
Se mãe já é uma figura linda e admirável na vida real, na ficção, com a adição de doses extras de sensibilidade, bravura ou humor, ela se torna uma personagem ainda mais marcante.
Em homenagem ao Dia das Mães, comemorado neste domingo (10), fiz uma lista com seis filmes: um para rir, um para chorar, um de ação, um musical, um de terror e uma fantasia que dá a real.
Todos os títulos estão disponíveis em plataformas de streaming. Clique nos links se quiser saber mais.
1) Minha Mãe É uma Peça 3 (2019)

De Susana Garcia. A comédia brasileira que mais gente levou ao cinema (foram 11,6 milhões de espectadores) é o melhor filme da trilogia estrelada pelo saudoso Paulo Gustavo (1978-2021). Na trama, sua personagem, Dona Hermínia, tem que se redescobrir e se reinventar porque seus filhos estão formando novas famílias: Marcelina (papel de Mariana Xavier) está grávida, e Juliano (Rodrigo Pandolfo) vai se casar. Para bagunçar ainda mais a vida da protagonista, seu ex-marido, Carlos Alberto (Herson Capri), resolveu se mudar pro apartamento ao lado.
Paulo Gustavo criou Dona Hermínia à imagem e semelhança de sua mãe, mas a personagem era como a mãe de todos nós. Na pele, nas sapatilhas e com os bobs da Hermínia, o ator tinha a habilidade de transformar o drama em piada, o particular em comezinho. Ele personificou as mães que não largam do pé dos filhos, apesar de já estarem bem crescidos, as mães que brigam por causa da tampa não devolvida de um pote de plástico, as mães que se metem na decoração da casa da prole e até na criação dos netos. Mas Dona Hermínia também simboliza as mães que não medem esforços pra defender os rebentos, as mães que derramam seu amor sobre nós, as mães que, ora, só pedem um pouquinho de retribuição por tudo o que já fizeram pela gente.
Minha Mãe É uma Peça 3 é um filme feito para rir, mas pode nos fazer chorar também. Tanto de saudade de Paulo Gustavo, que tinha um futuro imenso pela frente quando morreu de covid-19, com apenas 42 anos, quanto por reconhecermos no comportamento e nos gestos de Dona Hermínia as nossas próprias mães, que também já podem ter partido antes do que a gente queria. (Telecine; também será exibido na faixa Temperatura Máxima da RBS TV neste domingo, às 12h25min)
2) 18 Presentes (2020)

De Franco Amato. Se você quer um filme para chorar mesmo, a ponto de lavar o rosto, assista a este drama italiano baseado em uma história real. A trama se passa em uma cidadezinha chamada Maserada sul Piave, onde a personagem Elisa (vivida por Vittoria Puccini) está envolvida com o marido, o treinador de futebol Alessio (papel de Edoardo Leo), nos preparativos para o quarto do bebê que está para chegar. Será uma menina, o que ela descobre na mesma consulta médica em que recebe o diagnóstico de um câncer terminal.
O dia do nascimento de Anna é o mesmo da morte de Elisa. Por isso, à medida que cresce a menina passa a rejeitar os 18 presentes deixados pela mãe: o que ela queria era sua presença. No aniversário de 18 anos, agora interpretada por Benedetta Porcaroli, do terror Imaculada (2024) e da série O Leopardo (2025), uma revoltada Anna acaba sofrendo um acidente. Em um lance de realismo mágico, a garota é salva por Elisa.
A mãe não reconhece a filha que está por vir, mas Anna ganha a chance de, em segredo, conviver com Elisa. É uma jornada de estranhamento, de intimidade e de aprendizado mútuo. Na jornada, 18 Presentes oferece pelo menos duas cenas absolutamente comoventes: a da cozinha e a da piscina. (Netflix)
3) Mamma Mia! (2008)

