
Estreou em abril na Netflix a quinta temporada de Machos Alfa, série espanhola surgida em 2022 que tira sarro da masculinidade frágil e da masculinidade tóxica — coisas não raro se combinam. Quem é fã já sabe: a sexta leva de episódios já está em produção e será a última. Se você ainda não conhece, recomendo começar agora mesmo.
Por ser uma série de comédia, Machos Alfa permite-se o exagero e a inverossimilhança. Mas isso não significa que a obra criada e dirigida pelos irmãos Alberto Caballero e Laura Caballero esteja descolada da realidade.
A história começa em uma aula de um curso de desconstrução do machismo, apresentada como se fosse uma reunião de AA (os Alcoólicos Anônimos).
— Olá, meu nome é Santi e sou machista — diz o primeiro personagem.
— Meu nome é Luís e também sou machista.
— Sou Pedro e, pelo jeito, também sou machista.
— Meu nome é Raúl e... Não sei que porra faço aqui! Não vou repetir esta merda. Vou esperar no bar!
Daí, a trama recua seis meses para explicar como os quatro amigos quarentões foram parar lá.

Santi (papel de Gorka Otxoa) é o pai divorciado de uma adolescente, Álex (Paula Gallego), que vai criar para ele um perfil no Tinder. O objetivo é, em 10 encontros, esquecer a ex-esposa.
Luís (vivido por Fele Martínez, ator do inesquecível filme Os Amantes do Círculo Polar) trabalha na polícia metropolitana e é casado com a instrutora de autoescola Esther (Raquel Guerrero), com quem tem dois filhos pequenos. O casal já está há vários meses sem fazer sexo, o que gera uma crise a cada noite.

Pedro (interpretado por Fernando Gil) é um alto executivo de uma emissora de TV. Ou era. Logo no início da série, é demitido por causa de um programa com cunho machista e substituído no cargo por uma mulher. Agora ele terá problemas financeiros para manter a mansão que comprou para viver com a namorada, Daniela (María Hervás) — que resolver virar influenciadora digital para ajudar no orçamento doméstico, ou seja: vai abalar a imagem de Pedro como provedor da casa.

E Raúl (personagem de Raúl Tejón), sócio em um restaurante, surge mostrando um anel de noivado para a mulher com quem acabara de transar. Só que ela é sua amante! Já a namorada, a advogada Luz (Kira Miró), tem outros planos para o futuro do relacionamento, o que vai expor toda a hipocrisia e toda a insegurança de Raúl.

A partir daí, Machos Alfa vai enfileirar situações cômicas — e também cenas calientes: definitivamente, não dá para ver com as crianças!
Um dos trunfos da série é não descuidar das personagens femininas: praticamente todas têm seus momentos solo, e Raquel Guerrero arranca boas risadas. Outro acerto é equilibrar o humor escrachado com a crítica social — não só ao patriarcado e a sua coleção de preconceitos (que incluem a homofobia, a gordofobia e o etarismo, às vezes praticados por quem mais se acha "cabeça aberta"), mas também, por exemplo, à onda dos "criadores de conteúdo".
Por fim, Machos Alfa também evita o conto de fadas. Se alguns personagens vão realmente aprender a lidar com a transformação da sociedade e das relações de gênero, outros vão querer continuar aferrados a seus privilégios, não importa o quanto isso machuque quem está no seu entorno.
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