbour), que trabalha como intérpreta da língua de sinais americana; Carol (Linda Cardellini), sua esposa; e Clark Forrest (Jason Bateman), um famoso meteorologista da TV. Também descobrem que o crime está ligado a um aplicativo de encontros que dá nome à minissérie. À medida que a história avança (ou retrocede), percebemos que a premissa do assassinato é só um disfarce para um mergulho profundo mas sensível na solidão masculina, na crise da meia-idade, no confronto entre expectativas e realidade, nas vicissitudes familiares e na sexualidade de todos nós. Misturando melancolia com um senso de humor peculiar, DTF St. Louis oferece um espelho que nos lembra: de perto, ninguém é normal. (HBO Max, 7 episódios)
10) Fleabag (2016-2019)

É a única exceção no limite de 10 episódios: somando a primeira e a segunda temporada, tem 12, mas são curtos, menos de meia hora cada. Venceu seis prêmios Emmy em 2019, incluindo melhor série de comédia — embora trafegue bastante pelo drama também —, atriz (Phoebe Waller- Bridge), direção (Harry Bradbeer) e roteiro (da própria Waller- Bridge).
A protagonista é uma mulher solteira, dona de uma café não muito frequentado em Londres, com problemas de relacionamento com a irmã, o cunhado, o pai e madrasta (a brilhante Olivia Colman) e sempre à procura de sexo para aplacar sua solidão. Essa personagem desconcerta o público ao quebrar a quarta parede: no meio dos diálogos, se vira para a câmera e faz uma careta ou dispara uma tirada irônica. Em outras vezes, no entanto, a máscara cai e nos vemos diante do seu choro e das suas aflições. Ah, vale avisar: na segunda temporada, surge um padre (Andrew Scott) para bagunçar ainda mais a vida dela. (Amazon Prime Video, 12 episódios)
11) Missa da Meia-Noite (2021)

Criada, dirigida e editada por Mike Flanagan, se passa na fictícia e minúscula (tem somente 127 habitantes) Ilha Crockett. Lá, desembarca Paul Hill (papel de Hamish Linklater, absurdamente esnobado no prêmio Emmy), um padre que vai substituir o monsenhor Pruitt, afastado temporariamente por causa de um problema de saúde. Sua chegada coincide com o retorno de Riley Flynn (Zach Gilford), que viu sua carreira no mundo das startups ruir quando, ao dirigir embriagado, matou uma adolescente.
Riley passou quatro anos na prisão e tenta recomeçar sua vida, contando com o apoio da mãe, Annie (Kristin Lehman), mas enfrentando a relutância do pai, o pescador Ed (Henry Thomas), reencontrando sua namorada dos tempos de escola, a professora Erin Greene (Kate Siegel, esposa do diretor), e revendo, todas as noites, o fantasma da garota atropelada. Esse não é o único evento fantástico na ilhazinha, mas não convém avançar muito na trama de Missa da Meia-Noite, em que Flanagan costura sua educação no catolicismo, seu subsequente ateísmo e sua paixão pelo horror. (Netflix, 7 episódios)
12) Pam & Tommy (2022)

Criada por Robert Siegel, reconstitui um dos primeiros e mais célebres vazamentos de vídeo íntimo de celebridades, ocorrido entre 1995 e 1997. No caso, uma transa entre a atriz e modelo Pamela Anderson (interpretada por Lily James), estrela do seriado Baywatch (no Brasil, S.O.S. Malibu), e o roqueiro Tommy Lee (papel de Sebastian Stan), baterista da banda glam metal Mötley Crüe.
Na era das redes sociais, da fama instantânea e do compartilhamento de tudo — inclusive do chamado revenge porn (pornografia de vingança) e de seu oposto, a publicação supostamente acidental com intuito marqueteiro —, pode ser difícil medir o impacto da divulgação daquelas cenas de sexo. Mas Pam & Tommy é muito eficiente em contextualizar o espectador e retratar como, em um ambiente machista e moralista, a invasão de privacidade transformou Pamela de queridinha a pária e alvo do deboche. (Disney+, 8 episódios)
13) Os Quatro da Candelária (2024)

Em 23 de julho, oito jovens em situação de rua que dormiam na escadaria da Igreja da Candelária, no centro histórico do Rio de Janeiro, foram assassinados a tiros por policiais militares e milicianos. Cada capítulo desta minissérie que reconstitui as 36 horas que antecederam a Chacina da Candelária adota um ponto de vista diferente. O primeiro é o do garoto Douglas, o segundo, o de Sete, que está às vésperas de completar 18 anos, e depois virão Jesus e a menina Pipoca. Eles são interpretados por atores iniciantes, todos negros: Samuel Silva, Patrick Congo, Weendy Queiroz e Andrei Marques. Há um equilíbrio entre a autenticidade pretendida e a dramaticidade exigida, e a série não pinta os personagens como santos — têm seus pecados, cometem seus crimes, podem ser agressivos. É uma escolha audaciosa em um país onde há muito racismo e que dá muitos ouvidos à expressão "bandido bom é bandido morto".
Os Quatro da Candelária não investe em um sentimentalismo barato, não pratica o estelionato emocional. Mas não deixa de comover e de convocar nossa empatia: se estivéssemos no lugar de Douglas, também faríamos tudo o que fosse possível para providenciar um enterro digno ao homem que nos acolheu como o pai que nunca tivemos. Outra decisão corajosa foi se permitir lançar mão da fantasia e do onírico para contrastar com a dura realidade. Pelo menos por um instante, os personagens encontram abrigo, amor, felicidade, pertencimento. Pelo menos por um instante, vivem os sonhos roubados de uma infância desprotegida e, não raro, violentada. (Netflix, 4 episódios)
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