
O Gênio do Crime (2026), que estreia nos cinemas nesta quinta-feira (14), é um filme em conflito consigo mesmo.
O filme é sobre a falsificação de figurinhas do álbum da Copa do Mundo e está chegando na mesma época em que torcedores começaram a colecionar os cromos do Mundial de 2026. Mas o título esconde essa informação atrativa, preferindo apostar no apelo do livro em que é baseado, o primeiro dos 12 volumes das Aventuras da Turma do Gordo. Não deixa de ser uma escolha compreensível: lançado em 1962, o romance escrito por João Carlos Marinho (1935-2019) já teve mais de um milhão de exemplares vendidos e é um clássico da literatura infantojuvenil brasileira.
Mas esse nome, além de omitir a referência ao álbum da Copa, o que poderia ampliar o potencial de público, sugere um protagonismo do tal gênio do crime, certo? Na verdade, os personagens principais são os detetives mirins que investigam o caso: João, apelidado de Gordo (papel de Francisco Galvão), que é fascinado por mistérios policiais; Edmundo (Samuel Estevam), craque de bola; Pituca (Breno Kaneto), um nerd do futebol; e Berenice (Bella Alelaf), a guria que sabe fazer as perguntas certas.
Produzido pela Boutique Filmes, em coprodução com Globo Filmes e Paris Entretenimento, O Gênio do Crime tem roteiro de Ana Reber, que atualizou a história para os dias de hoje, e direção de Lipe Binder, que assinou como André Felipe Binder episódios das séries Betinho: No Fio da Navalha, A Divisão e Arcanjo Renegado.
A trama gira em torno da reprodução ilegal de uma figurinha dourada do álbum da Copa de 2026, a do jogador Vinicius Júnior, da Seleção Brasileira. Nas mãos de cambistas na cidade de São Paulo, ela chega a custar R$ 50.

A pirataria e o preço alto não parecem afugentar os colecionadores ávidos para completar o álbum. Tanto é que Seu Tomé (interpretado por Ailton Graça), o dono da empresa que produz as figurinhas originais, a Escanteio, diz que terá de fechar a fábrica se o bandido não for encontrado.
Então, os pré-adolescentes Gordo, Edmundo, Pituca e Berenice decidem seguir um cambista para desvendar o caso. Eles terão um aliado adulto: Mister Mistério, um youtuber aficionado por histórias de crime que é encarnado por Marcos Veras.

O Gênio do Crime detalha o processo de criação dos álbuns — incluindo a definição antecipada dos jogadores que serão estampados, antes da convocação oficial das seleções — e tem boas piadas sobre a fase de transição da infância para a adolescência.
— A gente tá virando homem — diz um dos personagens. — Meu pai até me deu um desodorante.
Mas a história é um tanto confusa e cansativa. As atuações, ainda que Francisco Galvão e Marcos Veras formem uma dupla bacana, não chegam a ser cativantes. Considerando que é um filme voltado ao público infantil, algumas cenas causam incômodo, pois incluem a presença de armas de fogo e a ameaça de tortura ou de morte com requintes de crueldade. E pode ser chatice minha, mas também falta cuidado com a educação para o trânsito: em dois momentos, os quatro detetives mirins sentam-se no banco de trás de um táxi — e sem cinto de segurança.
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