
Um dos maiores nomes do reggae brasileiro, Armandinho volta neste sábado (23) a sua cidade natal, Porto Alegre, para fazer show no Auditório Araújo Vianna, a partir das 21h (ingressos podem ser comprados no site Sympla).
A nova turnê do cantor e compositor de 56 anos foi batizada com o nome do disco que lançou em 2025, Se o Tempo Passa. É uma coletânea com 15 músicas produzidas nos últimos 10 anos mas que não haviam sido gravadas em nenhum álbum e três canções inéditas: Morena É Só Paixão, O Mar É Bipolar e Sentar, Fumar e Tocar. O repertório deve incluir grandes sucessos, como Desenho de Deus (2004), Casinha (2004) e Outra Vida (2008).
Em abril, Armandinho esteve pela terceira vez na Austrália, onde fez dois shows que, nas suas palavras, "deixaram a brasileirada muito feliz". Na entrevista a seguir, ele revela sua música preferida, seu show inesquecível e o disco que levaria para uma ilha deserta.
Qual é a tua música de que tu mais gostas?
Tem várias músicas, mas uma muito especial é Outra Vida (2008).
Tem alguma canção tua que tu gostaria que fosse mais conhecida?
Vou pro Mar, Iemanjá (2025), que a gente gravou na Califórnia e está no meu último álbum.
Existe alguma música tua da qual tu não gostas mais?
Não é uma questão de gostar ou não, mas acho que Folha de Bananeira (2002) cansou e não fala mais do atual momento que eu estou passando. Mas essa música foi muito importante na minha carreira.
Por que o reggae te pegou?
Sempre curti reggae pelo fato de ser surfista. Mas descobri a verdadeira essência quando tocava na banda Black Master (foi guitarrista nos anos 1990). Foi uma banda muito importante na minha vida e onde mergulhei no reggae musicalmente de verdade.
Tu tens uma disciplina para compor ou espera surgir uma ideia?
Eu escrevo a partir de histórias ou momentos que acontecem na minha vida com pessoas conhecidas, em relacionamentos. Sou um observador sonhador.
O que tira ou atrapalha a tua inspiração?
É ficar muito tempo na estrada, ficar sozinho nos quartos de hotel, longe da família e longe dos amigos.
Qual é a lembrança mais marcante de um show teu?
Um momento muito especial foi quando o Planeta Atlântida inteiro cantou Parabéns a Você no dia do meu aniversário (na verdade, segundo relato do próprio Armandinho, não foi num dia 22 de janeiro, mas na madrugada de 4 de fevereiro de 2007, O cantor subiu ao palco emocionado após o nascimento de sua primeira filha, Antônia, e foi homenageado em uníssono pelo público.)
Tu tens algum ritual em dias de show?
Meu ritual é fazer exercícios físicos. Faço agachamento e flexões para esquentar o corpo e minhas articulações. É muito importante para meu desempenho no palco.
Qual é a música, de outro artista, que tu gostarias de ter escrito?
Acho que No Woman, No Cry (1974), do Bob Marley & The Wailers, música que fala de união, de esperança, de resiliência, de não chorar diante das adversidades da vida.
O show de que artista tu gostaria de assistir ou de ter visto?
Bob Marley ao vivo é um sonho que eu tenho de ter assistido, infelizmente, em outra geração.
Dos novos artistas, quem tu recomendas?
Gilsons e todas essas bandas de nova MPB.
Que disco tu levarias para uma ilha deserta?
Legend (1984), do Bob Marley (é uma coletânea com todos os sucessos).
Também levaria algum livro, algum filme ou alguma série?
Eu levaria uma série musical que eu não canso de assistir, The Beatles Anthology (1995-1996).
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