
Marilyn Monroe é eterna. Mais de 60 anos após sua morte, a atriz continua sendo a maior estrela de Hollywood. Esse status não se mede em prêmios nem em bilheteria, mas pela própria permanência de sua imagem.
Na verdade, até se pode usar o dinheiro como métrica. Em 2022, o célebre retrato da atriz feito por Andy Warhol (1928-1987) foi leiloado pela Christie's, em Nova York, por US$ 195 milhões — ou quase R$ 1 bilhão. O valor pago por Shot Sage Blue Marilyn, pintado pelo artista pop em 1964, é recorde para uma obra produzida no século 20. Superou os US$ 179,3 milhões desembolsados em 2015 pelo quadro As Mulheres de Argel (Versão O), produzido em 1955 por Pablo Picasso (1881-1973).

Nesta segunda-feira, 1º de junho, comemora-se o centenário de nascimento de Marilyn Monroe, que morreu quando tinha apenas 36 anos, no dia 4 de agosto de 1962, em circunstâncias nebulosas que só fizeram aumentar o mito em torno de seu nome.
Para celebrar a data, montei uma lista com 10 filmes estrelados pela atriz que podem ser vistos no streaming ou na Cinemateca Capitólio, onde uma mostra especial está em cartaz até 10 de junho, com entrada franca em todas as sessões.
Além dessa dezena de títulos, vale citar duas cinebiografias.
Disponível no Amazon Prime Video, Sete Dias com Marilyn (2011), de Simon Curtis, que reconstitui os bastidores da produção de O Príncipe Encantado (1957) em Londres. No papel, Michelle Williams concorreu ao Oscar de melhor atriz.
Ana de Armas também foi indicada ao Oscar de melhor atriz por protagonizar o muito controvertido Blonde (2022), a adaptação do diretor Andrew Dominik para o romance de Joyce Carol Oates. O filme da Netflix aposta em sexo e sofrimento no retrato de Marilyn Monroe.
Confira os 10 filmes para celebrar os 100 anos de Marilyn Monroe, em ordem apenas cronológica:
1) A Malvada (1950)

Dirigido por Joseph L. Mankiewicz. Clássico referencial e que nunca envelhece sobre o ambiente de vaidade e competição do showbiz. A trama aborda uma situação que volta e meia ressurge na dramaturgia: atriz famosa (vivida por Bette Davis) contrata como secretária uma jovem aparentemente ingênua (personagem de Anne Baxter). Mas a garota não demora a mostrar as garras e revela-se uma cobra ambiciosa e trapaceira.
A Malvada ganhou o Oscar em seis categorias, incluindo melhor filme, direção e ator coadjuvante (George Sanders). É um dos primeiros trabalhos de Marilyn Monroe, que fez um pequeno papel, o de Claudia Casswell, uma atriz em início de carreira. Consta que Marilyn ficou intimidada por Bette Davis e chegou a vomitar depois das muitas tentativas de gravar uma cena. (Disponível na plataforma Belas Artes à La Carte)
2) O Segredo das Joias (1950)

Dirigido por John Huston. Após deixar a prisão, o criminoso Doc Riedenschneider (encarnado por Sam Jaffe) organiza um plano para roubar uma fortuna em joias com a ajuda de uma quadrilha especializada. O golpe parece perfeito no papel, mas pequenos erros, interesses pessoais e a ganância dos envolvidos começam a comprometer toda a operação.
O Segredo das Joias é um dos filmes mais elogiados do cinema noir. Aqui, Marilyn Monroe também faz um papel pequeno: Angela Phinlay, a jovem e bela amante do advogado corrupto Alonzo D. Emmerich (interpretado por Louis Calhern). (Disponível na plataforma Belas Artes à La Carte)
3) Torrentes de Paixão (1953)

Dirigido por Henry Hathaway. Primeiro grande sucesso de Marilyn Monroe como protagonista, apresenta a atriz em um registro mais sombrio do que a comédia que a consagraria depois. Ela vive Rose Loomis, mulher presa a um casamento já contaminado pela desconfiança.
Ambientado nas Cataratas do Niágara, o suspense acompanha dois casais em crise: um deles em lua de mel, o outro já tomado pela violência. Marilyn aparece como força erótica e ameaça, uma presença luminosa cercada por névoa, água e tragédia. (Disponível no Disney+ e com sessão gratuita na Cinemateca Capitólio em 2/6, às 17h)
4) Os Homens Preferem as Loiras (1953)

Dirigido por Howard Hawks. Uma das grandes vitrines da inteligência cômica de Marilyn Monroe, o musical coloca a atriz ao lado de Jane Russell em uma dupla afiada.
Lorelei Lee parece acreditar apenas no brilho dos diamantes, mas Marilyn faz a personagem parecer sempre um passo à frente da caricatura. A viagem a Paris vira palco para uma comédia sobre dinheiro, desejo e esperteza feminina. É também o filme de Diamonds Are a Girl’s Best Friend, icônico número musical que grudou para sempre na imagem da atriz. (Disponível no Disney+ e na plataforma Belas Artes à La Carte e com sessão gratuita na Cinemateca Capitólio em 2/6, às 19h)
5) Como Agarrar um Milionário (1953)

