
Ao fecharmos o primeiro quadrimestre do ano, resolvi atualizar a minha lista dos melhores filmes de 2026.
A regra é clara: só valem títulos que estrearam comercialmente no Brasil, no cinema ou no streaming, a partir de 1º de janeiro. Por isso, aparecem obras lançadas originalmente em 2025 no Exterior ou que foram exibidas pela primeira vez em festivais do ano passado.
E o critério foi o afetivo: entraram os filmes que realmente me conquistaram, independentemente dos prêmios recebidos, do sucesso de bilheteria, das polêmicas provocadas ou da aclamação por outros críticos.
A ordem é puramente alfabética. Clique nos links se quiser saber mais.
1) 53 Domingos (2026)

De Cesc Gay. Esta comédia dramática é a adaptação de uma peça escrita pelo próprio cineasta espanhol. No papel de Carolina, a atriz Alexandra Jiménez funciona como guia do espectador, bússola moral e uma observadora mais ou menos distante: a personagem namora há cinco anos um dos três irmãos de uma família que não consegue acertar os ponteiros. Aliás, o trio falha sucessivamente nas tentativas de se reunir para decidir o destino do pai, que tem 86 anos e mora sozinho, mas já começou a apresentar sinais de senilidade.
O namorado de Carolina é Julián (Javier Cámara), um ator que atravessa uma crise profissional: seus últimos testes têm sido só para comerciais de TV. Por isso, é menosprezado por Víctor (Javier Gutiérrez), o irmão que é rico, mas por causa da esposa — o caçula caçoa do mano mais velho, dizendo que ele trabalha de chofer do sogro. E Natalia (Carmen Machi) é a irmã certinha que busca promover a diplomacia no seio familiar. Os diálogos, os gestos e os olhares revelam atritos e mágoas, sem, no entanto, a explosão cômica ou dramática que se poderia imaginar. É um acerto de 53 Domingos: não aposta em uma trama mirabolante ou em viradas desconcertantes, mas nas coisas comezinhas, no cotidiano com o qual muitas famílias devem se identificar, como as relações calcadas no escárnio, na inveja ou na mentira e o jogo de empurra-empurra das responsabilidades. (Netflix)
2) Ato Noturno (2025)

De Filipe Matzembacher e Marcio Reolon. Rodado em Porto Alegre, este suspense erótico remete ao cinema de Brian De Palma e conquistou quatro troféus no Festival do Rio: melhor ator (Gabriel Faryas), roteiro, fotografia e o prêmio Félix, destinado a produções LGBTQIA+. Os personagens principais de Ato Noturno são um ator e um político que vivem um caso em sigilo enquanto buscam ascender em suas carreiras.
Matias (papel de Gabriel Faryas), que recém estreou um espetáculo teatral no qual divide cenas com seu colega de apartamento, Fábio (Henrique Barreira), persegue a chance de estrelar uma grande série que vai ser gravada em Porto Alegre. Rafael (encarnado por Cirillo Luna), apoiado por empresários e escudado pelo chefe de segurança, Camilo (Ivo Müller), é candidato a prefeito e vem subindo nas pesquisas eleitorais. Matias e Rafael precisam ser discretos, mas há um elemento extra e explosivo de tensão: o tesão pelo sexo em lugares públicos de Porto Alegre. Pode ser no Parque da Redenção, por exemplo, ou em um morro da cidade. As cenas combinam sedução e ameaça. (Para aluguel em Apple TV, Google Play e YouTube)
3) Blue Moon: Música e Solidão (2025)

De Richard Linklater. Indicado ao Oscar de melhor ator, Ethan Hawke interpreta Lorenz Hart (1895-1943), um famoso letrista da Broadway, onde manteve uma parceria de 25 anos com o compositor Richard Rodgers (1902-1979). Juntos, eles criaram sucessos como a própria Blue Moon e My Funny Valentine. Concorrente também na categoria de roteiro original, Blue Moon se passa na noite de 31 de março de 1943 e é quase todo ambientado dentro de um restaurante de Nova York, o Sardi's. É lá, junto ao bartender vivido por Bobby Cannavale, que Hart vai afogar as mágoas após assistir à estreia do novo musical do seu antigo parceiro, Oklahoma!, agora com um novo letrista, Oscar Hammerstein II (1895-1960).
Por meio de diálogos imaginados que misturam ironia e melancolia, o protagonista exibe tanto o seu egocentrismo e a sua arrogância quanto sua solidão e suas inseguranças. Além de ter um sério problema com a bebida, Lorenz Hart sofria por causa da sua sexualidade. Talvez fingisse pra ele mesmo que não era gay, e daí fantasiava sobre a possibilidade de um romance com uma garota de 20 anos, Elizabeth Weiland, papel de Margaret Qualley. (Para aluguel em Amazon Prime Video, Apple TV, Google Play e YouTube)
4) Cinco Tipos de Medo (2025)

