
A RBS TV exibe no Supercine, à 0h15min deste domingo (17), O Beco do Pesadelo (Nightmare Alley, 2021), longa-metragem de Guillermo del Toro que recebeu quatro indicações ao Oscar: melhor filme, fotografia (Dan Laustsen), design de produção (Tamara Deverell e Shane Vieau) e figurinos (Luis Sequeira).
Trata-se de uma adaptação do romance O Beco das Ilusões Perdidas, de William Lindsay Graham, cuja primeira versão cinematográfica, dirigida por Edmund Goulding, ficou conhecida no Brasil como O Beco das Almas Perdidas (1947).
Na companhia da roteirista Kim Morgan, Del Toro manteve a ambientação no período da Segunda Guerra Mundial e a trama de danação típica do cinema noir — subgênero que se celebrizou justamente àquela época. Como os títulos indicam, filmes como Alma Torturada (1942), À Sombra de uma Dúvida (1943) e Beijo da Morte (1947) traduziam angústias da população dos EUA, com o sentimento de segurança e estabilidade em xeques por conta do conflito mundial.
Assim disse o pesquisador Bertrand de Souza Lira, autor de Cinema Noir: A Sombra como Experiência Estética e Narrativa (Editora UFPB, 2015): "Com seus valores abalados, a sociedade absorveu facilmente a concepção niilista do homem, com temas sombrios, como alienação, corrupção, desilusão e neurose, alimentando os argumentos noir". Em cenários pessimistas e fatalistas, a sobrevivência demandava personagens de ética e moral ambivalentes.

O personagem principal de O Beco do Pesadelo é Stanton Carlisle (vivido por Bradley Cooper), um homem de poucas palavras que aprende no circo, com o casal formado por Zeena (Toni Collette) e Pete (David Strathairn), os truques para ser um bom mentalista. Sua ambição vai levá-lo a Nova York, onde se envolverá com uma psicanalista à moda das femmes fatales (papel de Cate Blanchett) para aplicar golpes em vítimas ricas, a partir dos traumas que elas guardam.
Fazendo jus a sua filmografia — vide A Espinha do Diabo (2001), O Labirinto do Fauno (2006), o oscarizado A Forma da Água (2017) e Frankenstein (2025) —, o cineasta mexicano acrescentou camadas de terror à história e deu um senhor banho estético. O filme cai depois que a história saí do ambiente do circo, que é muito mais interessante, e também porque, desde o início, podemos intuir o destino do protagonista. Mas a sequência final é daquelas que grudam na memória. Como um trauma.
É assinante mas ainda não recebe minha carta semanal exclusiva? Clique aqui e se inscreva na newsletter
Assista aos vídeos Dica do Ticiano no YouTube: clique aqui
Já conhece o canal da coluna no WhatsApp? Clique aqui: gzh.rs/CanalTiciano