De Phyllida Lloyd. Da Itália, faça uma viagem curta até uma ilha da Grécia, cenário deste musical inspirado em canções do grupo sueco Abba, fenômeno de popularidade dos anos 1970 que sobreviveu como ícone de sua época. Clássico para uns, brega para outros, mas clássico sem dúvida.
Meryl Streep interpreta Donna, que é dona de um pequeno hotel e que está às voltas com o casamento da filha única, Sophie (personagem de Amanda Seyfried). A garota cresceu sem saber quem é seu pai e gostaria que ele estivesse presente na cerimônia. Bisbilhotando o diário da mãe, mulher de muitos amores no passado, Sophie identifica três prováveis candidatos e decide convidá-los para descobrir de quem é filha. Esses três possíveis pais são vividos por Pierce Brosnan, Colin Firth e Stellan Skarsgård.
A trama é recheada de números musicais para cantar e dançar junto. Tem Dancing Queen, Super Trouper, S.O.S., I Have a Dream, The Winner Takes It All, Chiquitita, Waterloo e, claro, Mamma Mia. (Telecine)
4) O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (1991)

De James Cameron. Dia das Mães também pode ter filme de ação. Afinal, uma das grandes heroínas do gênero é uma mamãe: Sarah Connor, personagem da atriz Linda Hamilton na saga O Exterminador do Futuro.
Foi no segundo filme da franquia que ela se firmou como uma mãe duro na queda, boa de braço e de mira. Na trama, Arnold Schwarzenegger encarna um androide que vem do amanhã para proteger o o filho de Sarah, o adolescente John Connor (papel de Edward Furlong), futuro líder da resistência contra as máquinas. A ameaça é um robô T-1000, um modelo de metal líquido capaz de se transformar em qualquer coisa e encarnado por Robert Patrick.
O Exterminador do Futuro 2 faturou mais de meio bilhão de dólares nas bilheterias e ganhou o Oscar em quatro categorias: som, maquiagem, efeitos visuais e efeitos sonoros. Também deixou de herança outra frase imortal de Schwarzenegger: "Hasta la vista, baby". (Canal Universal+ do Amazon Prime Video, com sete dias de teste grátis)
5) Um Lugar Silencioso (2018)

De John Krasinski. Sarah Connor também teve "filhas". Uma delas é Evelyn Abbott, a personagem de Emily Blunt nos filmes de terror Um Lugar Silencioso (2018) e Um Lugar Silencioso: Parte II (2020), ambos dirigidos pelo marido da atriz.
Como o título sugere, o som e o silêncio têm status de personagem nesse universo que lembra a franquia Alien e filmes de Steven Spielberg, como Encurralado, Tubarão, Jurassic Park e Guerra dos Mundos. Um Lugar Silencioso conta uma história de invasão alienígena pela perspectiva de uma família da cordilheira dos Apalaches, nos Estados Unidos.
O pai, a mãe e os filhos precisam andar descalços, se comunicar com gestos e jogar Banco Imobiliário com peças de algodão: os monstros vindos do espaço não enxergam, mas têm uma audição muito apurada, uma espécie de radar, e atacam ao menor ruído. Portanto, Krasinski investe bastante no silêncio para aumentar o peso dramático de um rangido no piso da casa ou do vento balançando um milharal. Dá para escutar até os batimentos cardíacos dos personagens. (Paramount+)
6) Canina (2024)

De Marielle Heller. Fecho a lista com um filme de fantasia que dá a real: Canina é sobre a vida de cão que muitas mães levam.
Indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz em comédia ou musical, Amy Adams encarna uma artista de 40 e tantos anos que abandonou sua carreira para se dedicar integralmente a seu filho pequeno. Enquanto isso, o pai (interpretado por Scoot McNairy) se ausenta durante vários dias por causa do seu trabalho. Quando ele tem de cuidar do menino para que a esposa possa fazer um raro programa noturno, diz uma frase tão cretina quanto comum: "Vou ficar de babá".
Com o tempo, a rotina puxada impacta a sanidade da protagonista, que começa a acreditar que está virando um cachorro. O filme não tem pudores para mostrar transformações no corpo de Amy Adams, como o surgimento de seis tetas na sua barriga e de uma cauda na parte inferior das costas. Canina desmitifica a maternidade, convidando também a uma reconexão com nosso lado animal, e cobra uma paternidade mais ativa, dando voz a desabafos que muitas mães por aí precisam sufocar. Vale prestar atenção no monólogo da personagem no supermercado, depois que uma mulher comentar que deve ser maravilhoso ficar com seu filho em casa o tempo todo. (Disney+)
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