De Bruno Bini. Foi o grande ganhador do Festival de Gramado em 2025, com quatro Kikitos: melhor filme, ator coadjuvante (o rapper Xamã), roteiro e montagem. Cinco Tipos de Medo tem cinco personagens principais: Marlene (Bella Campos) é uma enfermeira que ficou desempregada após a pandemia de covid-19. Sapinho (Xamã) chefia o tráfico de drogas no Jardim Novo Colorado. A policial Luciana (Bárbara Colen) é capitã do Bope. Ivan (Rui Ricardo Diaz) é um advogado que tem uma filha prematura ainda internada no hospital, e Murilo (João Vitor Silva), um jovem violinista Murilo.
O ponto de partida é um ataque a tiros à casa de Murilo. A partir daí, o diretor, roteirista e montador Bruno Bini faz pequenos recuos no tempo narrativo e revisita cenas para mostrar como as cinco trajetórias se conectam, se cruzam e se chocam, emparedando seus personagens com dilemas morais, refletindo sobre como a violência urbana contamina e ilustrando nossa busca por redenção em meio à dor. (Sessões na Sala Norberto Lubisco nos dias 5/5 e 6/5, às 19h)
5) A Cronologia da Água (2025)

De Kristen Stewart. No primeiro longa-metragem como diretora, a atriz californiana conta a história da escritora Lidia Yuknavitch, encarnada por Imogen Poots. A personagem e sua irmã mais velha sofriam abuso sexual do próprio pai na infância e na adolescência, sob a conivência embriagada da mãe. A protagonista encontra na natação uma forma de sobreviver e, quem sabe, de escapar do jugo paterno. Mas seus sonhos olímpicos são interrompidos quando ela se afunda no álcool e nas drogas.
A Cronologia da Água abre mão da linearidade e aposta em uma estrutura fragmentada para retratar os vaivéns da memória e lembrar que o tempo nunca dilui por completo um trauma: o passado está sempre à espreita, pronto para reabrir cicatrizes em momentos futuros. Imogen Poots se entrega ao papel, e toda a variedade de suas emoções é vista muito de perto: a cineasta investe bastante em closes do rosto da atriz. A filmagem com película de 16 milímetros empresta textura às imagens, ampliando o caráter tátil. (Sessões na Sala Norberto Lubisco nos dias 5/5 e 6/5, às 19h)
6) (Des)controle (2025)

De Rosane Svartman e Carol Minêm. Em poderosa atuação, Carolina Dieckmmann interpreta Katia Klein, autora de uma bem-sucedida série de livros infantojuvenis. A escritora atravessa uma turbulência. A editora pressiona pela entrega do novo volume, atrasado por causa de um bloqueio criativo. Em casa, o casamento com Zeca (Caco Ciocler) não vai bem. Aliás, enquanto ele pratica ioga em meio ao caos doméstico e quer fazer uma viagem romântica com a esposa, ela só pensa na lista de tarefas a cumprir, que inclui cuidar dos filhos adolescentes, providenciar o Bar Mitzvah do caçula e lidar com os pais, Levi (Daniel Filho) e Esther (Irene Ravache). Katia sente a sobrecarga característica das mulheres que conciliam a vida familiar com a carreira profissional. Assim, seus 15 anos de sobriedade, um orgulho regado a muitas latas de Coca Zero, estão à beira de um abismo. Qualquer lugar pode se revelar uma cilada, qualquer coisa pode ser gatilho. A recaída é uma questão de tempo.
O contexto sugere um dramalhão, mas (Des)controle é bastante parcimonioso no emprego da música para induzir a emoção do espectador. As diretoras deixam as cenas respirarem, dando voz também ao som ambiente. E o filme se permite momentos leves, até engraçados. Mas não se engane: embora não seja amargo como os oscarizados Farrapo Humano (1945) e Despedida em Las Vegas (1995), o título brasileiro também retrata uma jornada de autodestruição guiada pela dependência do álcool. Ao sucumbir à primeira tacinha de vinho, Katia firma uma espécie de pacto com o diabo. (Telecine)
7) Devoradores de Estrelas (2026)