Dirigido por Jean Negulesco. Marilyn Monroe divide a cena com Lauren Bacall e Betty Grable como três modelos que alugam uma cobertura em Nova York para pescar maridos ricos. O plano parece cínico, mas o filme se diverte justamente quando a estratégia começa a falhar.
Marilyn interpreta Pola, míope demais para enxergar direito e vaidosa demais para usar óculos. Ela procura segurança, mas rouba as cenas quando tropeça no que está bem diante dos olhos. (Disponível na plataforma Belas Artes à La Carte e com sessão gratuita na Cinemateca Capitólio em 2/6, às 15h)
6) O Rio das Almas Perdidas (1954)

Dirigido por Otto Preminger. Tentativa de Marilyn Monroe de mudar o tipo de personagem sensual que marcava sua imagem, O Rio das Almas Perdidas era citado por ela como seu pior trabalho, não tanto pelo resultado, mas sim por sua turbulenta realização.
Na história ambientada no Velho Oeste à época da Corrida do Ouro, ela vive uma cantora de saloon dividida entre dois homens: seu namorado golpista (Rory Calhoun) e um fazendeiro (Robert Mitchum). Preminger queria evitar o uso de dublês em cenas nas corredeiras, o que resultou em acidentes com o elenco. Mitchum vivia embriagado e chegou a ser preso por posse de maconha. (Disponível na Claro TV+ por R$ 9,90)
7) O Pecado Mora ao Lado (1955)

Dirigido por Billy Wilder. Talvez O Pecado Mora ao Lado seja mais lembrado pela imagem do vestido branco levantado pelo vento do metrô do que pela história em si, mas essa imagem ajuda a explicar a permanência de Marilyn Monroe. Ela interpreta a vizinha de cima que invade as fantasias de um homem casado (papel de Tom Ewell), sozinho em Manhattan durante o verão.
Baseada em peça de George Axelrod, a comédia transforma desejo em imaginação e faz da censura moral da época parte do jogo. Marilyn se encontra em plena consciência do próprio efeito. (Disponível no Disney+ e na plataforma Belas Artes à La Carte e com sessão gratuita na Cinemateca Capitólio em 3/6, às 17h)
8) Nunca Fui Santa (1956)

Dirigido por Joshua Logan. Primeiro filme de Marilyn Monroe depois de sua temporada em Nova York, onde estudou no Actors Studio, marca uma tentativa mais clara de ser vista como atriz dramática. Já famosa e milionária, a atriz lançou-se como produtora em Nunca Fui Santa para ter mais controle sobre seus trabalhos — e ela já tinha bastante pois, mesmo sob contrato com a Fox, só filmava o que queria e com quem queria.
No papel que lhe valeu uma indicação ao Globo de Ouro, Marilyn vive Cherie, cantora de bar que sonha com Hollywood. Ela acaba se envolvendo com um caubói (Don Murray) que tenta mantê-la sob rédeas. A estrela canta mal de propósito, reduz o glamour e encontra uma fragilidade que, conforme diz o material de divulgação da Cinemateca Capitólio, "deixa a comédia mais torta, mais humana e mais interessante". (Sessão na Cinemateca Capitólio em 3/6, às 15h)
9) Quanto Mais Quente Melhor (1959)

Dirigido por Billy Wilder. Ninguém é perfeito, como diz o personagem de Joe E. Brown no célebre final desta comédia de erros, mas um filme pode ser. É o caso de Quanto Mais Quente Melhor, no qual Tony Curtis e Jack Lemmon são dois músicos de Chicago que, para fugir de mafiosos durante a Lei Seca, se disfarçam de mulheres e se juntam a uma banda de jazz feminino em turnê para a Flórida.
No trem, os dois personagens vão conhecer Sugar Kane Kowalczyk, a sensual cantora encarnada por Marilyn Monroe, que venceu o Globo de Ouro de melhor atriz em comédia ou musical. (Disponível no Amazon Prime Video e na MUBI)
10) Os Desajustados (1961)

Dirigido por John Huston. O dramaturgo Arthur Miller, então casado com Marilyn Monroe, escreveu o roteiro original especialmente para ela. Acabou sendo o trabalho derradeiro da atriz e também de outro grande ícone do cinema, Clark Gable (que morreu em 1960, poucos meses após as filmagens).
Este drama amargo e pessimista espelha a turbulenta vida pessoal de Marilyn naquele momento. Acima do peso e mostrando sinais dos excessos com álcool e barbitúricos, ela vive Roslyn, mulher que na tentativa de se recompor após o divórcio se aproxima de um grupo de homens problemáticos e frustrados, entre eles o criador de gado interpretado por Gable. (Disponível no Looke, que tem sete dias de teste grátis no Amazon Prime Video)
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