
A 22ª edição do Fantaspoa, o Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre, entra na sua segunda semana nesta segunda-feira (13). Até o dia 26 de abril, 210 curtas e longas-metragens serão exibidos no CineBancários, na Cinemateca Capitólio, na Cinemateca Paulo Amorim, no Instituto Ling e na Sala Redenção da UFRGS.
Sob o guarda-chuva do fantástico, o Fantaspoa mescla gêneros como terror, ficção científica, comédia, ação e até musical. Às vezes, a mistura ocorre dentro do mesmo filme. Que pode ser assumidamente artesanal ou extremamente brutal, que pode refletir sobre dilemas morais ou confundir realidade e alucinação.
Confira, a seguir, os melhores títulos para assistir entre terça (14) e domingo (19). A ordem é apenas alfabética. Confira informações sobre ingressos no site oficial do festival, o fantaspoa.com.
1) A Jornada Sem Fim (China, 2025)

De Xian Cheng. No futuro, a Terra está quase vazia e os homens são estimulados a transferir sua consciência para a realidade virtual aos 40 anos. Quando seu pai faz isso, o jovem Cheng Qi (papel de Haoming Hu) decide embarcar em uma viagem para procurar a mãe que o abandonara quando ele era criança.
Por que ver? Esta ficção científica ambientada na China tem como um dos trunfos a construção de mundo — a solidão pós-apocalíptica é acentuada pelos imensos condomínios e pelos vastos desertos. Esses cenários frios se enchem de vida graças ao carisma do protagonista e de coadjuvantes como a pessoa mais velha do planeta.
Sessões na Cinemateca Capitólio, no dia 15, às 13h, e no dia 17, às 14h45min
2) Karmadonna (Sérvia, 2025)

De Aleksandar Radivojevic. A história se passa na Sérvia. Mãe solo, a protagonista encarnada por Jelena Dokic (atriz homônima da ex-tenista australiana) está a 37 dias do nascimento de seu primeiro filho quando atende a um telefonema de um número desconhecido. Do outro lado da linha, uma voz anônima ordena que ela cometa uma série de assassinatos para manter vivo o fruto de seu ventre.
Por que ver? Para testar os seus limites de exposição à violência e ao obsceno. O diretor é um dos roteiristas do traumatizante e famigerado A Serbian Film (2010), mas Karmadonna pega bem mais leve e até imprime algum humor nos diálogos.
Sessões na Cinemateca Paulo Amorim, nos dias 15 e 17, sempre às 19h30min
3) Levitando (Indonésia, 2026)

De Wregas Bhanuteja. Em uma cidadezinha da Indonésia onde as pessoas encontram prazer em ser possuídas por espíritos, o jovem Bayu (Angga Yunanda) sonha em se tornar o xamã de uma festa de transe para evitar um despejo iminente.
Por que ver? É um filme absolutamente singular e que proporciona uma rica experiência de imersão em outra cultura. Periga o espectador também ficar hipnotizado.
Sessões na Cinemateca Paulo Amorim, nesta terça-feira (14) e no dia 18, sempre às 19h30min
4) Loucura nos Bastidores (Quirguistão, 2025)

De Amanbek Azhymat. Um roteirista de 70 anos que dá vida a suas histórias em uma velha máquina de escrever é pressionado por um jovem produtor a bolar um projeto de olho apenas no retorno financeiro. Realidade e imaginação se misturam, povoando sua sala com personagens excêntricos.
Por que ver? Está longe de ser genuinamente imperdível, mas quando você terá uma nova chance de ver um filme produzido e ambientado no Quirguistão?
Sessões na Cinemateca Paulo Amorim, no dia 15, às 14h, e no dia 17, às 17h30min
5) Mãrama (Nova Zelândia, 2025)

De Taratoa Stappard. Em 1859, Mary Stevens (interpretada por Ariana Osborne) é uma jovem órfã de origem maori que, após receber uma carta de um homem desconhecido que diz ter informações sobre seus pais, viaja da Nova Zelândia para o norte de Yorkshire, na Inglaterra. Lá, é contratada como governanta da pequena Anne, neta de Nathaniel Cole (Toby Stephens), aristocrata que fez fortuna com a caça às baleias.
Por que ver? A bela recriação de época emoldura um filme que ilustra como o gênero do terror é um veículo por excelência para histórias sobre os monstros e os fantasmas do colonialismo e do racismo. E, durante a encenação teatral da caça a uma baleia, em meio a uma festa na mansão de Cole, Mãrama tem uma das cenas mais marcantes da temporada até agora, graças à atuação vibrante de Ariana Osborne.
Sessões no CineBancários, no dia 17, às 15h, e no dia 26, às 15h
6) Maldita Mesa Turca (2025)

De Cam Evrenol. Pais de um recém-nascido, Ibrahim (Alper Kul) e Zehra (Algi Eke) estão em uma loja de móveis na Turquia, onde uma vendedora tenta convencer o casal a comprar uma extravagante mesa de centro. O marido quer levar, a esposa não. O que acontece a partir daqui é melhor que o próprio espectador descubra.
Por que ver? Talvez seja a primeira refilmagem a ser exibida pelo Fantaspoa na história do festival. Quem quiser comparar com o filme original, Mesa Maldita (2022), do espanhol Caye Casas, deve se decepcionar. Mas quem desconhece a trama certamente ficará espantado.
Sessão na Cinemateca Capitólio, nesta terça (14), às 18h15min
7) O Perigo em Pincer Point (Inglaterra, 2026)

De Jake Kuhn e Noah Stratton-Twine. O ator Jack Redmayne encarna Jim Baitte, um técnico de som preguiçoso que está trabalhando na nova produção de um tirânico rei dos filmes B ingleses, o diretor P.W. Griffin (Os Leanse). Precisando provar sua competência, Jim é enviado a uma remota e misteriosa ilha britânica, onde deve captar sons poderosos o suficiente para incrementar o clímax da obra.
Por que ver? Este é um fino exemplar da mostra Low Budget, Great Films do Fantaspoa, dedicada a produções de baixíssimo orçamento. A fotografia em preto e branco é muito charmosa, o senso de humor britânico combina bem com o surrealismo da trama — que inclui "monstros" marítimos e lendas sobre piratas —, e o elenco, livre para improvisar, segundo informa os créditos, esbanja carisma.
Sessões na Cinemateca Capitólio, no dia 16, às 14h45min, e no dia 25, às 20h30min
8) Você É o Filme (Japão, 2026)

De Makoto Ueda. No Japão, a dramaturga Madoka (Riko Fujitani) e o músico Kazuma (Takafumi Imai) levam vidas separadas até irem, no mesmo dia, a um cinema independente. Lá, cada um descobre que está assistindo a um filme estrelado pelo outro.
Por que ver? É o primeiro filme dirigido por Ueda, roteirista dos geniais Dois Minutos Além do Infinito (2020) e Rio (2023), ambos exibidos no Fantaspoa. "Aqui, ele eleva a metalinguagem a outro nível", diz João Pedro Fleck, um dos organizadores do festival, "criando uma obra que se passa em somente 60 minutos, mas que tem poder suficiente para conquistar gerações cinéfilas por anos"
Sessões na Cinemateca Paulo Amorim, no dia 16, às 19h30min, e no dia 24, às 14h
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