De Phil Lord e Christopher Miller. Sucesso de bilheteria e já cotada para o Oscar de 2027, a adaptação do romance escrito por Andy Weir traz Ryan Gosling no papel de Ryland Grace, sujeito que acorda de um coma dentro de uma nave espacial. Ele está cabeludo, barbudo, inerte e desmemoriado. Aos poucos, descobre ser o único sobrevivente de uma missão crucial para salvar a Terra de uma ameaça cósmica que está consumindo a energia do Sol. A narrativa, então, passa a alternar o presente e o passado enquanto o personagem vai montando um quebra-cabeça formado por fragmentos de sua memória.
As duas horas e meia de duração não cansam graças às idas e vindas no tempo e à mistura equilibrada dos elementos de ficção científica, aventura, suspense, drama e até — ou principalmente — comédia. Gosling empresta seu carisma a diálogos bem-humorados que incluem referências ao clássico Rocky (1976) e embalam a formação de uma bela e pétrea amizade que supera diferenças — há uma mensagem otimista em Devoradores de Estrelas, um convite à aproximação com o outro, a aprender e a cooperar com o outro. Mas é Sandra Hüller quem acaba roubando a cena ao cantar Sign of the Times (2017), de Harry Styles, em um karaokê. (Sessões no Cinesystem Bourbon Country, às 21h, e no GNC Praia de Belas, às 21h20min)
8) O Drama (2026)

De Kristoffer Borgli. Na trama, Zendaya interpreta Emma, e Robert Pattinson faz o papel de Charlie. Quando o filme começa, eles estão na semana dos últimos preparativos para o casamento. Cada um está escrevendo e compartilhando com os amigos o que vai dizer na cerimônia. Charlie, por exemplo, afirma adorar como Emma transforma os dramas dele em comédia.
Parece que estamos diante de uma comédia romântica como qualquer outra, mas a certa altura Emma inverte a mão: transforma uma comédia em drama ao responder qual foi a pior coisa que já fez na vida. E então faz surgir um elefante enorme no meio da sala — tanto a dos personagens de O Drama como a dos espectadores. (Sessões no Cinesystem Bourbon Country, às 18h45min, e no GNC Moinhos, às 14h45min)
9) Extermínio: O Templo dos Ossos (2026)

De Nia daCosta. É a continuação direta de Extermínio: A Evolução (2025), que, por sua vez, é a sequência oficial de Extermínio (2002). Após ser salvo dos zumbis pelo grupo liderado por Jimmy Crystal, o menino Spike (Alfie Williams) descobre que o personagem não é um dos mocinhos da história, mas outro vilão deliciosamente interpretado por Jack O'Connell (o vampiro Remmick de Pecadores). Trata-se de um satanista que diz ser filho do Diabo e que criou uma espécie de religião para exercer o poder e cometer barbaridades.
Se Jimmy Crystal, em nome de seu "deus", prega a brutalidade sangrenta e exige sacrifícios humanos, o médico Ian Kelson (Ralph Fiennes, em atuação magnetizante) é um ateu que usa os conhecimentos científicos para dar um senso de ordem no caos. Mais do que isso: tenta estabelecer uma ponte com os infectados, quem sabe um diálogo. Graças a seus dardos tranquilizantes, o personagem permite-se aproximar do zumbi Alfa encarnado por Chi Lewis-Parry em Extermínio: O Templo dos Ossos. Se Jimmy é o ódio e a punição, Kelson é a esperança e a fraternidade. (HBO Max)
10) Marty Supreme (2025)

De Josh Safdie. Perdeu as nove categorias que disputava no Oscar, mas e daí? Esta alucinada comédia dramática se passa nos anos 1950, mas a trilha sonora inclui bandas dos 1980, como New Order e Tears for Fears. A trama é livremente inspirada na trajetória de Marty Reisman (1930-2012), um campeão do tênis de mesa. O charme natural de Timothée Chalamet provoca um contraste bem-vindo com os traços psicológicos de seu desprezível personagem, chamado de Marty Mauser em Marty Supreme: ele é egoísta, narcisista, ambicioso, inescrupuloso, inconsequente, trapaceiro. Não tem pudores para mentir, roubar, trair ou proferir piadas sobre a tragédia nos campos de concentração nazistas — "Eu sou judeu, posso falar", defende-se.
Marty trabalha como vendedor de sapatos na loja do seu tio Murray, em Nova York, enquanto também compete como jogador de pingue-pongue. O sonho do protagonista é o sonho americano: tornar-se o número 1 — porque a alternativa é ser um fracasso na vida. Para tanto, vale tudo. A jornada inclui coadjuvantes como um mesatenista sobrevivente do Holocausto, um craque japonês que é surdo, uma ex-estrela de Hollywood (papel de Gwyneth Paltrow) que busca retomar o prestígio artístico após se casar com um empresário milionário, uma mulher casada que tem um caso com Marty e um gângster encarnado pelo veterano cineasta Abel Ferrara. Os caminhos de todos podem se cruzar em uma montanha-russa cheia de acidentes, desvios e becos sem saída que Josh Safdie pilota com maestria. Eis um diretor que é senhor absoluto do caos. (Amazon Prime Video)
11) O Riso e a Faca (2025)

