
Já começou a 22ª edição do Fantaspoa, o Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre.
Até o dia 26 de abril, 210 curtas e longas-metragens serão exibidos no CineBancários, na Cinemateca Capitólio, na Cinemateca Paulo Amorim, no Instituto Ling e na Sala Redenção da UFRGS.
Nesta coluna, eu listo os melhores filmes para ver no primeiro fim de semana do evento. Confira informações sobre ingressos no site oficial do festival, o fantaspoa.com.
1) Carrie, a Estranha (1976)

De Brian De Palma. A adolescente Carrie (interpretada por Sissy Spacek) vive entre a sufocante convivência com a mãe (papel de Piper Laurie), uma fanática religiosa, e o inferno na escola — ela sofre bullying dos colegas vividos pelos então novatos John Travolta e Amy Irving.
Por que ver? Carrie é um clássico do terror e uma das obras seminais do diretor de Um Tiro na Noite (1981) e Scarface (1983). A cena do banho de sangue se tornou antológica, sendo reverenciada ou copiada inúmeras vezes. E Sissy Spacek e Piper Laurie foram indicadas ao Oscar de melhor atriz e de atriz coadjuvante, respectivamente.
Sessão na Cinemateca Capitólio, neste sábado (11), às 20h30min, precedida pelo curta-metragem Lick Me, de Elizabeth Schuch
2) Karmadonna (Sérvia, 2025)

De Aleksandar Radivojevic. A história se passa na Sérvia. Mãe solo, a protagonista encarnada por Jelena Dokic (atriz homônima da ex-tenista australiana) está a 37 dias do nascimento de seu primeiro filho quando atende a um telefonema de um número desconhecido. Do outro lado da linha, uma voz anônima ordena que ela cometa uma série de assassinatos para manter vivo o fruto de seu ventre.
Por que ver? Para testar os seus limites de exposição à violência e ao obsceno. O diretor é um dos roteiristas do traumatizante e famigerado A Serbian Film (2010), mas Karmadonna pega bem mais leve e até imprime algum humor nos diálogos.
Sessões na Cinemateca Paulo Amorim, nos dias 11, 15 e 17, sempre às 19h30min
3) Loucura nos Bastidores (Quirguistão, 2025)

De Amanbek Azhymat. Um roteirista de 70 anos que dá vida a suas histórias em uma velha máquina de escrever é pressionado por um jovem produtor a bolar um projeto de olho apenas no retorno financeiro. Realidade e imaginação se misturam, povoando sua sala com personagens excêntricos.
Por que ver? Está longe de ser genuinamente imperdível, mas quando você terá uma nova chance de ver um filme produzido e ambientado no Quirguistão?
Sessões na Cinemateca Paulo Amorim, no dia 11, às 14h, no dia 15, às 14h, e no dia 17, às 17h30min
4) Mãrama (Nova Zelândia, 2025)

De Taratoa Stappard. Em 1859, Mary Stevens (interpretada por Ariana Osborne) é uma jovem órfã de origem maori que, após receber uma carta de um homem desconhecido que diz ter informações sobre seus pais, viaja da Nova Zelândia para o norte de Yorkshire, na Inglaterra. Lá, é contratada como governanta da pequena Anne, neta de Nathaniel Cole (Toby Stephens), aristocrata que fez fortuna com a caça às baleias.
Por que ver? A bela recriação de época emoldura um filme que ilustra como o gênero do terror é um veículo por excelência para histórias sobre os monstros e os fantasmas do colonialismo e do racismo. E, durante a encenação teatral da caça a uma baleia, em meio a uma festa na mansão de Cole, Mãrama tem uma das cenas mais marcantes da temporada até agora, graças à atuação vibrante de Ariana Osborne.
Sessões no CineBancários, nesta sexta-feira (10), às 17h, no dia 17, às 15h, e no dia 26, às 15h
5) A Máscara Vermelha (EUA, 2025)

De Ritesh Gupta. Allina Green (papel de Helena Howard) é uma roteirista negra e lésbica que foi contratada para escrever o novo filme de uma franquia slasher de sucesso. Para fugir da fúria de fãs conservadores, ela e sua noiva, Deetz (Inanna Sarkis), se isolam em uma cabana no meio de uma floresta, onde simulam as cenas de ataque do assassino mascarado.
Por que ver? Pela divertida, embora macabra, metalinguagem. A Máscara Vermelha descontrói e ao mesmo tempo se alimenta dos clichês do slasher. O filme faz piada mas também repudia o comportamento tóxico do público, sem deixar de propor uma autocrítica aos cineastas desse subgênero do terror.
Sessões na Cinemateca Capitólio, nesta sexta-feira (10), às 20h30min (com o diretor), e no dia 11, às 16h30min
6) O Perigo em Pincer Point (Inglaterra, 2026)

De Jake Kuhn e Noah Stratton-Twine. O ator Jack Redmayne encarna Jim Baitte, um técnico de som preguiçoso que está trabalhando na nova produção de um tirânico rei dos filmes B ingleses, o diretor P.W. Griffin (Os Leanse). Precisando provar sua competência, Jim é enviado a uma remota e misteriosa ilha, onde deve captar sons poderosos o suficiente para incrementar o clímax da obra.
Por que ver? Este é um fino exemplar da mostra Low Budget, Great Films do Fantaspoa, dedicada a produções de baixíssimo orçamento. A fotografia em preto e branco é muito charmosa, o senso de humor britânico combina bem com o surrealismo da trama — que inclui "monstros" marítimos e lendas sobre piratas —, e o elenco, livre para improvisar, segundo informa os créditos, esbanja carisma.
Sessões na Cinemateca Capitólio, nesta sexta-feira (10), às 13h, no dia 16, às 14h45min, e no dia 25, às 20h30min
7) Você É o Filme (Japão, 2026)

De Makoto Ueda. No Japão, a dramaturga Madoka (Riko Fujitani) e o músico Kazuma (Takafumi Imai) levam vidas separadas até irem, no mesmo dia, a um cinema independente. Lá, cada um descobre que está assistindo a um filme estrelado pelo outro.
Por que ver? É o primeiro filme dirigido pelo roteirista dos geniais Dois Minutos Além do Infinito (2020) e Rio (2023), ambos exibidos no Fantaspoa. João Pedro Fleck, um dos organizadores do festival ao lado de Nicolas Tonsho e João Pedro Teixeira, afirmou: "Aqui, Ueda eleva a metalinguagem a outro nível, criando uma obra que se passa em somente 60 minutos, mas que tem poder suficiente para conquistar gerações cinéfilas por anos".
Sessões na Cinemateca Paulo Amorim, no dia 12, às 14h, no dia 16, às 19h30min, e no dia 24, às 14h
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