
Guarde este nome: Curry Barker. Estadunidense de 26 anos, ele escreveu, dirigiu e editou Obsessão (Obsession, 2025), filme que estreia nesta quinta-feira (14) nos cinemas e que desde já se candidata a ser o melhor terror do ano — a despeito do título que soa banal. Em Porto Alegre, tem sessões legendadas no Cinemark Barra, Cinemark Wallig, Cinépolis Carlos Gomes, Cinesystem Bourbon Country, GNC Iguatemi e GNC Praia de Belas. Há cópias dubladas no Cineflix Total, Cinemark Barra, Cinemark Wallig, GNC Iguatemi e GNC Praia de Belas.
Passei mal ao assistir, porque a atmosfera é sufocante, ainda que aqui e ali haja alívio cômico. As cenas de violência são comedidas na quantidade, mas não na intensidade: o choque jamais se torna anestesiante pela repetição. Há pelo menos um susto capaz de fazer pular na poltrona. E a trama parte de um alerta clássico do gênero — "tenha cuidado com o que você deseja" — para realçar o horror de um drama muito real e presente: os relacionamentos tóxicos.
Vencedor do Prêmio Especial do Júri no Festival de Sitges, na Espanha, este é o segundo longa-metragem de Curry Barker. O primeiro, Milk & Serial (2024), foi lançado diretamente e gratuitamente no YouTube, onde ele criou com Cooper Tomlinson o canal de comédia that's a bad idea, com esquetes sobre fantasmas pervertidos e serial killers atrapalhados. Barker assina o roteiro, a direção, a edição e a música, e divide com Tomlinson a produção, a fotografia e o protagonismo. Na trama, uma dupla popular das redes sociais precisa lidar com as terríveis consequências de uma pegadinha de aniversário.
Tanto por causa de suas origens no humor e no YouTube quanto por seu estilo em Obsessão, seus temas e sua capacidade de impactar, Curry Barker já suscitou afiliações a expoentes do terror contemporâneo, como Jordan Peele (de Corra! e Nós), Ari Aster (de Hereditário e Midsommar), Zach Cregger (de Noites Brutais e A Hora do Mal) e os gêmeos Danny Philippou e Michael Philippou (de Fale Comigo e Faça Ela Voltar). Sua ascensão está garantida: depois de Anything But Ghosts, filme estrelado por Aaron Paul, Bryce Dallas Howard e Violet McGraw sobre dois falsos investigadores paranormais que acabam enfrentando fantasmas reais, ele vai dirigir um novo título da franquia O Massacre da Serra Elétrica.

Em Obsessão, Barker conta a história de Bear, personagem interpretado por Michael Johnston, um ator de 30 anos que só havia feito um papel de razoável destaque, o Corey Bryant das temporadas 5 e 6 da série Teen Wolf (entre 2015 e 2017). O tímido Bear é empregado em uma loja de instrumentos musicais, onde trabalha ao lado de sua paixão platônica: Nikki Freeman, personagem de Inde Navarrette, 25 anos, atriz que fez a Sarah Cushing em 47 episódios do seriado Superman e Lois (de 2021 a 2024) e que a partir de agora deve receber muitas propostas dos produtores de Hollywood. Ela é a alma e, literalmente, o corpo do filme: as rápidas transições emocionais e a fisicalidade de sua atuação impressionam.
O pedido de Bear para sair com Nikki está "atrasado há sete anos", como brinca Ian (Cooper Tomlinson), seu colega e melhor amigo. Na cena de abertura, o protagonista ensaia o que vai dizer à garota. São coisas que qualquer um de nós já deve ter dito ou escutado, mas Ian aponta o caráter doentio e sinistro de frases como "Você está em todas as músicas que ouço" e "Eu escolheria você acima de tudo".

Sem coragem para revelar seus sentimentos para Nikki e temendo que não sejam recíprocos, Bear recorre a um brinquedo kitsch que comprou em uma loja de produtos esotéricos, o Salgueiro dos Desejos. Basta quebrá-lo ao meio para ter seu desejo realizado. Quando a vendedora avisa que muitos consumidores reclamam, ele indaga: as pessoas se queixam por que não deu certo? Ou por que funcionou e acabou com a vida delas?
Bear pede que Nikki o ame mais do que tudo no mundo. O desejo é rapidamente concedido e, no início, parece um sonho — mas o sonho de um homem abusivo, controlador e egoísta: Nikki está sempre excitada e só existe para ele. Quando Bear sai para trabalhar, ela fica o tempo todo à sua espera, de pé e imóvel no meio da sala.
De vez em quando e por brevíssimos instantes, a personagem emite gritos que tanto assustam quanto comovem — é como se fosse um desesperado pedido de socorro ao perceber que sua personalidade foi sequestrada e que ela está aprisionada.

Paulatinamente, Nikki se torna ciumenta, possessiva, impulsiva e violenta — essas duas últimas características são extremamente bem exploradas pelo diretor de fotografia Taylor Clemons e pela montagem de Curry Barker, que trabalham com a penumbra e o visceral. O sonho virou um pesadelo, o que é enfatizado pela climática trilha sonora composta por Rock Burwell. Agora, é Bear quem está preso.
Obsessão é um filme valente e perturbador. Bear não é um mocinho propriamente dito, nem Nikki é exatamente uma vilã. Os atos horríveis dela não anulam os atos horríveis dele, que priorizou seus desejos em detrimento da autonomia da amiga e, no fundo, está se aproveitando de uma mulher vulnerável.
Por Curry Barker ser um homem e por adotar a perspectiva de um personagem masculino para narrar uma história de codependência amorosa e relacionamentos tóxicos, Nikki pode parecer somente uma versão exagerada do estereótipo da "mulher louca". Mas o que o diretor faz, assim entendo, é colocar os homens no lugar das tantas mulheres que sofrem com a possessividade, a instabilidade e a agressividade de seus maridos e namorados.
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