De Pedro Pinho. Interpretado por Sérgio Coragem, o protagonista é um engenheiro ambiental chamado Sérgio que é enviado por uma ONG de Portugal para Guiné-Bissau, país situado na África Ocidental. Sua missão é avaliar o impacto da construção de uma rodovia entre o deserto e a floresta, uma obra vital para interesses de empresários portugueses, mas talvez prejudicial para a comunidade local. Lá, o personagem depara com dinâmicas neocoloniais e também se envolve com dois moradores locais: Diára, papel da atriz de Cabo Verde Cleo Diára, ganhadora do prêmio de melhor atriz na mostra Um Certo Olhar (Un Certain Regard) do Festival de Cannes, e Guilherme, o Gui, um brasileiro não binário encarnado por Jonathan Guilherme.
Com cenas ora contemplativas, ora provocativas, O Riso e a Faca foi eleito o quinto melhor filme de 2025 pelos críticos da prestigiada revista francesa Cahiers du Cinéma. O título e a própria inspiração para a trama vêm do Brasil: é a canção homônima lançada pelo baiano Tom Zé em 1970. Seus versos sobre a dualidade humana são inclusive cantados pelos personagens principais durante uma viagem de carro pelo deserto: "Quero ser o riso e o dente / Quero ser o dente e a faca / Quero ser a faca e o corte / Em um só beijo vermelho / Eu sou a raiva e a vacina / Procura de pecado e conselho / Espaço entre a dor e o consolo / A briga entre a luz e o espelho / Fiz meu berço na viração / Eu só descanso na tempestade / Só adormeço no furacão". (Sessões no CineBancários nos dias 5/5 e 6/5, às 18h30min)
12) Se Eu Tivesse Pernas, Eu te Chutaria (2025)

De Mary Bronstein. O filme mescla comédia amarga, toques de terror e clima sufocante. A claustrofobia se estabelece na primeira cena, um close no rosto da psicóloga Linda (Rose Byrne, indicada ao Oscar e premiada no Festival de Berlim e no Globo de Ouro). A câmera fica mais de dois minutos concentrada nas suas expressões, para que o público sinta literalmente na pele a rotina infernal de uma mulher e uma mãe que está sempre exausta, sempre frustrada, sempre à beira de um colapso. Ora ela precisa lidar com o tratamento do raro e complicado transtorno alimentar que a sua filha tem; ora ela sente a ausência do marido, que fica muitos dias longe de casa por causa do trabalho; ora o problema é um enorme vazamento que fez desabar o teto do apartamento onde moram; ora Linda se vê na obrigação de procurar uma paciente que desapareceu.
Todos esses problemas vão se acumulando, mas a personagem, mesmo sem o marido por perto, sem muita ajuda do próprio psiquiatra (Conan O'Brien) e sendo cobrada o tempo todo, precisa dar conta de tudo. Nem sempre, ou talvez quase nunca, ela vai conseguir, mas Se Eu Tivesse Pernas, Eu te Chutaria nunca cai no dramalhão. Há sempre um elemento de comédia, mesmo que bizarra ou mórbida. E Rose Byrne nunca resvala para o melodramático. Com o rosto sempre vigiado pela câmera, a atriz equilibra nervosismo, impulsividade, impaciência, vulnerabilidade. (Telecine)
13) Sirât (2025)

