
Duas sessões musicadas de um clássico do Expressionismo Alemão que comemora seu centenário em 2026 abrem nesta quarta-feira (8) o 22º Fantaspoa — o Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre. Às 17h30min e às 20h, o Instituto Ling recebe o violonista argentino Germán Suane, que compôs uma trilha para acompanhar a exibição de Fausto (1926), de F. W. Murnau. Os ingressos já estão esgotados.
A partir de quinta (9) e até o dia 26 de abril, o Fantaspoa vai apresentar no CineBancários, na Cinemateca Capitólio, na Cinemateca Paulo Amorim, no Instituto Ling e na Sala Redenção da UFRGS 210 filmes, entre curtas e longas-metragens (confira a programação completa, endereços e informações sobre ingressos no site fantaspoa.com). A grande maioria inédita é no Brasil. Aliás, alguns títulos são inéditos no mundo.
Como prova da importância internacional adquirida pelo Fantaspoa, 10 longas-metragens farão em Porto Alegre sua primeira exibição mundial: Animais da Terra (EUA, 2026), de Luke Jaden, O Assoviador (Venzuela/EUA, 2026), de Diego Velasco, Bluebird (EUA, 2026), de Jay Arden Black, Cativeiro (Panamá, 2026), de Sebastian Jimenez Franco e Omar Calvo, Compliance (EUA, 2026), de Kyle Mangione-Smith, Covil (Brasil, 2026), de Rodrigo Lages, Estrada para o Armageddon (Canadá, 2026), de Karen Lam, Life at Sandy's (EUA, 2026), de Aleksandra Hansen, Remanente: Voltagem (Brasil, 2026), de Kapel Furman, e As Vozes de Nossa Mãe (Canadá, 2026), de Mark O'Brien.

Quase todos esses filmes terão sessões comentadas, possibilitando ao público porto-alegrense o contato com cineastas que no futuro podem se tornar nomes badalados.
A dupla estadunidense Aaron Moorhead e Justin Benson, responsável por cinco episódios da série Demolidor: Renascido (2026), veio a Porto Alegre em 2018 para apresentar O Culto.
A diretora mexicana Issa López, que assinou a quarta temporada da série True Detective, em 2024, participou do 14º Fantaspoa com Os Tigres Não Têm Medo (2017).
Estadunidense filha de um brasileiro, Beth de Araújo esteve na Capital em 2023 para falar sobre Suaves e Discretas. Hoje, seu segundo longa-metragem, Josephine (2026), aparece entre as apostas para o Oscar do ano que vem.
O Fantaspoa destaca o novíssimo mas não descuida do passado. Além das sessões musicadas de clássicos centenários (as de Fausto foram precedidas pelas de Uma Página de Loucura, em fevereiro, e As Aventuras do Príncipe Achmed, em março), haverá uma exibição comemorativa dos 50 anos de Carrie, A Estranha (1976).
Esta obra seminal do diretor Brian De Palma estará em cartaz no sábado (11), às 20h30min, na Capitólio. O programa inclui o curta Lick Me, da artista visual Elizabeth Schuch, que homenageou o terror protagonizado por Sissy Spacek no pôster da 22ª edição do festival. E o filme também inspira a festa de abertura, o Baile da Carrie, que começa logo na sequência, às 22h30min, no Insano Pub.

No outro sábado (18), a partir das 23h, a Capitólio recebe o tradicional Madrugadão Fantaspoa, com quatro filmes: Godzilla em Santa Fé (Argentina, 2025), Peeping Todd (EUA, 2025), Carne Mata (Holanda, 2025) e Mad Mask (Japão, 2025). Essa seleção ilustra características fundamentais do festival organizado por João Pedro Fleck, Nicolas Tonsho e João Pedro Teixeira.
Sob o guarda-chuva do fantástico, o Fantaspoa mescla gêneros como terror, ficção científica, comédia, ação e até musical. Às vezes, a mistura ocorre dentro do mesmo filme. Que pode ser assumidamente artesanal ou extremamente brutal, que pode refletir sobre dilemas morais ou confundir realidade e alucinação.

O Fantaspoa oferece a oportunidade ímpar de dar uma volta ao mundo sem sair de Porto Alegre: os títulos representam 41 países, de quase todos os continentes. Pode-se viajar do Chile, cenário de Matapanki (2026), à Indonésia, onde se passa Levitando (2026), e a lista inclui produções de Porto Rico (Lua Rosa: A 7ª Ascensão de Atabey), da Sérvia (Karmadonna), da China (A Jornada Sem Fim), da Nova Zelândia (Mãrama) e até do Quirguistão (Loucura nos Bastidores).
Essa viagem mostra que um outro cinema é possível. As obras fogem muito do convencional, da embalagem pronta para consumo universal. Não raro, o espectador pode ficar chocado com a violência — ou até com o humor. Os filmes nos desafiam a assimilar uma estética diferente; a confrontar pesadelos e chagas sociais; a interpretar sem um manual de instruções; e a descobrir para onde a história está indo — a imprevisibilidade talvez seja a única coisa previsível no Fantaspoa.
É assinante mas ainda não recebe minha carta semanal exclusiva? Clique aqui e se inscreva na newsletter
Assista aos vídeos Dica do Ticiano no YouTube: clique aqui
Já conhece o canal da coluna no WhatsApp? Clique aqui: gzh.rs/CanalTiciano