De Oliver Laxe. Representou a Espanha no Oscar internacional e também competiu na categoria de melhor som. Sirât acompanha a busca de um pai, Luis (papel de Sergi López), por sua filha, que está desaparecida há alguns meses. Acompanhado pelo filho caçula, Estebán, ele chega a uma rave — uma festa ao ar livre com música eletrônica — no sul do Marrocos. Os dois vão empreender uma jornada angustiante pelo deserto do Saara, em meio a um contexto de guerra e tendo ao lado um grupo de festeiros — aliás, o filme valoriza bastante o caráter catártico da dança e seu poder de autoconexão e conexão com os outros.
Para quem vai assistir ao filme no streaming, há três requisitos básicos. O primeiro é não saber mais nada sobre a trama. O segundo é tentar simular a experiência imersiva de uma sala de cinema: apague as luzes, desligue o celular, se concentre. O terceiro é estar preparado para uma obra bastante sensorial e chocante. Eu não estava nem um pouco pronto para assistir a esse purgatório na Terra. Fiquei profundamente abalado, mas acho que Sirât vai além do choque. Fala sobre a barbárie e o niilismo do mundo contemporâneo, mas também sobre como, de alguma forma, a humanidade segue criando vínculos; sobre como a gente precisa de uns dos outros, sobretudo nas horas ruins. Existe um horizonte. Tem de existir um horizonte. (Telecine)
14) A Sombra do Meu Pai (2025)

De Akinola Davies Jr. Lançado nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (30), este filmaço semiautobiográfico valeu a Davies Jr. o prêmio Bafta de melhor estreia de diretor, roteirista ou produtor britânico, a menção especial da Caméra d'Or no Festival de Cannes e o troféu da crítica na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. No Gotham Awards, que abre o circuito de premiação nos Estados Unidos, venceu nas categorias de cineasta revelação e melhor ator (Sope Dirisu).
Na trama, dois meninos (interpretados pelos irmãos Chibuike Marvellous Egbo e Godwin Egbo) que vivem com a mãe na zona rural da Nigéria se reconectam com Folarin (o personagem de Dirisu), seu pai distante, que aparece repentinamente. Os três partem para Lagos, a agitada capital, onde Folarin tenta receber um salário que lhe é devido. Como bem resume o material de divulgação, "o trajeto dos três pela cidade grande é a um só tempo um ensaio sobre a paternidade e a masculinidade e um passeio pela memória do país africano em meio à crise das eleições presidenciais de 1993, um período de frágil esperança de transformação". O diretor consegue equilibrar a narrativa familiar com o retrato político, e suas cenas combinam lirismo visual com momentos de contundência. (Sessões na Sala Eduardo Hirtz nos dias 5/5 e 6/5, às 17h45min)
15) A Voz de Hind Rajab (2025)

De Kaouther Ben Hania. Cortam como faca os pedidos de socorro feitos ao telefone por uma menina palestina de cinco anos que se torna a única sobrevivente da saraivada de tiros disparada pelo exército israelense contra o carro de uma família que fugia da Faixa de Gaza. "Venham me buscar." "Me salvem." "Eu estou morrendo."
A cineasta tunisiana reconstitui essa história devastadora e de burocracia kafkiana em A Voz de Hind Rajab, que mereceu o Grande Prêmio do Júri e 22 minutos de aplauso no Festival de Veneza e disputou o Oscar internacional. A trama se passa dentro das salas de atendimento de emergência da organização humanitária Sociedade do Crescente Vermelho Palestino. A ação se concentra nos telefonemas dos voluntários (interpretados por atores como Motaz Malhees e Saja Kilani) com a menina Hind Rajab (que só é vista em fotos ou ouvida nas ligações gravadas), seus familiares, paramédicos e autoridades palestinas. A concatenação entre a ficcionalização e o documental amplia o impacto emocional. Sobretudo quando o elenco emudece ou desaparece de cena, dando lugar à voz ou à imagem, por meio da tela de um celular, dos verdadeiros voluntários. A aflição, a revolta e a dor são ainda mais palpáveis para o espectador. (Canal Filmelier+ do Amazon Prime Video)
Bônus: Kill Bill: The Whole Bloody Affair (2025)

De Quentin Tarantino. Não poderia deixar de destacar o lançamento nos cinemas brasileiros da reedição especial, com uma sequência inédita em estilo anime e um curta-metragem após os créditos de encerramento, de Kill Bill: Vol. 1 (2003) e Kill Bill: Vol. 2 (2004), filmes que sempre foram considerados como um só por seu diretor e roteirista. Foi uma experiência sensacional rever na tela grande a saga de vingança da Noiva, personagem que imortalizou a atriz Uma Thurman entre os fãs do gênero de ação. (Para aluguel em Amazon Prime Video, Apple TV e Google Play)
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